Elastômeros – Demanda em alta estimula novos projetos de investimento no setor

O mercado de elastômeros, a denominação técnica das borrachas sintéticas, está em acelerada expansão no Brasil. Segundo a Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), as indústrias do setor faturaram US$ 1,5 bilhão em 2010, após um crescimento de 25% em relação à receita de US$ 1,2 bilhão do ano anterior. A alta dos negócios no país acompanha a tendência mundial. Em 2010 o consumo global de borracha cresceu 15,5%, totalizando 24 milhões de toneladas, sendo que, deste total, 13 milhões de toneladas foram borrachas sintéticas. O grande salto de 2010 reflete uma base de comparação fraca. 2009, como todos se recordam, foi um ano de resultados ruins em praticamente todos os segmentos industriais em razão da crise financeira global. Mas as expectativas para 2011 são de uma ampliação de 8% nas vendas mundiais de borrachas, o que demonstra que o movimento é, de fato, expansionista.

No Brasil, a Associação Nacional da Indústria Pneumática, um dos principais clientes do mercado de borrachas, estima que a produção de pneus em 2011 deva crescer 5% em relação às unidades industrializadas no ano anterior (67,3 milhões) e superar a casa dos 70 milhões. Já a Associação Brasileira da Indústria de Artefatos de Borracha (Abiarb/Sindibor) estima que as vendas da indústria de produtos acabados de borracha deverão crescer entre 7% e 8% no ano em relação aos US$ 2,5 bilhões faturados em 2010. Os elastômeros são o insumo de 70% das peças, ficando as borrachas naturais com o atendimento dos outros 30%.

Segundo o presidente da associação, Edgar Solano Marreiros, o desempenho poderia ser ainda melhor se não fosse o forte aumento das importações de produtos acabados chineses e coreanos, principalmente no segundo semestre do ano. O que tira a competitividade da indústria brasileira, além dos impostos, juros e as dificuldades da estrutura logística, itens inerentes a quem faz negócios no país, é o custo do maquinário. “O Brasil não produz equipamentos e moldes para borrachas, compramos da China, dos Estados Unidos e da Europa. Mas os preços destas máquinas, quando chegam ao país, são acrescidos em 25% por causa dos impostos. Isso reduz drasticamente nossa competitividade”, diz Marreiros.

Plástico Moderno, Marcelo Lacerda, Presidente da Lanxess, Elastômeros - Demanda em alta estimula novos projetos de investimento no setor
Lacerda aponta resursos em inovação e maior capacidade

De toda forma, a Abiarb/Sindibor já prevê a extensão do bom momento de vendas vivido pelo setor para 2012, quando a produção brasileira deverá crescer entre 6% e 7%. As encomendas da indústria automobilística, responsável por 67% do consumo de artefatos de borracha (sem contar os pneus), é o principal “puxador” do desempenho. Mas não só ele. Como relata Marreiros, o país vive um momento raro, em que todos os segmentos de negócios que utilizam borrachas estão com demanda em alta, como a construção civil e as indústrias de petróleo, mineração, siderurgia, eletroeletrônicos, calçados e de produtos de higiene e saúde. “O crescimento é generalizado”, diz. As perspectivas de bons negócios estão fortalecendo a decisão de investimentos da indústria de elastômeros no país.

Uma das empresas do setor que mais têm reforçado suas apostas no Brasil é a alemã Lanxess. Depois de investir 370 milhões de euros em 2008 na aquisição da Petroflex, a companhia colocou o país entre seus mercados prioritários. Marcelo Lacerda, presidente da subsidiária brasileira, relata que há apenas sete anos, quando a Lanxess foi formada após um desmembramento da Bayer, o Brasil era responsável por menos de um por cento das vendas globais do grupo. Em 2010, com vendas locais de 701 milhões de euros, após um crescimento de 94% em relação ao ano anterior, o país passou a responder por mais de 10% das vendas globais. No primeiro semestre de 2011, a unidade brasileira vendeu 409 milhões de euros, 28% a mais que no mesmo período de 2010. “O Brasil se tornou um país importante pela companhia, não só pelos resultados já alcançados, mas também pelas perspectivas para o futuro”, afirma o executivo.

