Plástico

Eletrodomésticos – Novos produtos e avanços tecnológicos das resinas tiram o metal de grande fatia da ex-linha branca

Nelson Valencio
22 de novembro de 2011
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    Seis razões para o aumento do uso do plástico em eletrodomésticos

    1. Baixa densidade, reduzindo o peso dos equipamentos.

    2. Boa resistência a impactos, excelente resistência à vibração, absorção de sons e boa isolação elétrica e ao calor. Por isso, pode ser usado amplamente para produção de materiais isolantes.

    3. Boa processabilidade, simplificando o processamento de peças e componentes de formatos complexos, o que facilita a produção em lotes a um custo atraente. Pode-se, de forma geral, calcular que peças de plástico custam, em média, 10% de componentes similares feitos de materiais não-ferrosos.

    4. Alta flexibilidade de projetos, permitindo a produção de aparelhos com designs diferenciados.

    5. Alta resistência ao ataque de substâncias químicas como ácidos, álcalis e sais.

    6. Podem ser reciclados e são ambientalmente amigáveis, ajudando a atender às demandas de sustentabilidade da indústria atual.

    Fonte: Applications and Development Trend Of Plastics in Household Appliance Industry.

     

    Uso singular do plástico em lava-roupas

    Não é somente na composição de peças ou de componentes que os plásticos podem ser usados em eletrodomésticos. É o que prova a Xeros, uma empresa de alta tecnologia que nasceu de pesquisas realizadas na Universidade de Leeds (Inglaterra). A companhia desenvolveu uma máquina de lavar revolucionária que economiza até 90% de água. A tecnologia utiliza um sistema baseado no uso de náilon como agente de limpeza. Ainda em fase de prototipagem, a nova máquina poderá ser aplicada tanto em escala comercial como em lava-roupas domésticos, segundo a empresa. A ideia, no entanto, é produzir equipamentos que possam ser adotados em lavanderias, permitindo ciclos de limpeza de até 20 kg de roupas cada. A nova tecnologia nasceu da iniciativa do professor Stephen Burkinshaw, que trabalha na Universidade de Leeds na área de têxteis como químico líder em polímeros. Ele usa pequenas partículas de náilon que atuam atraindo as sujeiras, com a criação de um ambiente úmido dentro do equipamento. A pequena umidade dá ao polímero a capacidade de absorver as sujeiras e arrastá-las, criando um leito de operação dentro da máquina. Além da redução de 90% de água, a tecnologia da Xeros pode diminuir os custos de energia, pelo fato de os ciclos de lavagem serem mais curtos. Em média, a avaliação da empresa é que os custos operacionais diretos devem ser reduzidos em 30%.

     

    Sustentabilidade também na cozinha

    A reciclagem pode ser uma grande vantagem dos plásticos, mas também envolve o desafio de separar os vários tipos de compostos. A Mitsubishi Electric afirma ter resolvido esse problema no caso dos eletrodomésticos. Como os aparelhos são uma mistura de diversos produtos, a empresa teria equacionado uma forma eficiente de separação usando gravidade e eletricidade estática. Com essa metodologia, ela afirma ter conseguido separar os três principais tipos de plásticos presentes nos eletrodomésticos, que segundo a empresa seriam: polipropileno, poliestireno e o ABS.

    Os dados da Mitsubishi Eletric indicam que a tecnologia de separação permitiria a reciclagem de até 70% dos plásticos recuperados de aparelhos domésticos. No caso das resinas de polipropileno, a recuperação conseguiria resinas com mais de 99% de pureza. Isso seria possível pela separação usando gravidade específica, seguida pela eliminação dos contaminantes. Para o PS e ABS, o processo muda um pouco, mantendo a separação por gravidade específica, seguida de técnicas de separação eletrostática e depois pela eliminação dos contaminantes. O grau de pureza do material recuperado seria o mesmo do PP.

    A fabricante japonesa garante ainda que pode manter a durabilidade do material reciclado por um período de mais de dez anos, mesmo se submetido a altas temperaturas, com no máximo 70ºC. Isso seria conseguido com o uso de um aditivo aos materiais coletados. Outra forma de agregar valor ao material reciclado seria a adição de retardantes de chama, o que também poderia aumentar a resistência do produto recuperado, que já estão sendo usados na produção de geladeiras e lavadoras de louças.

    Apesar de suas inúmeras vantagens de reprocessamento, o plástico não escapa do monitoramento ambiental. Alguns eletrodomésticos fazem parte de uma lista negra, condenada pelos ambientalistas do portal Bad Plastics. A lista inclui produtos que podem conter o Bisfenol A (BPA), elemento presente na composição de alguns tipos de plásticos. No Brasil, a proibição de mamadeiras contendo BPA foi oficializada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e passa a valer a partir de 2012.

