Embalagens

Embalagem para alimentos: Perfil de compra do brasileiro mudou e obrigou a indústria do plástico a inovar

Renata Pachione
2 de setembro de 2013
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    Plástico Moderno, Embalagem para alimentos: Perfil de compra do brasileiro mudou e obrigou a indústria do plástico a inovar
    A grande maioria dos produtos comercializados nos supermercados não tem apoio de comunicação. Este dado por si só revela quão importante a embalagem pode ser ao setor alimentício, sobretudo a plástica. As características da resina a tornam ideal para injetar competitividade ao mercado de alimentos, até porque embalar, nos dias atuais, vai além da proteção, da preservação e da distribuição.

    Não é à toa que a indústria alimentícia é a principal consumidora das embalagens flexíveis; e a categoria de bebidas sensíveis, como o leite UHT (Ultra High Temperature), ou seja, Temperatura Ultra-Alta, apesar de ser o reduto das cartonadas, está inclinada a adotar o polietileno tereftalato (PET) como opção. O perfil de compra do consumidor mudou. Para acompanhar este ritmo, a indústria de embalagens para alimentos aposta na inovação: aperfeiçoa processos, desenvolve novas matérias-primas e lança tendências.

    Qual rumo tomar – “Vemos uma nova maneira de comprar”, comenta Claire Sarantópoulos, engenheira do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital) e do Centro de Tecnologia de Embalagem (Cetea). O perfil socioeconômico do país se transformou. O poder aquisitivo do brasileiro aumentou, e por conta disso o consumo de alimentos também. O Brasil viu surgir uma nova classe média e um grau maior de exigência em relação à alimentação. O que se vê são novos interesses despontando.

    Plástico Moderno, Embalagem transparente transmite sensação de segurança ao consumidor

    Embalagem transparente transmite sensação de segurança ao consumidor

    O Ital, não por acaso, criou o Brasil PackTrends, em 2008. A ideia era entender os principais fatores de impacto e tendências para os próximos anos, de forma que isso ajudasse as indústrias de alimentos/bebidas e de embalagens a serem mais competitivas. A mais nova versão deste documento foi apresentada por Claire durante a PETtalk 2013, a Conferência Internacional da Indústria do PET, realizada e organizada pela Associação Brasileira da Indústria do PET (Abipet), em junho deste ano, em São Paulo.

    Na ocasião, ela revelou alguns dos caminhos pelos quais o setor vai seguir. Segundo Claire, o instituto diagnosticou cinco macrotendências, e as categorizou da seguinte forma: estética e identidade; conveniência e simplicidade; qualidade e novas tecnologias; sustentabilidade e ética, e segurança e assuntos regulatórios. Algumas destas tendências, ela apontou como grandes oportunidades para a indústria plástica, como é o caso do PET na categoria estética e identidade.

    O novo comprador tem a necessidade de luxo e sofisticação e, por isso, ela previu uma inclinação para o aumento do consumo de produtos de alto valor agregado. “O consumidor deseja uma experiência prazerosa; é de diferenciação que estamos falando, ele quer se sentir diferenciado”, comenta. Ela cita as garrafas PET para água de marcas premium como a Crystal. “Esta resina é nosso diamante de plástico”, diz. Em tempo, entre as principais propriedades do PET estão a alta transparência, barreira a gases e resistência mecânica. O processo de injeção-estiramento-sopro, ao qual a resina passa na fabricação das embalagens, promove uma biorientação molecular, o que contribui para aumentar suas características físicas e de barreira.

    Plástico Moderno, Mestriner sugere ao setor investir na transparência de seus produtos

    Mestriner sugere ao setor investir na transparência de seus produtos

    Aliás, a transparência está cada vez mais em alta. A sensação de segurança transmitida ao consumidor – este almeja ver o conteúdo da embalagem – garante a preferência. Conforme explica o especialista em design e embalagem Fabio Mestriner, a onda das embalagens transparentes vem ganhando força, e as empresas que buscam inovação e personalidade para seus produtos devem ficar atentas para as novas possibilidades estéticas desta característica. “A transparência é mágica”, ressalta.

    Segundo a pesquisa divulgada por Claire, o consumidor também valoriza a conveniência e a simplicidade. A pesquisadora conta que a embalagem precisa ser fácil de abrir, de carregar e ter o atributo da portabilidade – o produto deve permitir o seu consumo em qualquer lugar e ocasião. Neste quesito, Mestriner propõe uma nova aplicação para o PET em âmbito nacional. Ele dá o exemplo dos Estados Unidos, onde há salgadinhos (snacks) em embalagens feitas com esta resina. “É uma versão to go, para comer sem se sujar.” O produto se assemelha às garrafinhas de iogurtes, o que possibilita ao consumidor ingerir o conteúdo sem pegá-lo com as mãos.



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