Reciclagem de plásticos: equipamentos evoluem

Equipamentos para reciclagem evoluem para atender clientes

Em profissionalização acelerada e recebendo volumes crescentes de recursos de investidores e de grandes empresas, a indústria da reciclagem passa a exigir de seus fornecedores tecnologias capazes não apenas de gerar reciclados de melhor qualidade, mas também de incrementar produtividade e escala de produção.

Consolida assim, paralelamente à demanda por máquinas específicas, um interesse por sistemas que integrem diferentes processos, e até por plantas completas, configuradas por serviços de consultoria e engenharia, ou mesmo pelos próprios produtores de equipamentos, muitas vezes, em parceria com outros fabricantes com portfólios complementares.

Uma dessas parcerias hoje integra, em diversos projetos, a fabricante de extrusoras austríaca Erema e a italiana Sorema, produtora de tecnologias para etapas como moagem, lavagem e secagem, relata Oliver Venezia, diretor-executivo da Intermarketing (representante no Brasil de ambas as marcas).

A Erema, através de sua subsidiária Keycycle, também desenvolve e implementa projetos turn key de plantas de reciclagem. “Isso inclui não só equipamentos, mas dimensionamento das instalações e suprimento de energia e água, entre outros itens”, informa.

Investidores que agora chegam a esse mercado com recursos financeiros, mas sem o know how da operação, destacam-se entre os principais focos dos projetos integrados.

Economia circular: Equipamentos para reciclagem evoluem para atender clientes ©QD Foto: iStockPhoto
Venezia: Indústria 4.0 reforça procura por sistema integrado

“Quando sou procurado por um deles, posso acionar a Keycyle. Mas há também bons consultores, capazes de realizar essa integração”, ressalta Venezia.

Esse mercado de consultoria é uma das vertentes da atuação da Comeplax, que também oferece plantas de reciclagem no modelo turn key, e representa no Brasil marcas como a Lindner, de equipamentos de trituração e lavagem, e a Starlinger, de extrusoras para reciclagem.

“Há grande demanda por profissionais que realizam a integração dos sistemas de reciclagem, temos sido demandados para projetos em todo o Brasil”, afirma Luiz Henrique Hartmann, diretor da Comeplax.

Um consultor especializado na integração, pondera Hartmann, evita que, caso ocorra algum problema na linha, o reciclador precise recorrer individualmente a cada um dos diferentes fornecedores em busca de solução, sem necessariamente encontrá-la. Também contribui para atender a demanda por um fator de competividade valiosíssimo nesse mercado que hoje opera com custos elevados e baixas margens de remuneração, sendo capaz também de elevar os índices gerais de reciclagem: a automação.

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Hartmann: consultor facilita integrar e automatizar sistema

“A solução para essas demandas é a consolidação de plantas totalmente automatizadas, com os equipamentos integrados e as informações centralizadas em uma única tela que dê ao operador controle centralizado do processo”, observa Hartmann.

Também ele cita parcerias envolvendo empresas de diferentes segmentos da indústria de equipamentos para reciclagem, especialmente entre fabricantes de extrusoras e fornecedores das soluções para o tratamento prévio do material a processar. “A Lindner trabalha muito em parceria com a Starlinger, e em vários países – como aqui no Brasil, em meu caso – representantes trabalham com essas duas empresas, ou com a Lindner e a Erema”, relata o diretor da Comeplax.

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Sistema Vacurema, da Erema, faz preformas sem a peletização

 

Reciclagem: complexidade e especialização

Não é de hoje que a fabricante gaúcha Seibt pode fornecer sistemas completos para os processos anteriores à peletização do material. “Isso acontece já há décadas”, relata o diretor Carlos Henrique Seibt. “Mas, atualmente, há uma tendência muito forte de aumento da demanda por esses sistemas”. Que, simultaneamente, também se tornam mais complexos:

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Seibt: há vantagens em fazer negócio com um fornecedor só

“As plantas de reciclagem são hoje mais automatizadas; portanto, adquirir um sistema completo integrado facilita a operação pelo cliente”, pondera Seibt. “Negociando com um único fornecedor, ele pode ter também vantagens comerciais e uma única empresa garantindo a funcionalidade de todos os equipamentos”, acrescenta.

