Elastômeros termoplásticos – Segmentos de calçados e de autopeças reduzem ritmo e estimulam setor a buscar novas frentes de atuação

As indústrias de autopeças e de calçados pisaram no freio e ajudaram a desacelerar o até então aquecido e quase desabastecido mercado de elastômeros, incluindo os termoplásticos (TPEs). Isso para citar apenas dois redutos do material. No último trimestre de 2008, quando os preços e o fornecimento de insumos petroquímicos, entre os quais o butadieno e o isopreno, apresentavam os primeiros sinais de estabilidade e abriam espaço para a recuperação das vendas e margens das borrachas, a crise mundial deu as caras e mudou a maré.

Plástico Moderno, Nilton A. Bueno Jr., o diretor da Compostos, Elastômeros termoplásticos - Segmentos de calçados e de autopeças reduzem ritmo e estimulam setor a buscar novas frentes de atuação
Bueno aposta no potencial dos TPEs no mercado de cosméticos

Perspectivas revisadas, os fabricantes de TPEs e respectivos compostos esperam repetir os índices de vendas e faturamento do ano passado, mas não arriscam previsões conjunturais. Aliás, quem souber o que vai acontecer em 2009 corre o risco de ficar rico. Por isso, não espere essa resposta nas próximas linhas. O máximo que podemos oferecer é o perfil de um setor inovador, pronto para abrir novas portas, ou talvez frascos.

Isso é o que pretende a Softer Brasil, filial da indústria italiana com planta em Campo Bom-RS. Ao difundir o uso de TPEs em tampas e frascos, a empresa almeja avançar em um mercado pouco explorado. “Teremos novidades em breve”, afirma o diretor da Compostos, Nilton A. Bueno Jr., braço comercial da Softer, do Paraná para cima.

Na avaliação de Bueno, os TPEs têm grande potencial de uso no mercado de embalagens rígidas em substituição aos plásticos de engenharia e outras resinas. “Um dos alvos é a indústria de cosméticos, mas o potencial é imenso não apenas em razão das propriedades do material, mas também em relação ao custo”, afirma.

Para esse uso, indica os compostos formulados com borrachas hidrogenadas SEBS (estireno-etileno/butileno-estireno). Entre as vantagens, cita a ampla variedade de aplicações, excelente flexibilidade a baixas temperaturas e facilidade de pigmentação. “Permite a moldagem de peças complexas e a combinação de materiais rígidos e flexíveis, sempre com ótimo acabamento.”

O desenvolvimento desse nicho de utilização está em fase avançada. “Quem sair na frente vai ter sucesso”, diz Bueno. A substituição da cortiça nas rolhas de vinho é outra aposta da Softer. Na Europa, essa aplicação ocorre em grande escala há mais de uma década. Por aqui, ainda não emplacou como poderia.

Benefícios – A facilidade de processamento dos plásticos, a flexibilidade e a suavidade ao toque da borracha são apelos importantes, mas não os únicos. Recicláveis, os TPEs permitem o reaproveitamento de rebarbas e sobras do processo, consomem menos energia para o processamento em relação às borrachas termofixas, garantem design diferenciado às peças e melhoram as propriedades de impacto e elasticidade, entre outros parâmetros.

Plástico Moderno, Elastômeros termoplásticos - Segmentos de calçados e de autopeças reduzem ritmo e estimulam setor a buscar novas frentes de atuação
Aditivação com elastômero torna peça mais resistente

Os TPEs mais consumidos e mais baratos são os copolímeros de blocos estirênicos, o SBC (copolímero-estireno-butadieno). Usados, entre outras aplicações, na fabricação de produtos médicos descartáveis, solados, mantas, embalagens de alimentos ou como selantes, adesivos, eles apresentam força tensora menor e alongamento superior ao SBR (estireno-butadieno) ou à borracha natural.

O poliuretano termoplástico (TPU) foi o primeiro elastômero a ser processado como as resinas plásticas. A excelente resistência à abrasão garante o uso em amortecedores, cilindros, engrenagens, cabos etc. Entre os elastômeros mais antigos, estão ainda os copoliésteres (COPE) e os de olefinas termoplásticas (TPO). Classificados de acordo com os componentes da blenda, esses materiais estão em constante evolução, a fim de melhorar a resistência térmica e a fluidos, o desempenho à fadiga, entre outros parâmetros.