A divisão Performance Polymers da Lanxess, que no primeiro semestre de 2011 obteve um crescimento superior a 35% na comparação ao mesmo período do ano anterior, é formada por quatro unidades de negócios, sendo uma de plásticos (SCP) e três de borrachas: PBR (Performance Butadiene Rubbers) e BTR (Butyl Rubber), que têm a indústria de pneus como o maior cliente, e TRP (Technical Rubber Products), que atende principalmente clientes de autopeças. A companhia, é bom lembrar, é ativa em todos os segmentos consumidores de borrachas. Mas são as projeções de investimentos das indústrias automotivas e de pneus que mais impulsionam o potencial brasileiro para a empresa. Como lembra Lacerda, a ANIP prevê que os fabricantes de pneus deverão realizar US$ 2 bilhões de investimentos nos próximos três anos no Brasil. Enquanto a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) estima que montadoras e empresas de autopeças vão investir cerca de US$ 40,89 bilhões no país até 2015, após já ter investido outros US$ 47 bilhões entre 1994 e 2009. “Todo grande player mundial está olhando para o Brasil e nós estamos nos preparando para atendê-los”, diz o executivo.

Investimentos e ecoeficiência – Marcelo Lacerda relata que os aportes da Lanxess no Brasil cumprem dois objetivos. Ampliar a capacidade produtiva, para adequá-la ao crescimento da demanda, e introduzir inovações tecnológicas que melhorem o desempenho dos produtos e ainda acrescente atributos de sustentabilidade ambiental. Na área de pneumáticos, uma tendência é o chamado “pneu verde”, produto que, apesar de utilizar insumos de origem fóssil em sua produção, oferece maior vida útil e proporciona redução do consumo de combustível aos veículos. Esses pneus são formulados com borrachas de alta performance SSBR (elastômero estireno-butadieno em solução) e com a borracha de polibutadieno com catalisador de neodímio (Nd-PBR) em suas bandas de rodagem e nas paredes laterais. Os materiais ajudam a reduzir a resistência ao rolamento, que é a fonte de até 30% do consumo de combustível de um carro, e também reduzem a abrasão. O mercado de pneus “verdes” cresce 10% ao ano e a tendência é que, nos próximos anos, ganhe ainda mais mercado, uma vez que vários países já estão no caminho de adotar selos verdes para classificar o impacto ambiental dos pneus e assim orientar a compra dos consumidores. Na Europa, já há o Tire Labeling, enquanto a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) prepara o programa brasileiro de etiquetas indicativas.

O programa de investimentos no país da Lanxess para atender às novas demandas é extenso. No ano passado, a companhia deu início à duplicação da capacidade de produção de Nd-PBR em sua unidade de Cabo de Santo Agostinho, em Pernambuco. A partir do final deste ano, a unidade estará apta a produzir 40 mil toneladas anuais. Em janeiro deste ano, a Lanxess comprou a Darmex, empresa química argentina especializada em agentes desmoldantes e na produção de bladders (bexigas usadas para pressionar a borracha contra o molde e dar a forma final aos pneus.), itens que são cruciais para a fabricação de pneus. A Darmex, que tem fábricas na Argentina e no Uruguai, mas que tem nas empresas instaladas no Brasil o destino de 75% de sua produção, já recebe investimentos para ampliar em 40% sua capacidade produtiva. Além disso, a Lanxess está investindo R$ 25 milhões para instalar em Porto Feliz, no interior paulista, uma nova planta para a unidade Rhein Chemie, que produzirá bladders para a indústria pneumática. A fábrica está prevista para entrar em operação no quarto trimestre de 2012.

Em uma visita recente ao Brasil, o presidente mundial da Lanxess, Axel Heitmann, anunciou estudos de viabilidade econômica para implementar uma mudança produtiva na fábrica de elastômeros de Triunfo, no Rio Grande do Sul, a fim de mudar a produção da borracha de emulsão de estireno-butadieno (ESBR), utilizada em pneus padrão, para a borracha de alta performance SSBR, que também pode ser utilizada em pneus verdes. A capacidade atual para ESBR em Triunfo é de 110 mil toneladas por ano. Lacerda não informa o montante necessário para a mudança tecnológica, restringe-se a dizer que “iria requerer um investimento de dois dígitos em milhões de euros”, mas adianta que a decisão final sobre o investimento será tomada em meados de 2012.

Ainda no segmento de pneumáticos, a Lanxess está investindo US$ 10 milhões na empresa americana de biocombustível e bioquímicos Gevo, de Denver, Colorado, como parte de uma cooperação tecnológica para desenvolver uma produção de isobuteno obtido de fontes renováveis. O isobuteno é uma matéria-prima necessária para a fabricação de borracha butílica, utilizada pelos fabricantes de pneus para fazer revestimentos impermeáveis ao gás, nos pneus sem câmara para carros, caminhões, ônibus e bicicletas. O isobuteno é convencionalmente produzido em fracionadores a vapor, que utilizam derivados de petróleo como insumo. A Gevo está desenvolvendo um processo de fermentação para produzir o composto orgânico isobutanol com açúcares fermentáveis em biomassa, começando com o milho.

