Moinhos evoluem para oferecer mais eficiência e segurança

Economia Circular - Reciclagem

Eles apenas fragmentam peças prontas, sobras, rejeitos de produção. Mas, com essa atribuição exclusiva, moinhos são imprescindíveis para que a indústria do plástico atenda às necessidades da economia circular, seja viabilizando o reaproveitamento da resina de produtos após eles serem consumidos, seja minimizando as perdas com galhos de injeção, refiles, borras, e outras modalidades de sobras e rejeitos próprias de seus processos. E tanto reaproveitar matéria-prima quanto reduzir as perdas na produção são práticas essenciais da economia circular.

Plástico Moderno - Moinhos evoluem para oferecer mais eficiência e segurança - Economia circular ©QD Foto: Divulgação
Moinho de grande porte da Rone processa um tambor inteiro

Essa tarefa única e aparentemente simples é realizada com uma tecnologia repleta de nuances. E que segue evoluindo, para, entre outras coisas, atender às atuais normas de proteção dos trabalhadores (moinhos já foram uma das principais causas de acidentes em plantas de transformação de plásticos). Também para minimizar os ruídos – inevitáveis em um processo no qual as peças plásticas são agitadas e trituradas dentro de câmaras metálicas – e reduzir a geração de poeira (menos poeira significa não apenas um ambiente mais saudável, mas também menos matéria-prima perdida). Sem contar com melhorias destinadas a reduzir os tempos de ajustes e facilitar a manutenção.

Tais avanços propiciam que os moinhos, indispensáveis nas empresas de reciclagem, sejam utilizados também por um número cada dia maior de transformadores, interessados em equipamentos que, assim como os demais periféricos, possam ser integrados a processos crescentemente automatizados, nos quais eles reduzam as perdas de matérias-primas com o mínimo possível de interferência na rotina produtiva e na qualidade dos produtos.

Esforçando-se para atender a essas demandas, os fabricantes de moinhos hoje disponibilizam equipamentos capazes de realizar a moagem de praticamente todas as aplicações, seja qual for a resina utilizada, bem como seus formatos e dimensões. Ou, seja, disponibilizam equipamentos concebidos para moer de maneira eficaz aplicações mais e mais específicas de resinas.

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Cerri: desenho do equipamento deve ser adequado a cada caso

A fabricante de moinhos Rone, por exemplo, hoje oferece 28 versões diferentes de moinhos apenas na faixa dos equipamentos com motor de 20 hp (potência muito demandada no mercado nacional). Nelas, variam o formato da câmara de moagem, a quantidade e a inclinação das lâminas de corte, o desenho da rosca na qual são fixadas essas lâminas, entre diversos outros itens.

Especificamente desenhado para uma determinada peça, ressalta Ronaldo Cerri, diretor da Rone, um moinho mói com menos perdas consumindo menor quantidade de energia.

“Há moinhos com a mesma capacidade e a mesma potência de motor, mas que travam com determinados tipos de peças, ou nos quais algumas peças ficam ‘boiando’ ou ‘pipocando’, como também se diz, gerando tanto perda de produtividade quanto risco de segurança, pois será preciso mexer na peça causadora do problema”, diz.

Moer uma bombona de 200 litros, exemplifica Cerri, é diferente de moer a mesma quantidade de material na forma de borra. “Nesse último caso, as lâminas precisarão realizar algo semelhante à fresagem do material, enquanto a bombona precisará ser abraçada para ser moída”, explica o diretor da Rone, empresa que disponibiliza, no total, cerca de duzentos modelos de moinhos, e desenvolve outros sob medida.

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Assim, recomenda Ricardo Prado, vice-presidente para América do Sul da Piovan, moinhos devem hoje ser analisados como soluções para necessidades específicas, não como equipamentos de uso genérico. Afinal, embora possam parecer similares uns aos outros, variam muito em quesitos como qualidade do material moído, emissão de ruído, segurança, consumo de energia e durabilidade, entre outros. “

Um moinho também não é mais um componente separado, ele faz parte de um sistema no qual deve trabalhar mantendo a produtividade e a qualidade do produto final”, ressalta.

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Prado: moinho faz parte do sistema de produção do cliente

Alguns processos, prossegue Prado, podem exigir ações anteriores à moagem, como a trituração das peças ou a separação de metais (tarefas que podem ser feitas, respectivamente, por trituradores e separadores de metais).

“Na produção de peças transparentes não pode haver nenhum pó, que pode gerar pontos pretos; temos equipamentos para separar pó, muito procurados pela indústria de embalagens de PET e para aplicações transparentes de PC ou acrílico”, destaca o diretor da Piovan.