O uso de TPEs como aditivos de termoplásticos, na produção de embalagens rígidas e flexíveis, já é mais difundido. “Melhora as propriedades de impacto e elasticidade do produto final e evita quebras ou rasgos”, afirma o diretor-comercial e desenvolvimento de mercado da Kraton Polymers do Brasil, Ricardo A. O. Pereira.

Enquanto conquistam novos mercados, os TPEs estão consolidados em muitos segmentos. Esse é o caso da indústria de calçados, que há alguns anos substituiu o SBR, e até mesmo do setor de modificação de asfalto. “Com soluções específicas e variada gama de aplicações, os elastômeros termoplásticos têm vasto campo para crescer”, diz Pereira.

Oportunidades e nichos de mercado não faltam. Porém, produtos de consumo de maior valor agregado, como barbeadores, escovas de dente, canetas e demais itens que agregam TPEs em cabos e outras partes, ainda estão restritos a uma pequena parcela dos consumidores brasileiros. “Mas tendem a ser popularizados”, avalia. A evolução da demanda está relacionada diretamente ao poder de compra do consumidor.

Tais aplicações, usadas há anos e em grande escala nos Estados Unidos e Europa, sustentam promissora demanda no país. “O segmento de elastômeros termoplásticos tem apresentado contínua e consistente evolução nos últimos anos. No Brasil, uma alta taxa de crescimento de dois dígitos pode ser encontrada em alguns mercados específicos que demandam produtos de alto desempenho e custos competitivos”, diz Pereira.

Produção – Pioneira e maior produtora mundial de copolímeros em bloco de estireno, a Kraton possui seis bases industriais localizadas nos Estados Unidos, Brasil, França, Alemanha, Holanda e Japão, com produção total de 400 mil t/ano.

A Kraton Polymers do Brasil opera planta industrial com capacidade para 30 mil toneladas/ano de borrachas de estireno-butadieno-estireno (SBS), estireno-isopreno-estireno (SIS) e os novos copolímeros estirênicos em bloco de isopreno/butadieno (SIBS), em Paulínia-SP.

A unidade produz ainda 1.500 t/ano de látex de borracha de poli-isopreno (base seca), substituto sintético, atóxico e hipoalergênico do látex natural. Da planta de Belpre, estado de Ohio, nos Estados Unidos, importa as borrachas hidrogenadas do tipo estireno-etileno-butileno-estireno (SEBS) e estireno-etileno/propileno-estireno (SEPS).

Plástico Moderno, Daniel Hamaoui, gerente de vendas América Latina, Elastômeros termoplásticos - Segmentos de calçados e de autopeças reduzem ritmo e estimulam setor a buscar novas frentes de atuação
Para Hamaoui, borrachas de SEBS avançam em aplicações do PVC

Com sua linha de produtos, a Kraton atende a aplicações diversas de quatro segmentos de mercado: calçados, adesivos, pavimentação e impermeabilização de asfalto e plásticos. “Aproximadamente 60% da produção brasileira fica no mercado local e o restante é exportado”, informa o gerente de vendas América Latina, Daniel Hamaoui.

A produção local de SIBS começou há aproximadamente dois anos. Utilizado em conjunto com resinas, plastificantes e estabilizantes, o SIBS se destina à produção de adesivos hot melt, etiquetas, rótulos e também na área de não-tecidos.

De acordo com o fabricante, a composição elastomérica híbrida do bloco intermediário, com a distribuição de monômeros de isopreno e butadieno, influencia significativamente as propriedades físico-químicas do polímero, principalmente na temperatura de transição vítrea (Tg) e no parâmetro de solubilidade.

No campo das borrachas de SEBS, um dos destaques fica por conta da substituição do policloreto de vinila (PVC) na fabricação de embalagens para alimentos e de materiais de uso médico-hospitalar, como bolsas para soluções intravenosas, parenterais e para sangue. “Os segmentos que buscam soluções inovadoras são os que mais se beneficiam. Sob este ponto de vista, o mercado hospitalar tem apresentado boas perspectivas no Brasil”, diz Hamaoui.

Segundo ele, esses elastômeros garantem melhor processabilidade tanto em filmes extrusados como itens soprados, além de oferecer alto grau de resistência, flexibilidade e transparência. Mas uma das principais vantagens se refere à ausência de plastificantes na formulação. Hamaoui destaca ainda o uso em compostos de polipropileno (PP). “Em misturas a seco com poliolefinas, em diferentes proporções, os filmes alcançam diferentes níveis de desempenho.”