EPDM 100% verde – No segmento de borrachas para autopeças, a grande investida da Lanxess se deu no mercado de monômero etileno-propileno-dieno (EPDM), produto de densidade muito baixa, boa resistência ao calor, à oxidação, a produtos químicos e a intempéries, assim como boas propriedades de isolamento elétrico, utilizado na indústria automobilística na produção de mangueiras e peças de vedação de portas, freios e radiadores e, em outros segmentos industriais, na modificação de plásticos, na produção de cabos e fios e óleos aditivos. No início deste ano, a Lanxess adquiriu por 310 milhões de euros os negócios de EPDM, comercializada sob a marca Keltan, da holandesa DSM Elastômeros.

Com isso, passou a controlar uma fábrica na Holanda com capacidade de 160 mil toneladas, e outra localizada em Triunfo, no Rio Grande do Sul, com capacidade de 40 mil toneladas por ano – a única na América do Sul. Como informa Marcos Oliveira, diretor de marketing e vendas para América Latina da unidade Technical Rubber Products, o mercado brasileiro de EPDM consome 27 mil toneladas anuais e cresce 7% a 8% ao ano. A Lanxess, que tem uma participação majoritária no mercado brasileiro, no qual concorre com produtos importados da Dow, Exxon e Mitsui, exporta uma parcela significativa da produção de Triunfo para os Estados Unidos, Europa e Ásia.

Em outubro, a companhia anunciou a adoção de uma nova tecnologia produtiva que poderá alavancar ainda mais suas vendas de EPDM. A empresa alemã informou que até o final do ano passará a adotar uma base de etileno biológico para produzir EPDM. Como diz Lacerda, será a “primeira borracha feita à base de cana-de-açúcar do mundo”. O EPDM é convencionalmente produzido com matérias-primas como etileno, 70% da formulação, e propileno à base de petróleo. Numa primeira etapa, a Lanxess utilizará etileno produzido por meio da desidratação do etanol, que será fornecido pela Braskem. A meta é que o novo produto, o Kealtan Eco, num prazo de cinco anos, responda por um quarto da produção de Triunfo, ou seja, 10 mil toneladas anuais. Em paralelo, informa Oliveira, a companhia aguarda o desenvolvimento de uma formulação de propileno pela rota do etanol, o que deverá ocorrer, espera-se, em um prazo de três anos, para obter um EPDM de base 100% biológica.

O Kealtan Eco chegará ao mercado com um preço mais alto do que os produtos tradicionais. Quanto, porém, a Lanxess não informa. Segundo Oliveira, este fato não tem inibido o interesse dos clientes. “O Kealtan Eco é mais caro, mas agrega valor aos produtos dos clientes. Hoje, atender ao anseio por sustentabilidade da sociedade é importante dentro das estratégias das corporações”, diz. Oliveira relata que vários clientes já procuraram a Lanxess para obter informações sobre o novo produto e programar testes, entre eles as montadoras Toyota, Volvo e Peugeot Citroën, que têm como meta substituir 30% de suas peças à base de polímeros para soluções biológicas até 2013. “O interesse é tanto que estamos sendo demandados sem ainda ter realizado um esforço de vendas”, diz o executivo. A expectativa na Lanxess é que o Kealtan Eco também tenha uma boa aceitação de clientes no exterior. Segundo Oliveira, fabricantes de bicicletas da Europa e da Coreia do Sul, assim como um fabricante de painéis solares dos Estados Unidos, que não era cliente da companhia, sabendo do produto, já solicitaram informações.

Concorrência – O EPDM é um produto com tecnologia e mercado consumidor consolidados e que não vinha recebendo significativos investimentos por parte dos produtores nos últimos anos. Situação que foi quebrada não só pelo Kealtan Eco, da Lanxess, em 2011. A Dow Chemical também apresentou ao mercado uma inovação, o Nordeltm IP 4785. Segundo comunicado da imprensa da Dow, “trata-se de um produto de alta viscosidade, um polímero com alto teor de etileno e elevado peso molecular. Esse novo polímero possui excelentes propriedades físicas e alta capacidade de absorção de carga e plastificantes, resultando em um ótimo desempenho com maior economia.

