Borracha

Elastômeros – Demanda em alta estimula novos projetos de investimento no setor

Domingos Zaparolli
22 de novembro de 2011
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    A Dow não mantém produção de elastômeros no Brasil. O país é atendido pelas unidades norte-americanas, do Texas e de Louisiana, e da Espanha. Em junho último, a Dow Chemical inaugurou uma nova fábrica de elastômeros especiais na Província de Rayong, Tailândia, em joint venture com o maior grupo industrial local, o SCG. A instalação expandirá a capacidade global de produção de elastômeros poliolefínicos da companhia para mais de 800 toneladas métricas. Segundo Veronica Perez, a nova unidade permite à empresa oferecer uma segurança produtiva aos seus clientes. No Brasil, informa a executiva, a Dow conta com uma estrutura comercial própria, além de um centro de distribuição em Itajaí, Santa Catarina.

    Plástico Moderno, Júlio Schimtt, Diretor da FCC, Elastômeros - Demanda em alta estimula novos projetos de investimento no setor

    Schimtt avalia em 20% ao ano a taxa de crescimento do TPE

    Dois materiais – Uma empresa que tem apostado em compostos é a gaúcha FCC, que se especializou na produção de elastômeros termoplásticos (TPE). Segundo o diretor Júlio Schimtt, a união das qualidades dos dois materiais permite substituir tanto as borrachas e os plásticos convencionais em várias aplicações como desenvolver novos usos para os materiais. Estas substituições estão se intensificando nos últimos anos no Brasil. O resultado, diz o executivo, é que o consumo de TPE cresce 20% ao ano desde 2005. No ano passado, as vendas da FCC cresceram 40%, o que exigiu que a companhia investisse R$ 10 milhões em uma nova fábrica, inaugurada em janeiro último, na cidade de Campo Bom, no Rio Grande do Sul. Com o investimento, a capacidade de produção de TPE saltou de 25 mil toneladas por ano para 30 mil toneladas, sendo que a taxa de ocupação é de 60%. “Estamos prontos para o crescimento da demanda nos próximos cinco anos”, diz Schimtt.

    A nova fábrica permitiu à FCC dar início à produção de uma linha de elastômero termoplástico dinamicamente vulcanizado (TPV), que leva em sua formulação polipropileno (PP) e a borracha EPDM. O produto é destinado principalmente para o segmento de autopeças para vedação, concorrendo diretamente com o EPDM puro. “As vantagens do TPV é que ele é um material reciclável, mais leve e gera ganho de produtividade na produção da peça, além de economia de energia”, afirma o executivo. Outra inovação possibilitada foi o lançamento da linha Fortiprene TPE Verde, com até 50% de materiais renováveis, de origem vegetal.

    O setor automotivo, relata Schimtt, já responde hoje por 50% do consumo de TPE, mas, pelos cálculos da FCC, a demanda deste segmento de mercado ainda tem muito potencial de crescimento. Nos Estados Unidos, em um carro que pesa 1.600 kg, 250 kg são de plásticos e borrachas. Deste volume, 22 kg são peças que podem ser produzidas tanto com borracha quanto com TPE. No Brasil, um carro com o mesmo peso usa apenas 1 kg de termoplásticos. “Há muito que avançar ainda, principalmente na produção de painéis, botões e alavancas”, diz. Outros mercados em que o uso do material também cresce, segundo o executivo, são os de embalagens, higiene e calçados. Entre as novas aplicações que estão se popularizando no Brasil podemos citar as utilidades domésticas, como os potes de alimentos levados ao micro-ondas.

    Inovação para fazer frente aos importados – A realidade de mercado de borrachas nitrílicas está longe de apresentar o mesmo quadro de entusiasmo visto em outros segmentos. O copolímero de butadieno e acrilonitrila possui maior resistência química a combustíveis, óleos, solventes e graxas, sendo um material aplicado principalmente em autopeças técnicas, próximas aos motores. A Nitriflex, empresa que também surgiu como estatal, sendo uma unidade de negócios da Petroflex, e que hoje pertence ao grupo Brampac, está sozinha como produtora no mercado brasileiro, que apresenta bom desempenho.

    Plástico Moderno, Ronaldo Valle Monteiro, Gerente técnico e comercial da Nitriflex, Elastômeros - Demanda em alta estimula novos projetos de investimento no setor

    Monteiro: planos para elevar a competitividade das nitrílicas

    Mas, como relata o gerente técnico e comercial Ronaldo Valle Monteiro, o excesso de capacidade de produção global, por causa dos efeitos da crise econômica de grandes centros consumidores, gerou um significativo aumento da concorrência de borrachas nitrílicas importadas, como também aumentou a entrada no país de peças finais prontas. Além disso, as exportações, que representaram mais de 50% do destino da produção da companhia em 2008, hoje respondem por algo próximo de 15%.

    Para ganhar competitividade, informa Monteiro, a Nitriflex está realizando um plano de investimento em duas frentes distintas em sua fábrica no Rio de Janeiro. Por um lado, realiza um aporte de R$ 40 milhões em uma série de sistemas que irão melhorar o processo produtivo da companhia, como equipamentos de geração de vapor, estação de tratamento de rejeitos, estação de tratamento de água industrial da polimerização e em um sistema de segurança flare. “Com esses investimentos será possível uma redução de custos do produto final, uma vez que antes tínhamos um custo maior, por contratar de terceiros”, diz o executivo. A outra iniciativa em curso é a implantação de um sistema de automação industrial, ao custo de R$ 10 milhões, que deve estar finalizado em meados de 2012, que dará mais controle e, portanto, constância e precisão ao processo produtivo. “Vamos entregar maior qualidade aos nossos clientes”, afirma Monteiro. As mudanças na empresa devem culminar em 2012 com a entrada no mercado de uma nova linha de produtos, por enquanto, tratada como segredo de estado pela companhia.



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