O avanço sobre tradicionais redutos do PVC também tem sido observado pela Softer Brasil. “É o candidato natural nos segmentos que necessitam de produtos atóxicos, como médico-hospitalar, utilidades domésticas e de puericultura”, diz Bueno. Ressalta ainda vantagens relativas ao processamento e à preservação dos moldes. “O transformador recebe a formulação pronta. É só colocar na injetora e processar e, ao contrário do PVC, o material não degrada a ferramenta.”

TPV – A planta da Softer Brasil tem capacidade total para 25 mil t/ano. Dividida em quatro famílias de produtos, a linha engloba compostos de PP modificados; variada gama de TPEs, como os formulados à base de SEBS e SBS; e os termoplásticos vulcanizados (TPV), borracha vulcanizada dispersa em base olefínica fundida. Em 2008, iniciou a distribuição de TPU da americana Huntsman. “O acordo abriu as portas para outros mercados de atuação.”

Os TPEs e TPVs representam o maior volume de vendas da empresa no Brasil. O mercado de autopeças absorve 50% da produção, seguido pelo segmento médico-hospitalar (20%), esporte e lazer (10%), utilidades domésticas (10%), eletroeletrônicos (4%), fios e cabos (3%), rodas e rodízios (2%) e outros (1%). “Aproximadamente 80% do volume vendido segue para a Região Sudeste.”

De acordo com Bueno, a demanda de TPV cresce em substituição ao EPDM convencional. A facilidade de processamento está entre as principais vantagens, pois se trata de uma mistura de poliolefina com EPDM reticulado. “Em geral, o custo nominal é maior, porém a peça pronta fica em torno de 20% mais barata, além de garantir propriedades semelhantes à da borracha.”

A linha de compostos de PP começou a ser produzida no Brasil em 2007. “Entramos nesse ramo para suprir os volumes menores, demanda que os três grandes produtores do setor não atendem.” De acordo com Bueno, a consolidação do PP na indústria de autopeças é o principal motor desse mercado, assim como as aplicações na construção civil e equipamentos elétricos. “Podem ser moldados por injeção, extrusão e sopro.”

A quantiQ (ex-Ipiranga Química) distribui com exclusividade os elastômeros termoplásticos vulcanizados da ExxonMobil Chemical. “Destinam-se à fabricação de qualquer peça elastomérica onde redução de peso e aderência a outros materiais são importantes”, explica o gerente de unidade de negócios – polímeros, Fabiano Bianchi, citando o uso na indústria de autopeças (dutos de ar, perfis, juntas, gaxetas e alto-falantes), em eletrodomésticos como lava-roupas, secadoras, aspiradores, em mangueiras e peças internas e utensílios domésticos; e em juntas de vedação, fios e cabos, diafragmas e outras em geral.

De acordo com Bianchi, o produto, ao longo de seus vinte anos de mercado, vem agregando vantagens técnicas importantes às peças onde é utilizado, tais como redução do peso final, integração entre materiais rígidos e flexíveis, melhoria no processo de manufatura, com eliminação de etapas de montagem, além de ser totalmente reciclável, favorecendo a redução de custos na produção das peças. “Com isto, usualmente, um elastômero termoplástico encontra espaço em aplicações onde os elastômeros comumente conhecidos não oferecem satisfatoriamente as características mencionadas.”

Disponíveis nas durezas de 35 shore A a 50 shore D e nas cores natural e preto, podem ser pigmentados nas mais variadas cores com o uso de masterbatches de polipropileno, facilitando aos engenheiros de desenvolvimento e transformação a seleção do tipo ideal para a substituição de diversas borrachas termofixas.

Plástico Moderno, Fabiano Bianchi, gerente de unidade de negócios – polímeros, Elastômeros termoplásticos - Segmentos de calçados e de autopeças reduzem ritmo e estimulam setor a buscar novas frentes de atuação
Para Bianchi, ano deverá ser satisfatório

A ExxonMobil Chemical está lançando mundialmente nova linha de elastômeros termoplásticos para modificação de propriedades, como impacto, cristalinidade e elasticidade e adesão de várias poliolefinas e plásticos de engenharia.

