Economia Circular – Remover a tinta aumenta qualidade da resina

Resinas recicladas sem tinta podem valer mais

Quanto mais tiverem características similares às das equivalentes virgens, maior valor terão as resinas recicladas, sendo interessante remover as tintas impressas nos plásticos destinados à reciclagem, pois elas interferirão nas características visuais e de desempenho do granulado resultante do processo. Certo?

Conceitualmente, sim. Mas questões relacionadas a custos e disponibilidade de tecnologias, entre outras, ainda tornam quase impossível encontrar entre os recicladores quem realize essa remoção de tintas. Porém, essa situação pode começar a mudar com o surgimento de operações que incluem a etapa em seus processos.

Em teoria, parece simples esse processo de destintagem (ou deinking): basta aplicar um solvente e escovar a área impressa. A coisa se complica quando se trata de aplicações como os filmes multicamadas, cuja impressão é muitas vezes feita em camadas internas.

Além disso, há quem questione a intensificação do uso de solventes em uma atividade associada ao conceito da economia circular, e esse método parece restrito aos resíduos industriais, pois como escovar as incontáveis peças componentes da reciclagem PCR (a resina pós-consumo)?

Alguns desses obstáculos podem ter sido superados pela Deink Brasil, startup com operação recém-iniciada que anuncia remover, sem o uso de solventes, as tintas dos plásticos já moídos, ou seja, abrangendo as peças pós-consumo.

Plástico Moderno - Economia Circular - Remover a tinta aumenta qualidade da resina reciclada ©QD Foto: iStockPhotos
Mason: tecnologia da espanhola Cadel não agride o ambiente

Vale-se, para isso, de tecnologia desenvolvida pela empresa espanhola Cadel, adotada na Espanha, Itália e nos Estados Unidos.

“Ela retira a tinta de filmes e de produtos rígidos, soprados e injetados – potes, frascos, para-choques, entre outros – de aplicações de resinas poliolefínicas e poliestirênicas”,

detalha Marcelo Mason, head de sustentabilidade da Deink Brasil.

Localizada em Itupeva-SP, a primeira planta da Deink Brasil começou a operar este ano, processando filmes shrink de polietileno da Ambev, que apoiou sua criação (ver box adiante).

“Processaremos todos os filmes shrink da cadeia: as sobras dos processos dos fornecedores da Ambev e da própria Ambev, e o material que vai para o ponto de venda”, relata Mason.

Segundo ele, o processo da Deink Brasil remove 100% da tinta pela imersão do plástico moído em uma solução aquosa na qual há produtos químicos que não são solventes e não agridem o meio ambiente (ele não informa, porém, quais são esses produtos).

É realizado em circuito fechado, no qual o plástico é submetido, em sequência, à lavagem, moagem, duas etapas de deinking, secagem e peletização.

Plástico Moderno - Economia Circular - Remover a tinta aumenta qualidade da resina reciclada ©QD Foto: iStockPhotos
Linha de destintagem da Deink conta com banhos em solução aquosa

As borras das tintas podem ser aproveitadas, por exemplo, como combustível na indústria do cimento.

“Estamos desenvolvendo com a Ambev estudos para reaproveitar essas borras em alguns processos de impressão, a exemplo das embalagens de papelão”, diz Mason.

A Deink Brasil trabalhará com projetos desenvolvidos para empresas ou necessidades específicas, não apenas para a Ambev:

“Nossa meta é ter dez plantas em cinco anos”. E cerca de 20% da capacidade de sua primeira unidade, para 400 a 500 toneladas mensais, servirá para desenvolvimentos tais como a desmetalização e remoção da tinta de filmes de BOPP.

 

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