Embalagem para alimentos: Perfil de compra do brasileiro mudou e obrigou a indústria do plástico a inovar

Outra tendência anunciada inclui a necessidade da indústria de oferecer ao consumidor embalagens ativas e inteligentes (ver PM agosto 2009). Em linhas gerais, o primeiro tipo melhora e mantém a qualidade e a segurança do alimento por meio de sua interação com o produto ou o ambiente, enquanto a inteligente é aquela capaz de trazer uma informação para o consumidor sobre as condições do produto embalado. “Enquadram-se aqui as garrafas com absorvedor de oxigênio e as embalagens com indicador de temperatura e localização com a etiqueta RFID (Radio-Frequency IDentification), por exemplo”, cita Claire, entre o que há de novo neste sentido.

Plástico Moderno, Marçon: indústria do PET tem de avançar no quesito design
Marçon: indústria do PET tem de avançar no quesito design

Inovação – Para Auri Marçon, presidente da Associação Brasileira da Indústria do PET (Abipet), a inovação é palavra de ordem para o setor. Até por isso, novas aplicações e projetos diferenciados pautam os desenvolvimentos da indústria de embalagens para alimentos. Marçon vê a matéria-prima como um ponto importante neste quesito, e comenta a novidade de uma das três maiores fabricantes de resinas PET no mundo, a Mossi&Ghisolfi (M&G). Trata-se do Proesa, um desenvolvimento recente da companhia para a produção de etanol oriundo da biomassa. A GraalBio fechou acordo com a Beta Renewables, joint venture formada pela Chemtex, subsidiária do grupo italiano M&G desde 2004, para produzir, em Alagoas, etanol celulósico em escala industrial, com base na tecnologia Proesa.

Outra inovação apontada por Marçon dá conta da linha Lactra, da ColorMatrix – uma família de aditivos líquidos para embalagens PET desenhada para elevar o tempo de prateleira dos produtos. A ColorMatrix, empresa do grupo Polyone, desenvolveu uma tecnologia para embalagens de leite e derivados de leite, cujo princípio é garantir proteção contra a fotodegradação. O aditivo pode ser incorporado a embalagens monocamadas ou multicamadas, e aplicado em peças brancas.

Marçon também fala de inovação no âmbito da transformação. “Nossa embalagem (PET) tem muito a avançar; é preciso investir em design”, afirma. Para ele, além dos setores tradicionais, como refrigerante, água e óleo, a associação tem mirado outras áreas. Como nova aplicação para a resina, ele destaca o mercado de lácteos. “Este segmento está chegando ao Brasil”, diz.

A resina PET tem forte atuação no mercado de refrigerante, com 58,3% de participação no setor. Em seguida estão a água mineral (16,5%) e o óleo de cozinha (10,7%). O restante se divide entre suco de fruta (1,12%) e outros (13,38%).

PET no leite – A inovação se dissipa em diversas frentes. Uma das oportunidades que vêm sendo anunciadas há algum tempo para o PET está no envase do leite UHT. Esse é o nome dado ao processo de ultrapasteurização, ao qual o leite é submetido, caracterizado pelo seu aquecimento a temperaturas entre 130ºC e 150ºC, durante dois a quatro segundos, seguido de resfriamento a temperaturas inferiores a 32ºC. Para Ayrton Irokawa, gerente de vendas de máquinas da Krones do Brasil, a aplicação pode ir além, abarcando outros tipos de bebidas consideradas sensíveis, como sucos, chás, água de coco e smothies.

Plástico Moderno, Envase com pedaços de frutas é considerado uma tendência
Envase com pedaços de frutas é considerado uma tendência

Seguindo a rota dos produtos saudáveis (aqueles que dispensam o uso de conservantes), a Krones aposta também no FlexiFruit ou envase com pedaços de frutas. É um sistema de dosagem prévia de sucos ou bebidas lácteas mescladas com pedaços de frutas. O suco ou a bebida láctea é submetido a um processo independente próprio, enquanto que os pedaços de fruta com tamanhos de até 10x10x10 milímetros são pasteurizados em um trocador de calor. A consequente separação e o tratamento das bebidas são aplicados posteriormente também no processo de envase com o sistema de dosagem prévia mediante uma pré-enchedora FlexiFruit para pedaços de fruta ou polpa. No sistema de pré-dosagem, chegam, em primeiro lugar nas garrafas, os pedaços de fruta ou polpa com uma pequena quantidade de suco; e, em seguida, a enchedora principal agrega o suco ou a bebida láctea, fazendo a mistura dentro da própria garrafa. A tecnologia se aplica em ambos os processos, a frio ou a quente.

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