De acordo com Bianchi, o segmento de borracha, incluindo peças técnicas e pneumáticos, é um dos principais nichos de atuação da Divisão de Químicos da quantiQ, que vende ainda variada linha de especialidades químicas, tais como antioxidantes; agentes de crosslink; aceleradores; plastificantes minerais parafínicos, naftênicos e aromáticos; formulações de plastificantes minerais voltados ao atendimento de solicitações específicas de cada cliente; e a linha de solventes sintéticos, hidrocarbônicos e ecológicos.

Mercado – A quantiQ prevê um crescimento de 19% em receita para 2009, baseado em estratégias específicas para segmentos de mercado-alvo, além da consolidação da área de Lifescience. “Nossa expectativa é de um ano satisfatório, apesar de um primeiro trimestre com menor nível de produção, comparativamente ao ano anterior.”

Segundo Bianchi, janeiro apresentou um comportamento diferente em cada segmento de mercado. “Como grande cadeia produtiva, a indústria automotiva apresentou situação mais difícil, com níveis de produção bastante baixos.” Segmentos ligados ao consumo geral apresentaram níveis de produção considerados bons para a atual conjuntura. Na avaliação de Bianchi, o mercado caiu entre 5% e 20% no comparativo com o ano anterior, dependendo do setor industrial analisado.

Plástico Moderno, Rogério Tadiotto, diretor-comercial, Elastômeros termoplásticos - Segmentos de calçados e de autopeças reduzem ritmo e estimulam setor a buscar novas frentes de atuação
Tadiotto prevê recuperação das vendas já no segundo trimestre

Nas contas da Petropol, de Mauá-SP, 2008 fechou com crescimento de 22%, tanto em volume como em faturamento, impulsionado principalmente pelas vendas dos plásticos de engenharia reforçados com fibra de vidro. Especializada na distribuição e revenda de plásticos de engenharia e borrachas, a Petropol também tem linha própria de compostos e blendas. No segmento de elastômeros, atua desde 1993.

Em razão da crise mundial, estima-se que em janeiro o mercado ficou 40% abaixo da média registrada no ano passado. A recuperação começou em fevereiro, quando a demanda alcançou em torno de 80% do volume médio anterior. “A expectativa é de trabalhar com 80% da capacidade no primeiro trimestre de 2009, e já no segundo trimestre atingir os mesmos índices de 2008”, diz o diretor-comercial, Rogério Tadiotto.

Com a desvalorização do real perante o dólar, Tadiotto ressalta a tendência de os produtos importados perderem mercado para os nacionais, compensando a queda de mercado pelo desaquecimento da economia. Segundo ele, a maior parcela das importações tem origem na Espanha (TPU) e nos Estados Unidos (TPEs).

Fazem parte do portfólio da Petropol: os elastômeros termoplásticos compostos à base de polímeros de blocos estirênicos; TPU aditivado; borrachas termoplásticas vulcanizadas e olefínicas; blendas de ligas elastoméricas, incluindo misturas com plásticos de engenharia, como poliacetal, poliéster e polipropilenos de altíssimo impacto; entre outros materiais. “A capacidade produtiva alcança 250 t/mês de TPEs, sejam vulcanizados ou olefínicos”, afirma Tadiotto.

Plástico Moderno, Elastômeros termoplásticos - Segmentos de calçados e de autopeças reduzem ritmo e estimulam setor a buscar novas frentes de atuação
Produto mistura materiais de alto impacto

Da DuPont, a Petropol importa e revende poliéster elastomérico. Da Basf, distribui linha de TPU para todo o Brasil, excluindo a Região Sul. “Com produção local e várias séries, pigmentadas, aditivadas e reforçadas, atendem a diversas aplicações das indústrias de sopro, injeção ou extrusão.”

Nos demais produtos, as vendas da empresa abrangem todo o país. As unidades fabris estão instaladas em São Paulo e no Paraná. “Temos representantes no Rio Grande do Sul e Santa Catarina.” As exportações, ainda modestas, seguem para a Venezuela e Colômbia. O principal mercado de atuação é a indústria automobilística. “Mas setores como o de agronegócio, calçados, industrial-mecânico, médico-hospitalar e ortodontia representam boa parcela das vendas.”

Nesses nichos também se concretizaram boas oportunidades para a substituição de termofixas. Tadiotto cita as partes de vedação de portas e vidros da indústria automotiva e as coifas de proteção ao pó nos equipamentos agrários que passaram a ser fabricadas com borrachas termoplásticas.

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