Borracha

Elastômeros – Demanda em alta estimula novos projetos de investimento no setor

Domingos Zaparolli
22 de novembro de 2011
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    Investimentos e ecoeficiência – Marcelo Lacerda relata que os aportes da Lanxess no Brasil cumprem dois objetivos. Ampliar a capacidade produtiva, para adequá-la ao crescimento da demanda, e introduzir inovações tecnológicas que melhorem o desempenho dos produtos e ainda acrescente atributos de sustentabilidade ambiental. Na área de pneumáticos, uma tendência é o chamado “pneu verde”, produto que, apesar de utilizar insumos de origem fóssil em sua produção, oferece maior vida útil e proporciona redução do consumo de combustível aos veículos. Esses pneus são formulados com borrachas de alta performance SSBR (elastômero estireno-butadieno em solução) e com a borracha de polibutadieno com catalisador de neodímio (Nd-PBR) em suas bandas de rodagem e nas paredes laterais. Os materiais ajudam a reduzir a resistência ao rolamento, que é a fonte de até 30% do consumo de combustível de um carro, e também reduzem a abrasão. O mercado de pneus “verdes” cresce 10% ao ano e a tendência é que, nos próximos anos, ganhe ainda mais mercado, uma vez que vários países já estão no caminho de adotar selos verdes para classificar o impacto ambiental dos pneus e assim orientar a compra dos consumidores. Na Europa, já há o Tire Labeling, enquanto a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) prepara o programa brasileiro de etiquetas indicativas.

    O programa de investimentos no país da Lanxess para atender às novas demandas é extenso. No ano passado, a companhia deu início à duplicação da capacidade de produção de Nd-PBR em sua unidade de Cabo de Santo Agostinho, em Pernambuco. A partir do final deste ano, a unidade estará apta a produzir 40 mil toneladas anuais. Em janeiro deste ano, a Lanxess comprou a Darmex, empresa química argentina especializada em agentes desmoldantes e na produção de bladders (bexigas usadas para pressionar a borracha contra o molde e dar a forma final aos pneus.), itens que são cruciais para a fabricação de pneus. A Darmex, que tem fábricas na Argentina e no Uruguai, mas que tem nas empresas instaladas no Brasil o destino de 75% de sua produção, já recebe investimentos para ampliar em 40% sua capacidade produtiva. Além disso, a Lanxess está investindo R$ 25 milhões para instalar em Porto Feliz, no interior paulista, uma nova planta para a unidade Rhein Chemie, que produzirá bladders para a indústria pneumática. A fábrica está prevista para entrar em operação no quarto trimestre de 2012.

    Em uma visita recente ao Brasil, o presidente mundial da Lanxess, Axel Heitmann, anunciou estudos de viabilidade econômica para implementar uma mudança produtiva na fábrica de elastômeros de Triunfo, no Rio Grande do Sul, a fim de mudar a produção da borracha de emulsão de estireno-butadieno (ESBR), utilizada em pneus padrão, para a borracha de alta performance SSBR, que também pode ser utilizada em pneus verdes. A capacidade atual para ESBR em Triunfo é de 110 mil toneladas por ano. Lacerda não informa o montante necessário para a mudança tecnológica, restringe-se a dizer que “iria requerer um investimento de dois dígitos em milhões de euros”, mas adianta que a decisão final sobre o investimento será tomada em meados de 2012.

    Ainda no segmento de pneumáticos, a Lanxess está investindo US$ 10 milhões na empresa americana de biocombustível e bioquímicos Gevo, de Denver, Colorado, como parte de uma cooperação tecnológica para desenvolver uma produção de isobuteno obtido de fontes renováveis. O isobuteno é uma matéria-prima necessária para a fabricação de borracha butílica, utilizada pelos fabricantes de pneus para fazer revestimentos impermeáveis ao gás, nos pneus sem câmara para carros, caminhões, ônibus e bicicletas. O isobuteno é convencionalmente produzido em fracionadores a vapor, que utilizam derivados de petróleo como insumo. A Gevo está desenvolvendo um processo de fermentação para produzir o composto orgânico isobutanol com açúcares fermentáveis em biomassa, começando com o milho.

    EPDM 100% verde – No segmento de borrachas para autopeças, a grande investida da Lanxess se deu no mercado de monômero etileno-propileno-dieno (EPDM), produto de densidade muito baixa, boa resistência ao calor, à oxidação, a produtos químicos e a intempéries, assim como boas propriedades de isolamento elétrico, utilizado na indústria automobilística na produção de mangueiras e peças de vedação de portas, freios e radiadores e, em outros segmentos industriais, na modificação de plásticos, na produção de cabos e fios e óleos aditivos. No início deste ano, a Lanxess adquiriu por 310 milhões de euros os negócios de EPDM, comercializada sob a marca Keltan, da holandesa DSM Elastômeros.

    Com isso, passou a controlar uma fábrica na Holanda com capacidade de 160 mil toneladas, e outra localizada em Triunfo, no Rio Grande do Sul, com capacidade de 40 mil toneladas por ano – a única na América do Sul. Como informa Marcos Oliveira, diretor de marketing e vendas para América Latina da unidade Technical Rubber Products, o mercado brasileiro de EPDM consome 27 mil toneladas anuais e cresce 7% a 8% ao ano. A Lanxess, que tem uma participação majoritária no mercado brasileiro, no qual concorre com produtos importados da Dow, Exxon e Mitsui, exporta uma parcela significativa da produção de Triunfo para os Estados Unidos, Europa e Ásia.



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