Borracha

Elastômeros – Demanda em alta estimula novos projetos de investimento no setor

Domingos Zaparolli
22 de novembro de 2011
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    Em outubro, a companhia anunciou a adoção de uma nova tecnologia produtiva que poderá alavancar ainda mais suas vendas de EPDM. A empresa alemã informou que até o final do ano passará a adotar uma base de etileno biológico para produzir EPDM. Como diz Lacerda, será a “primeira borracha feita à base de cana-de-açúcar do mundo”. O EPDM é convencionalmente produzido com matérias-primas como etileno, 70% da formulação, e propileno à base de petróleo. Numa primeira etapa, a Lanxess utilizará etileno produzido por meio da desidratação do etanol, que será fornecido pela Braskem. A meta é que o novo produto, o Kealtan Eco, num prazo de cinco anos, responda por um quarto da produção de Triunfo, ou seja, 10 mil toneladas anuais. Em paralelo, informa Oliveira, a companhia aguarda o desenvolvimento de uma formulação de propileno pela rota do etanol, o que deverá ocorrer, espera-se, em um prazo de três anos, para obter um EPDM de base 100% biológica.

    O Kealtan Eco chegará ao mercado com um preço mais alto do que os produtos tradicionais. Quanto, porém, a Lanxess não informa. Segundo Oliveira, este fato não tem inibido o interesse dos clientes. “O Kealtan Eco é mais caro, mas agrega valor aos produtos dos clientes. Hoje, atender ao anseio por sustentabilidade da sociedade é importante dentro das estratégias das corporações”, diz. Oliveira relata que vários clientes já procuraram a Lanxess para obter informações sobre o novo produto e programar testes, entre eles as montadoras Toyota, Volvo e Peugeot Citroën, que têm como meta substituir 30% de suas peças à base de polímeros para soluções biológicas até 2013. “O interesse é tanto que estamos sendo demandados sem ainda ter realizado um esforço de vendas”, diz o executivo. A expectativa na Lanxess é que o Kealtan Eco também tenha uma boa aceitação de clientes no exterior. Segundo Oliveira, fabricantes de bicicletas da Europa e da Coreia do Sul, assim como um fabricante de painéis solares dos Estados Unidos, que não era cliente da companhia, sabendo do produto, já solicitaram informações.

    Concorrência – O EPDM é um produto com tecnologia e mercado consumidor consolidados e que não vinha recebendo significativos investimentos por parte dos produtores nos últimos anos. Situação que foi quebrada não só pelo Kealtan Eco, da Lanxess, em 2011. A Dow Chemical também apresentou ao mercado uma inovação, o Nordeltm IP 4785. Segundo comunicado da imprensa da Dow, “trata-se de um produto de alta viscosidade, um polímero com alto teor de etileno e elevado peso molecular. Esse novo polímero possui excelentes propriedades físicas e alta capacidade de absorção de carga e plastificantes, resultando em um ótimo desempenho com maior economia.

    Plástico Moderno, Veronica Perez, Armando Toledo, Elastômeros - Demanda em alta estimula novos projetos de investimento no setor

    Veronica passa a diretoria comercial de elastômero na América Latina para Armando Toledo

    A forma física do Nordeltm IP 4785 permite também um processamento mais rápido, minimizando o tempo de mistura e facilitando a extrusão, sem a necessidade de mudança no ferramental”. A companhia recomenda o produto para aplicações em perfis densos, como moldagem de peças rígidas utilizadas no segmento automotivo, e também pode ser empregado na produção de mangueiras, itens da construção civil, membranas e fios e cabos, uma vez que comporta altos níveis de óleo e carga. O produto é importado dos Estados Unidos.

    Veronica Perez, que está, neste final de ano, transmitindo a diretoria comercial de elastômeros América Latina para Armando Toledo, e assumindo o posto na matriz americana de estrategista global de marketing em elastômeros automotriz, relata que o consumo das borrachas sintéticas no país tem crescido duas vezes o PIB nos últimos anos impulsionado, em boa parte, pela conquista de espaços mercadológicos antes ocupados por outros materiais em segmentos industriais.

    Entre os novos mercados está o de higiene, em que compósitos de elastômeros com plásticos estão sendo cada vez mais usados na produção de fraldas, absorventes íntimos e cabos de escovas de dente, proporcionando maior conforto aos usuários ao substituir plásticos de maior rigidez. Ao mercado de embalagens, oferece maior resistência a variações de temperaturas e durabilidade do que formulações tradicionais exclusivas à base de polietileno e polipropileno. Na indústria de calçados, confere leveza e novos apelos visuais. Na composição de adesivos, gera maior velocidade nos processos produtivos e nos empacotamentos e em peças e partes de motores e também no acabamento automobilístico. “Cada dia aparece uma aplicação diferente para o elastômero”, diz a executiva.

    Segundo Armando Toledo, o desafio da Dow é entender as necessidades de cada segmento de mercado e desenvolver soluções efetivas para cada um. Neste sentido, a companhia apresentou recentemente uma série de lançamentos. Entre eles está o Engate XLT, um elastômero poliolefínico para aplicações em compostos olefínicos termoplásticos (TPO), utilizados em peças automotivas internas e externas. Em compostos de polipropileno, o novo material, informa a empresa, proporciona uma maior eficiência na modificação de impacto, com diminuição na carga de elastômeros nos TPOs, o que resulta em maior rigidez e fluidez e permite a composição de peças com paredes mais finas, o que reduz seu peso final em até 10%, contribuindo assim para uma redução do consumo de combustível pelos automóveis.

    Outra novidade da companhia é a linha Affinity GA, direcionada às aplicações de embalagem. Segundo a Dow, a baixa densidade e a viscosidade do produto proporcionam propriedades adesivas do hot melt a diferentes substratos e boa estabilidade térmica, prolongando o tempo de vida útil e reduzindo a formação de géis. A empresa também lançou recentemente os copolímeros olefínicos em bloco (OBCs), Infuse, voltados para os mercados de higiene, calçados, embalagens e eletrodomésticos, que têm como propriedades o baixo peso, processabilidade, desempenho em baixas temperaturas, resistência a intempéries e fácil manuseio.



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