    Dos equipamentos contendo BPA, a Bad Plastics inclui alguns modelos de cafeteira e máquinas de café expresso. A tigela de processadores de alimentos também pode conter BPA, de acordo com o site. A orientação dos ambientalistas é pela adoção do selo BPA free, o que seria uma forma eficiente de informação para o consumidor.

     

    Estudo chinês mapeia a aplicação do plástico nos eletrodomésticos

    Um levantamento recente feito pela Chinaplas, um dos maiores eventos chineses da indústria de plástico, apresentou um mapeamento do uso de plásticos em aparelhos domésticos. Segundo o documento Applications and Development Trend of Plastics in Household Appliance Industry, 90% dos materiais plásticos usados nessa área são termoplásticos, sendo a maior parte deles PP, PS, PVC e PE. Os chamados plásticos de engenharia também fazem parte do leque de opções, caso do ABS, ASA, PMMA e PEEK, entre outros. Os termofixos, como as resinas poliuretânicas e fenólicas, entre outras, completam o rol de produtos.

    De toda a lista, três materiais sobressaem: ABS, poliestireno e polipropileno. O PP, por exemplo, pode ser usado em peças internas de lavadoras de louças. De acordo com o documento, a Bosch-Siemens Group lançou uma máquina com peças internas que podem enfrentar ambientes com produtos de limpeza operando a 80ºC, mantendo o desempenho e sem afetar a cor. Outras aplicações futuras de peças internas poderão ser adotadas usando-se o PP, em combinação com as coberturas de PVC comuns nestes tipos de aparelhos. Os materiais da porta de geladeira também poderão sofrer alterações, com a substituição do poliestireno de alto impacto (PSAI) pelo ABS, que pode reduzir a espessura da porta e o custo de produção desse componente, sem afetar a sua resistência. Segundo o relatório, alguns fabricantes de geladeiras estariam considerando a possibilidade de fabricação das portas externas somente com plásticos.

    O PS, que era então apenas usado na produção de partes transparentes de aparelhos, tem sido empregado amplamente em materiais de embalagem. O PSAI tem sido empregado para produzir a caixa de vegetais das geladeiras, contêineres internos, bandejas de gelo e gavetas de carne, entre outros componentes. O PVC, que é raro no ambiente doméstico, tem sido aplicado em conjunto com ABS ou PS, graças ao baixo custo da combinação, para aplicações como o cilindro interno de refrigeradores.

    O PE, por sua vez, tem sido bastante empregado para a produção de peças sem suporte em equipamentos domésticos, como as mangueiras corrugadas em máquinas de lavar e nos aspiradores de pó. Entre os plásticos de engenharia, o ABS se mantém no topo em quantidade de uso e tem sido aplicado primariamente em geladeiras. As partes externas transparentes da maior parte desses eletrodomésticos também têm sido produzidas com o ABS.

    Outro plástico comum nos eletrodomésticos é o ASA, principalmente para bandejas de vegetais em geladeiras, switches elétricos e partes transparentes de pequenos aparelhos. Já o PC tem sido utilizado na fabricação de invólucros transparentes de aquecedores elétricos, que requerem alta resistência térmica e características de retardante de chamas. Os vários tipos de PA, por sua vez, são adotados na produção de motores e partes deslizantes de eletrodomésticos. Três outros plásticos – PPS, LCP e PEEK – são listados como matéria-prima para a produção de partes elásticas de aparelhos, caso de anéis de selagem em fornos elétricos. Já o PUR pode ser aplicado como espuma plástica em sistemas de isolamento térmico tanto de geladeiras como de fornos elétricos.

    Além da diversidade de aplicações, o documento também lista o apelo de sustentabilidade que os plásticos atualmente precisam ter. É o caso do polipropileno, que é um polímero sem odor e não tóxico, que possui uma densidade que o torna um dos materiais mais leves. Os plásticos biológicos, graças à sua degradação natural, também ganham espaço, principalmente por causa da tendência de descarte de grande número de eletrodomésticos na China.

    Outro ponto ressaltado pelo relatório é o consumo crescente de ABS: 80% do consumo na China está relacionado à produção de equipamentos domésticos e não estamos falando apenas de eletrodomésticos, mas de computadores, gabinetes de TV, aspiradores de pó e ares-condicionados, entre outros equipamentos. A preocupação, de acordo com os especialistas, é com a demanda, que tem superado a produção. Os plásticos bactericidas são outra tendência apontada no maior mercado mundial de eletrodomésticos e devem ser mais adotados no futuro.



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