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Modelo G17 foi criado para operar ao lado das injetoras

Mais silêncio, maior agilidade

 

Representada no Brasil pela Rax, a fabricante sueca Rapid oferece equipamentos com capacidades de moagem de 20 até 4 mil kg/h, e rotações entre 15 e 1.500 rpm; com variações em itens como formato da câmara de moagem e alimentação, entre outros, eles fundamentam um portfólio com mais de 2,5 mil versões de moinhos.

Em todas elas, enfatiza Arnaldo Nunes, diretor comercial da Rax, tanto a câmara de moagem quanto o bocal de alimentação (ou funil) são construídos com parede dupla preenchida por um isolante acústico. “Dependendo de fatores como tamanho do equipamento e resina a ser moída, entre outros, isso reduz a emissão de ruídos em algo entre 10% e 20%”, diz.

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Nunes: tecnologia sueca reduz ruído e consumo de energia

Como a maioria dos equipamentos europeus, observa Nunes, os moinhos da Rapid privilegiam a segurança dos operadores, não permitindo nenhuma interferência para limpeza ou manutenção quando estão em funcionamento. “Por meio de um sistema mais eficiente de transmissão de potência do motor para o rotor, relativamente a similares nacionais, os moinhos da Rapid consomem de 30% a 40% menos de potência”, afirma.

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Equipamento gera grãos aptos a voltar para transformação

Por sua vez, a fabricante gaúcha Seibt constrói moinhos com ‘bocal duplo’, ou seja, com uma parede dupla na boca de alimentação (a entrada do equipamento). “Desenvolvemos nos anos 1980 essa tecnologia do bocal duplo, que reduz significativamente o nível de emissão de ruídos”, relata Carlos Henrique Seibt, diretor da empresa.

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Seibt: bocal duplo controla ruídos em todos os modelos

Agora, o bocal duplo está integrado à maioria dos moinhos da Seibt: inclusive a sua linha premium, denominada MGHS A2, formalmente lançada há cerca de três anos, que paulatinamente foi incorporando outras evoluções. Uma delas: a regulagem de suas facas é feita fora do equipamento e não no seu interior, como é mais comum. “Isso reduz em cerca de 50% o tempo de set up”, diz o diretor da empresa. Há cerca de três anos, as roscas de fixação das lâminas dos moinhos dessa linha são insertos que podem ser rapidamente substituídos.

“Com o tempo essas roscas se desgastam e sua recuperação é trabalhosa, com os insertos, pode-se simplesmente trocá-los”, explica Seibt.

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MGHS A2 600: regulagem das facas é feita fora da máquina

Além de soluções sob demanda, a empresa fornece moinhos com potência entre 1 e 200 hp, e boca entre 120 mm e 1,30 m. Agrupa-os em doze famílias, incluindo os trituradores e os moinhos com tracionadores para alimentação, utilizados na moagem de materiais menos densos – como filmes – e nos refiles formados na extrusão de filmes e na termoformagem. Para não se enroscarem e atravancarem o processo, esses materiais devem ser tracionados para o interior do equipamento (daí serem conhecidos também como moinhos com ‘alimentação forçada’). “Os tracionadores devem ser sincronizados com a velocidade de extrusão ou de termoformagem”, destaca Seibt.

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Na Primotécnica, o portfólio inclui desde moinhos pequenos para serem instalados ‘ao pé da injetora’, até máquinas que trituram 15 toneladas de pneus por hora (nesse caso, as máquinas são qualificadas como ‘trituradores’).

Segundo Julio Casarotti, gerente da Primotécnica, a evolução da tecnologia dos moinhos, bem como do interesse pela moagem, estimula até mesmo a demanda por opcionais que agregam diversas funcionalidades ao processo.

Casarotti cita, entre esses opcionais, peneiras vibratórias que eliminam o pó, cabines para isolamento acústico, esteiras que tornam a operação muito mais ágil e segura em comparação à alimentação manual.

Plástico Moderno - Moinhos evoluem para oferecer mais eficiência e segurança - Economia circular ©QD Foto: Divulgação
Moinho da linha P2-G, da Primotécnica, para recuperar peças de porte médio
Plástico Moderno - Moinhos evoluem para oferecer mais eficiência e segurança - Economia circular ©QD Foto: Divulgação
Moinho da linha P2-G, da Primotécnica, para recuperar peças de porte médio

Com essas tecnologias, fabricantes de autopeças que há cinco ou dez anos reaproveitavam em seus processos cerca de 5% de material moído elevaram esse índice para 10% a 15%. “Também temos grandes moinhos instalados bem no centro de grandes fábricas, realimentando a produção com material moído sem nenhuma perda de qualidade, e não incomodando ninguém com poeira ou ruído”, afirma Casarotti.

