Embalagem para alimentos: Perfil de compra do brasileiro mudou e obrigou a indústria do plástico a inovar

No caso do leite, a Krones indica o envase a frio. “O leite tem uma sensibilidade muito grande, e o envase a 80ºC e 90ºC não garante a segurança microbiológica do produto”, avisa Irokawa. A companhia, aliás, tem em seu portfólio tecnologias de envase asséptico a frio e a quente. Se for a frio, há o sistema com peróxido de hidrogênio (processo a seco), e o mais vendido, com ácido peracético, conhecido como processo úmido.

Segundo Irokawa, apesar de o processo com ácido peracético ter maior aceitação hoje, a tecnologia a seco tende a crescer também. “Acreditamos que esta solução irá ganhar seu espaço, principalmente para os produtos lácteos, pois a maioria dos clientes já tem experiência em manuseio de peróxido neste setor”, aponta. Quando o pH tende à neutralidade (como é o caso do leite), o envase se torna mais complexo em condições assépticas, mas este não é o problema. Na opinião de Irokawa, um grande desafio para o crescimento deste mercado é transpor o alto investimento nesta tecnologia. “Porém a Krones vem se preparando cada vez mais para poder ter uma forma de negócio interessante para os nossos clientes”, anuncia.

De qualquer maneira, o envase asséptico a frio (em PET) pode ser considerado uma tendência, por ser uma solução mais saudável, ao dispensar o uso de conservantes. Em tempo, a Krones do Brasil introduziu no país a primeira linha para envase asséptico em PET a frio. Ela está instalada em uma fábrica da Nestlé, em Araçatuba-SP, para a produção da linha Fast, dos produtos Nescau, Neston e Alpino.

Plástico Moderno, Mercado de lácteos aposta na utilização de peças plásticas
Mercado de lácteos aposta na utilização de peças plásticas

A tecnologia de envase asséptico não representa, no entanto, uma novidade para o mercado mundial, mas por aqui ainda se configura como uma área em desenvolvimento. Sua difusão, talvez pela baixa escala de utilização, ainda não é expressiva e se restringe a casos isolados. “O limitante é o seu custo”, resume Hiroyuki Matsui, da Plusmach, empresa que representa no país a Aoki Technical Laboratory, e a Xenos. Essas duas empresas participaram do projeto da Fazenda Leitíssimo, exemplo nacional de envase asséptico em PET. A Xenos fabrica as máquinas para o envase a frio; e a Aoki, as sopradoras para a produção das garrafas PET.

O leite UHT Leitíssimo é envasado na própria fazenda, localizada na Bahia, e tem o apelo de marca premium. Esse desenvolvimento teve início há dez anos e absorveu investimento de R$ 5,5 milhões, com equipamentos, infraestrutura e a criação do gado. “É uma garrafa de PET comum, nada em especial; e o bloqueio de luz, necessário ao leite UHT, é dado pelo rótulo sleeve”, explica Matsui.

Flexíveis – O mercado de embalagens flexíveis tem por tradição a indústria de alimentos como a sua principal consumidora, mas nem com o respaldo desse grande volume esta indústria tem respirado aliviada. O cenário está nebuloso. Dados da Maxiquim dão conta de que, em volume, houve um crescimento modesto em 2012 – o setor avançou 1,9%; enquanto o valor da produção registrou aumento de 7,5%. Um dos gargalos foram as importações de produtos acabados – em valor, cresceu 11,5%; e em volume, 12,8%.

Plástico Moderno, Embalagem para alimentos: Perfil de compra do brasileiro mudou e obrigou a indústria do plástico a inovarAté mesmo para reverter este quadro e injetar mais competitividade ao setor, a Associação Brasileira da Indústria de Embalagens Plásticas Flexíveis (Abief) promoveu, em São Paulo, no mês de junho, o fórum “Como fazer – e pensar – diferente na indústria de transformação: novos negócios, estratégias e cenários”. O nome é sugestivo e anuncia um caminho para o mercado: investir na inovação.

O “novo”, sob a ótica de Carlos Catarozzo, executivo de vendas e marketing da UBE América Latina, está no uso de materiais de alto desempenho, como o terpolímero Terpalex (Co PA 6/6.6/12) em alternativa ao PVdC (policloreto de vinilideno). Esse desenvolvimento da UBE traz como proposta atender o mercado de carnes e queijos. Apesar de admitir que o shelf life do PVdC é mais longo do que o da poliamida, as características do náilon garantem uma série de vantagens capazes de suplantar esta desvantagem perante o material concorrente. O terpolímero oferece transparência e, sobretudo, resistência, pois pode embalar até mesmo carnes com osso.

Para embalar a carne, a estrutura sugerida é composta por Evoh (copolímero de etileno e álcool vinílico), para garantir a barreira a gases, odores e sabores; náilon, para assegurar resistência mecânica; e poliolefinas, para suprimir a umidade; além do adesivo.

Página anterior 1 2 3 4Próxima página

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios