Economia Circular – Remover a tinta aumenta qualidade da resina

Resinas recicladas sem tinta podem valer mais

Impresso para ser removido – Tinta

Os fabricantes de tintas, sempre empenhados em oferecer produtos mais eficazes, ou seja, entre outras características, oferecer maior adesão aos substratos, buscam soluções que facilitem também sua remoção.

Caso da multinacional de origem alemã Siegwerk, especializada em tintas para embalagens cujas diretrizes e metas de atuação global agora incluem uma vertente denominada deinking, que já gerou uma solução composta pela impressão inicial de um primer – algo não usual na impressão em plásticos – sobre o qual é posteriormente aplicada a tinta.

Há primers específicos, desenvolvidos pela própria Siegwerk, para diferentes plásticos, como PE, PP e laminados.

Plástico Moderno - Economia Circular - Remover a tinta aumenta qualidade da resina reciclada ©QD Foto: iStockPhotos
Jardim: primer especial torna mais fácil remover a tinta

“No momento da reciclagem, basta submeter as peças impressas a um banho alcalino para remover facilmente o conjunto primer e tinta”,

descreve Renato Jardim, diretor comercial da empresa no Brasil.

Essa solução, ressalta Jardim, não altera em nada as características físico-químicas da impressão e possibilita remover a tinta tanto dos resíduos industriais quanto das embalagens PCR.

Na Europa, já está sendo aproveitada em alguns projetos-piloto de embalagens termoencolhíveis shrink sleeves.

“Aqui no Brasil estamos desenvolvendo um projeto para sua utilização em embalagens flexíveis de BOPP e PE, que ainda este ano deve gerar ao menos um projeto-piloto”, adianta o profissional da Siegwerk, que no Brasil mantém fábrica em Diadema-SP.

Outra empresa de capital alemão, o Hubergroup, desenvolve, com um parceiro europeu uma linha própria para deinking de sua marca Gecko, com a qual atua no mercado das tintas para flexografia e rotogravura.

Ela permitirá, diz Luciano Del Matto, supervisor de desenvolvimento Gecko, que um plástico reciclado possa ser utilizado na mesma aplicação anterior. “Já temos essa tecnologia desenvolvida para PE e para PP, e projetamos sua certificação no terceiro trimestre deste ano”, destaca Del Matto.

Segundo ele, o desenvolvimento dessa linha abrange vertentes como a adequação da resistência térmica da tinta e cuidados com a aparência e com o odor. “Há necessidade de compatibilidade da tinta com a solução alcalina de limpeza, e o desafio de reciclar a solução de limpeza, que ficará colorida”, ressalta Del Matto.

“Também é importante que a aplicação considere os plásticos mais adequados para a reciclagem: melhor, por exemplo, uma garrafa de PET com rótulo também de PET em vez de BOPP, pois isso torna todo o conjunto reciclável após o deinking”, ele acrescenta.

O atual portfólio da marca, enfatiza Anderson Abreu, gerente de vendas da Gecko, inclui produtos que facilitam o deinking da impressão off-set com cura UV, utilizada em papel mas também em alguns substratos plásticos, como os filmes BOPP.

Tem também a linha Frontal Eco, cuja certificação Cradle to Cradle garante a possibilidade de sua utilização em produtos plásticos posteriormente inseridos no circuito da compostabilidade industrial (desde que aplicadas com determinados parâmetros, como o uso das quantidades especificadas pelo Hubergroup, e de solventes específicos).

No Brasil, afirma Abreu, a linha Frontal Eco já é utilizada em embalagens de cereais, sacolas e rótulos de papel e de plástico.

Plástico Moderno - Economia Circular - Remover a tinta aumenta qualidade da resina reciclada ©QD Foto: iStockPhotos
Abreu: clientes já começam a exigir compostabilidade

Para ele, a reciclagem é importante, mas deve se expandir bastante a compostabilidade, capaz de reinserir os materiais no ciclo da natureza.

“Muitas grandes marcas deverão migrar suas embalagens para a certificação Cradle to Cradle, que exige a compostabilidade”,

projeta o profissional do Hubergroup.

 

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