Plástico Moderno, Veronica Perez, Armando Toledo, Elastômeros - Demanda em alta estimula novos projetos de investimento no setor
Veronica passa a diretoria comercial de elastômero na América Latina para Armando Toledo

A forma física do Nordeltm IP 4785 permite também um processamento mais rápido, minimizando o tempo de mistura e facilitando a extrusão, sem a necessidade de mudança no ferramental”. A companhia recomenda o produto para aplicações em perfis densos, como moldagem de peças rígidas utilizadas no segmento automotivo, e também pode ser empregado na produção de mangueiras, itens da construção civil, membranas e fios e cabos, uma vez que comporta altos níveis de óleo e carga. O produto é importado dos Estados Unidos.

Veronica Perez, que está, neste final de ano, transmitindo a diretoria comercial de elastômeros América Latina para Armando Toledo, e assumindo o posto na matriz americana de estrategista global de marketing em elastômeros automotriz, relata que o consumo das borrachas sintéticas no país tem crescido duas vezes o PIB nos últimos anos impulsionado, em boa parte, pela conquista de espaços mercadológicos antes ocupados por outros materiais em segmentos industriais.

Entre os novos mercados está o de higiene, em que compósitos de elastômeros com plásticos estão sendo cada vez mais usados na produção de fraldas, absorventes íntimos e cabos de escovas de dente, proporcionando maior conforto aos usuários ao substituir plásticos de maior rigidez. Ao mercado de embalagens, oferece maior resistência a variações de temperaturas e durabilidade do que formulações tradicionais exclusivas à base de polietileno e polipropileno. Na indústria de calçados, confere leveza e novos apelos visuais. Na composição de adesivos, gera maior velocidade nos processos produtivos e nos empacotamentos e em peças e partes de motores e também no acabamento automobilístico. “Cada dia aparece uma aplicação diferente para o elastômero”, diz a executiva.

Segundo Armando Toledo, o desafio da Dow é entender as necessidades de cada segmento de mercado e desenvolver soluções efetivas para cada um. Neste sentido, a companhia apresentou recentemente uma série de lançamentos. Entre eles está o Engate XLT, um elastômero poliolefínico para aplicações em compostos olefínicos termoplásticos (TPO), utilizados em peças automotivas internas e externas. Em compostos de polipropileno, o novo material, informa a empresa, proporciona uma maior eficiência na modificação de impacto, com diminuição na carga de elastômeros nos TPOs, o que resulta em maior rigidez e fluidez e permite a composição de peças com paredes mais finas, o que reduz seu peso final em até 10%, contribuindo assim para uma redução do consumo de combustível pelos automóveis.

Outra novidade da companhia é a linha Affinity GA, direcionada às aplicações de embalagem. Segundo a Dow, a baixa densidade e a viscosidade do produto proporcionam propriedades adesivas do hot melt a diferentes substratos e boa estabilidade térmica, prolongando o tempo de vida útil e reduzindo a formação de géis. A empresa também lançou recentemente os copolímeros olefínicos em bloco (OBCs), Infuse, voltados para os mercados de higiene, calçados, embalagens e eletrodomésticos, que têm como propriedades o baixo peso, processabilidade, desempenho em baixas temperaturas, resistência a intempéries e fácil manuseio.

A Dow não mantém produção de elastômeros no Brasil. O país é atendido pelas unidades norte-americanas, do Texas e de Louisiana, e da Espanha. Em junho último, a Dow Chemical inaugurou uma nova fábrica de elastômeros especiais na Província de Rayong, Tailândia, em joint venture com o maior grupo industrial local, o SCG. A instalação expandirá a capacidade global de produção de elastômeros poliolefínicos da companhia para mais de 800 toneladas métricas. Segundo Veronica Perez, a nova unidade permite à empresa oferecer uma segurança produtiva aos seus clientes. No Brasil, informa a executiva, a Dow conta com uma estrutura comercial própria, além de um centro de distribuição em Itajaí, Santa Catarina.

