Economia circular: Investimento compensa

Entre os recicladores, especialmente, a demanda por tecnologia de automação da separação de resíduos está realmente bem aquecida, confirma Jean Chaves Cabral, sócio-diretor técnico e comercial da Ambimaq;

A Ambimaq é uma empresa que implementa plantas de reciclagem e separação de resíduos nos quais inclui produtos de fabricação própria – como trituradores e peneiras – e de terceiros, como a Steinert.

Segundo ele, é muito rápido o retorno do investimento nessa tecnologia, ao menos nas recicladoras de maior porte: por exemplo, aquelas que recebem grandes quantidades de PP – tanto de sobras industriais quanto de resíduos pós-consumo –, que com esse aparato podem conseguir resinas de PP comercializáveis em valor duas vezes superior ao de um PP colorido comum.

“PP é um material muito rígido, quebra-se nos fardos, prejudicando a separação, mas um separador óptico consegue separar peças muito pequenas”, ressalta Cabral.

“Mas não basta ter um equipamento óptico, é preciso ter a planta bem desenhada para abastecê-lo, com esteiras, peneiras e demais componentes adequadamente dimensionados”, recomenda.

Nas empresas de gestão de resíduos urbanos a automação da triagem e da separação pode ser menos interessante, pondera Elcio Faria Pimenta, diretor geral da Iguaçumec.

Economia circular: Investimento compensa ©QD Foto: Divulgação/Iguaçumec
Elcio Faria Pimenta, diretor geral da Iguaçumec

“Essas empresas geralmente são remuneradas pelos volumes coletados e podem optar por apenas separar a fração seca e enviá-la para quem lide com ela, para manter por mais tempo a vida útil do aterro, que é caro”, argumenta.

Além disso, prossegue Pimenta, a fração de recicláveis no total de resíduos coletados por essas empresas, que nem é muito expressiva, torna-se ainda menos atrativa com a intensa atuação de catadores que coletam os resíduos mais valiosos.

Assim, ele observa, pode ser financeiramente interessante investir apenas em uma separação rudimentar, que permita preservar espaço nos aterros, e enviar a fração seca para a geração de CDR.

“Destinando-se material a CDR, já se reduz em 40% a quantidade de material que vai para aterro”, complementa o diretor da Iguaçumec, empresa que também implanta projetos de centrais de recebimento e triagem de materiais, nos quais utiliza tanto equipamentos próprios – como peneiras rotativas e esteiras –, quanto de terceiros (e que em projetos de médio e grande porte, mantém parceria com a multinacional espanhola Bianna).

“Mas alguns editais de gestão de resíduos começam a exigir que as empresas de gestão de resíduos tenham tecnologias de triagem”, finaliza.

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