Borracha

Elastômeros – Demanda em alta estimula novos projetos de investimento no setor

Domingos Zaparolli
22 de novembro de 2011
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    O mercado de elastômeros, a denominação técnica das borrachas sintéticas, está em acelerada expansão no Brasil. Segundo a Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), as indústrias do setor faturaram US$ 1,5 bilhão em 2010, após um crescimento de 25% em relação à receita de US$ 1,2 bilhão do ano anterior. A alta dos negócios no país acompanha a tendência mundial. Em 2010 o consumo global de borracha cresceu 15,5%, totalizando 24 milhões de toneladas, sendo que, deste total, 13 milhões de toneladas foram borrachas sintéticas. O grande salto de 2010 reflete uma base de comparação fraca. 2009, como todos se recordam, foi um ano de resultados ruins em praticamente todos os segmentos industriais em razão da crise financeira global. Mas as expectativas para 2011 são de uma ampliação de 8% nas vendas mundiais de borrachas, o que demonstra que o movimento é, de fato, expansionista.

    No Brasil, a Associação Nacional da Indústria Pneumática, um dos principais clientes do mercado de borrachas, estima que a produção de pneus em 2011 deva crescer 5% em relação às unidades industrializadas no ano anterior (67,3 milhões) e superar a casa dos 70 milhões. Já a Associação Brasileira da Indústria de Artefatos de Borracha (Abiarb/Sindibor) estima que as vendas da indústria de produtos acabados de borracha deverão crescer entre 7% e 8% no ano em relação aos US$ 2,5 bilhões faturados em 2010. Os elastômeros são o insumo de 70% das peças, ficando as borrachas naturais com o atendimento dos outros 30%.

    Segundo o presidente da associação, Edgar Solano Marreiros, o desempenho poderia ser ainda melhor se não fosse o forte aumento das importações de produtos acabados chineses e coreanos, principalmente no segundo semestre do ano. O que tira a competitividade da indústria brasileira, além dos impostos, juros e as dificuldades da estrutura logística, itens inerentes a quem faz negócios no país, é o custo do maquinário. “O Brasil não produz equipamentos e moldes para borrachas, compramos da China, dos Estados Unidos e da Europa. Mas os preços destas máquinas, quando chegam ao país, são acrescidos em 25% por causa dos impostos. Isso reduz drasticamente nossa competitividade”, diz Marreiros.

    Plástico Moderno, Marcelo Lacerda, Presidente da Lanxess, Elastômeros - Demanda em alta estimula novos projetos de investimento no setor

    Lacerda aponta resursos em inovação e maior capacidade

    De toda forma, a Abiarb/Sindibor já prevê a extensão do bom momento de vendas vivido pelo setor para 2012, quando a produção brasileira deverá crescer entre 6% e 7%. As encomendas da indústria automobilística, responsável por 67% do consumo de artefatos de borracha (sem contar os pneus), é o principal “puxador” do desempenho. Mas não só ele. Como relata Marreiros, o país vive um momento raro, em que todos os segmentos de negócios que utilizam borrachas estão com demanda em alta, como a construção civil e as indústrias de petróleo, mineração, siderurgia, eletroeletrônicos, calçados e de produtos de higiene e saúde. “O crescimento é generalizado”, diz. As perspectivas de bons negócios estão fortalecendo a decisão de investimentos da indústria de elastômeros no país.

    Uma das empresas do setor que mais têm reforçado suas apostas no Brasil é a alemã Lanxess. Depois de investir 370 milhões de euros em 2008 na aquisição da Petroflex, a companhia colocou o país entre seus mercados prioritários. Marcelo Lacerda, presidente da subsidiária brasileira, relata que há apenas sete anos, quando a Lanxess foi formada após um desmembramento da Bayer, o Brasil era responsável por menos de um por cento das vendas globais do grupo. Em 2010, com vendas locais de 701 milhões de euros, após um crescimento de 94% em relação ao ano anterior, o país passou a responder por mais de 10% das vendas globais. No primeiro semestre de 2011, a unidade brasileira vendeu 409 milhões de euros, 28% a mais que no mesmo período de 2010. “O Brasil se tornou um país importante pela companhia, não só pelos resultados já alcançados, mas também pelas perspectivas para o futuro”, afirma o executivo.

    A divisão Performance Polymers da Lanxess, que no primeiro semestre de 2011 obteve um crescimento superior a 35% na comparação ao mesmo período do ano anterior, é formada por quatro unidades de negócios, sendo uma de plásticos (SCP) e três de borrachas: PBR (Performance Butadiene Rubbers) e BTR (Butyl Rubber), que têm a indústria de pneus como o maior cliente, e TRP (Technical Rubber Products), que atende principalmente clientes de autopeças. A companhia, é bom lembrar, é ativa em todos os segmentos consumidores de borrachas. Mas são as projeções de investimentos das indústrias automotivas e de pneus que mais impulsionam o potencial brasileiro para a empresa. Como lembra Lacerda, a ANIP prevê que os fabricantes de pneus deverão realizar US$ 2 bilhões de investimentos nos próximos três anos no Brasil. Enquanto a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) estima que montadoras e empresas de autopeças vão investir cerca de US$ 40,89 bilhões no país até 2015, após já ter investido outros US$ 47 bilhões entre 1994 e 2009. “Todo grande player mundial está olhando para o Brasil e nós estamos nos preparando para atendê-los”, diz o executivo.


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