Segurança e automação

A segurança da operação de um moinho está entre os quesitos nos quais mais avançou a tecnologia desses equipamentos, cuja concepção deve obedecer algumas normas oficiais. Uma delas, a NR 12, dedicada à proteção dos trabalhadores que lidam com os vários tipos de máquinas e equipamentos. Outra, a NBR 15.107, é especificamente dedicada aos requisitos de segurança para máquinas fragmentadoras de plástico.

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A Rone, por exemplo, adota ambas em seus projetos de moinhos. “Elas tornam muito mais seguro o trabalho nesses equipamentos”, destaca Cerri.

“Nem todos os fabricantes seguem todas as normas, mas o interesse por equipamentos que atendem esse requisito decorre de um processo de aculturamento, leva algum tempo”, acrescenta.

De acordo com o diretor da Rones, a recente escassez de resinas ampliou ainda mais o interesse por moinhos, pois levou quantidades maiores de transformadores a perceberam não ser mais possível perder matéria-prima. “E, embora em alguns processos de moagem possa ainda haver alguma dificuldade na relação custo/benefício, não vejo nenhum gargalo tecnológico nessa indústria: basta trazer a peça que desenvolvemos o moinho para ela”, ressalta.

Prado, da Piovan, endossa essa afirmação e lembra que sua empresa hoje fabrica desde moinhos pequenos, que devem ser instalados ao pé de uma injetora, quanto outros capazes de moer para-choques de veículos e tanques de combustível. “Temos moinhos que permitem inclusive o reaproveitamento de galhos de embalagens de medicamentos e alimentos, totalmente vedados, para operação em sala limpa”, comenta.

Os moinhos, diz Prado, podem ser normalmente integrados aos processos produtivos automatizados, sendo preciso analisar caso a caso essa integração. Para reaproveitar aparas de pequenos frascos ou de bombonas, talvez baste apenas ele, uma esteira para o transporte do material moído e um ventilador com ciclone para redução da poeira.

“No caso de uma linha de produção de tanques de combustível, talvez seja preciso colocar um equipamento adicional na saída da máquina, antes do ingresso do material no moinho, por exemplo, um sistema de esteiras com resfriadores, pois nesse caso, por ser maior a massa de material, o resfriamento é mais demorado”, acrescenta.

Com a automação pode-se inclusive minimizar tanto o consumo energético quanto possíveis danos ao material moído, observa Marcelo Moura, gerente comercial da Pallmann, fabricante de moinhos e de equipamentos conjugados a eles em determinados processos, como aglomeradores e micronizadores .Afinal, acima de determinados índices de corrente nominal, os motores consomem mais energia e pode-se programar o sistema para desacelerar a alimentação quando eles forem alcançados.

“Da mesma forma, sensores podem evitar a operação acima de patamares de temperatura que degradem a resina”, destaca.

Atualmente, diz Carlos Seibt, os moinhos estão normalmente integrados aos processos de diversos transformadores, seja como integrantes das chamadas ‘células de transformação’, seja nas centrais de moagem, utilizadas por quem trabalha com peças maiores ou com grandes quantidades de rejeitos, ou busca reaproveitar também borras e outros potenciais desperdícios de matéria-prima.

“O cliente hoje diz: preciso moer uma peça em tal formato, de tal material, em tal tamanho, e a partir daí buscamos ajustes em quesitos como formatação do rotor e boca de entrada, entre vários outros”, enfatiza.

Os transformadores constituem o segmento de mercado de que mais expande sua demanda por moinhos, destaca Casarotti, da Primotécnica.

Agora, eles se interessam por rejeitos que até há pouco tempo eram pouco reaproveitados, caso das borras, cuja moagem é mais complexa.

“Temos inclusive moinhos de borras menores, próprios para serem colocados junto às injetoras; cada vez mais as empresas transformadoras querem os moinhos ao lado das máquinas”, acrescenta Casarotti.

Para Nunes, da Rax, os transformadores passaram a investir mais em equipamentos que proporcionam melhor qualidade e regularidade do grão moído, e ao mesmo tempo garantam uma operação segura.

“O papel dos moinhos é de suma importância para a economia circular, pois eles possibilitam o reaproveitamento de qualquer tipo de material plástico: rejeitos, aparas, ou resíduos. E boa parte das empresas de transformação de termoplásticos já faz esse reaproveitamento dentro da própria empresa”, finaliza.

 

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