Plástico Moderno, Júlio Schimtt, Diretor da FCC, Elastômeros - Demanda em alta estimula novos projetos de investimento no setor
Schimtt avalia em 20% ao ano a taxa de crescimento do TPE

Dois materiais – Uma empresa que tem apostado em compostos é a gaúcha FCC, que se especializou na produção de elastômeros termoplásticos (TPE). Segundo o diretor Júlio Schimtt, a união das qualidades dos dois materiais permite substituir tanto as borrachas e os plásticos convencionais em várias aplicações como desenvolver novos usos para os materiais. Estas substituições estão se intensificando nos últimos anos no Brasil. O resultado, diz o executivo, é que o consumo de TPE cresce 20% ao ano desde 2005. No ano passado, as vendas da FCC cresceram 40%, o que exigiu que a companhia investisse R$ 10 milhões em uma nova fábrica, inaugurada em janeiro último, na cidade de Campo Bom, no Rio Grande do Sul. Com o investimento, a capacidade de produção de TPE saltou de 25 mil toneladas por ano para 30 mil toneladas, sendo que a taxa de ocupação é de 60%. “Estamos prontos para o crescimento da demanda nos próximos cinco anos”, diz Schimtt.

A nova fábrica permitiu à FCC dar início à produção de uma linha de elastômero termoplástico dinamicamente vulcanizado (TPV), que leva em sua formulação polipropileno (PP) e a borracha EPDM. O produto é destinado principalmente para o segmento de autopeças para vedação, concorrendo diretamente com o EPDM puro. “As vantagens do TPV é que ele é um material reciclável, mais leve e gera ganho de produtividade na produção da peça, além de economia de energia”, afirma o executivo. Outra inovação possibilitada foi o lançamento da linha Fortiprene TPE Verde, com até 50% de materiais renováveis, de origem vegetal.

O setor automotivo, relata Schimtt, já responde hoje por 50% do consumo de TPE, mas, pelos cálculos da FCC, a demanda deste segmento de mercado ainda tem muito potencial de crescimento. Nos Estados Unidos, em um carro que pesa 1.600 kg, 250 kg são de plásticos e borrachas. Deste volume, 22 kg são peças que podem ser produzidas tanto com borracha quanto com TPE. No Brasil, um carro com o mesmo peso usa apenas 1 kg de termoplásticos. “Há muito que avançar ainda, principalmente na produção de painéis, botões e alavancas”, diz. Outros mercados em que o uso do material também cresce, segundo o executivo, são os de embalagens, higiene e calçados. Entre as novas aplicações que estão se popularizando no Brasil podemos citar as utilidades domésticas, como os potes de alimentos levados ao micro-ondas.

Inovação para fazer frente aos importados – A realidade de mercado de borrachas nitrílicas está longe de apresentar o mesmo quadro de entusiasmo visto em outros segmentos. O copolímero de butadieno e acrilonitrila possui maior resistência química a combustíveis, óleos, solventes e graxas, sendo um material aplicado principalmente em autopeças técnicas, próximas aos motores. A Nitriflex, empresa que também surgiu como estatal, sendo uma unidade de negócios da Petroflex, e que hoje pertence ao grupo Brampac, está sozinha como produtora no mercado brasileiro, que apresenta bom desempenho.

Plástico Moderno, Ronaldo Valle Monteiro, Gerente técnico e comercial da Nitriflex, Elastômeros - Demanda em alta estimula novos projetos de investimento no setor
Monteiro: planos para elevar a competitividade das nitrílicas

Mas, como relata o gerente técnico e comercial Ronaldo Valle Monteiro, o excesso de capacidade de produção global, por causa dos efeitos da crise econômica de grandes centros consumidores, gerou um significativo aumento da concorrência de borrachas nitrílicas importadas, como também aumentou a entrada no país de peças finais prontas. Além disso, as exportações, que representaram mais de 50% do destino da produção da companhia em 2008, hoje respondem por algo próximo de 15%.

Para ganhar competitividade, informa Monteiro, a Nitriflex está realizando um plano de investimento em duas frentes distintas em sua fábrica no Rio de Janeiro. Por um lado, realiza um aporte de R$ 40 milhões em uma série de sistemas que irão melhorar o processo produtivo da companhia, como equipamentos de geração de vapor, estação de tratamento de rejeitos, estação de tratamento de água industrial da polimerização e em um sistema de segurança flare. “Com esses investimentos será possível uma redução de custos do produto final, uma vez que antes tínhamos um custo maior, por contratar de terceiros”, diz o executivo. A outra iniciativa em curso é a implantação de um sistema de automação industrial, ao custo de R$ 10 milhões, que deve estar finalizado em meados de 2012, que dará mais controle e, portanto, constância e precisão ao processo produtivo. “Vamos entregar maior qualidade aos nossos clientes”, afirma Monteiro. As mudanças na empresa devem culminar em 2012 com a entrada no mercado de uma nova linha de produtos, por enquanto, tratada como segredo de estado pela companhia.

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