Entre outros itens, a Seibt produz abridores de fardos, roscas transportadoras, esteiras, moinhos, equipamentos de lavagem e secagem, chegando até à etapa de armazenamento dos flakes em big bags. Em sistemas completos, pode integrar ao pacote também separadores ópticos (produzidos por parceiros). “Em alguns sistemas de reciclagem de PE e PP, podemos incluir no fornecimento também as extrusoras”, ressalta Seibt.

Mas, mesmo em âmbito global, parece haver ainda uma separação bem definida entre fabricantes de extrusoras e produtores dos equipamentos para os processos anteriores à extrusão (compensada, de certa maneira, pelas parcerias entre empresas desses dois segmentos).

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Linha de reciclagem integrada fornecida pela Seibt

Separação respeitada pela fabricante de extrusoras austríaca Starlinger, que, de acordo com Tobias Jungblut, diretor da operação brasileira da empresa, tempos atrás até avaliou o ingresso no mercado dos equipamentos para as etapas preliminares; percebendo, porém, a existência de bons fornecedores nesse segmento, a empresa se manteve focada nas extrusoras (no caso do PET, também em equipamentos de policondensação em estado sólido). “Dizemos a nossos clientes: nossos equipamentos exigem determinados níveis de lavagem e índices tais de contaminação. Eles veem quais os melhores equipamentos de lavagem e secagem para atingir essas especificações”, detalha Jungblut.

Mas, atualmente, quase toda empresa que procura a Starling inclui no processo de negociações um profissional capaz de entender o funcionamento do todo do processo de reciclagem que contribua para definir melhor a configuração total de suas plantas. Caso tenha boa expertise, esse profissional pode ser pertinente para estabelecer uma discussão fundamentada em parâmetros técnicos, crê Junglubt. “Acho até que crescerá a presença desse profissional no mercado, seja ele um consultor, ou um profissional de tecnologia do próprio cliente”, projeta.

Integrar ou individualizar?

As parcerias entre fabricantes de diferentes equipamentos visando proporcionar ao cliente ao menos uma visão prévia do conjunto da planta que ele estiver montando não necessariamente são formais. Podem se manifestar como uma simples indicação.

Fabricante de moinhos, shredders e sistemas de transporte, a Primotécnica, relata Julio Casarotti, diretor comercial, tem seus equipamentos frequentemente indicados por fabricantes de extrusoras e de outros equipamentos de transformação para seus respectivos clientes.

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Casarotti: moinho confiável garante operação contínua

“Moinho precisa ser confiável para o trabalho contínuo e ininterrupto, caso contrário toda a linha pode parar”, adverte.

Há, atualmente, confirma Casarotti, intensa demanda por equipamentos da Primotécnica que serão integrados aos sistemas entregues completos aos recicladores. Integração essa, cuja principal vantagem é o estabelecimento de um único ponto de contato para um cliente que necessite solucionar um problema, ou acionar a garantia, mas que pode requerer um prazo maior de entrega. Caso compre individualmente os equipamentos, esse cliente precisará conhecer bem sua produção para escolher os melhores fornecedores para cada etapa do processo. “Isso reduz o tempo de aquisição, mas ao mesmo tempo aumenta o risco de garantia”, pondera.

O tempo de atuação no mercado pode influir na opção por um ou outro modelo de negociação.

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Nunes: clientes experientes preferem conduzir a integração

“Clientes com larga experiência preferem conduzir eles mesmos o projeto; os iniciantes optam em geral por equipamentos 100% integrados”, destaca Arnaldo Nunes, diretor comercial da Rax Representações, que comercializa os produtos da marca Plast-Equip – equipamentos para transporte e alimentação, dosagem e secagem/desumidificação, adaptados para os processos de reciclagem – e representa no Brasil a marca sueca de moinhos Rapid.

Nunes também vê a concentração da responsabilidade técnica pelo resultado final do projeto como vantagem mais óbvia para se optar por um sistema integrado, que não é a opção hoje predominante, pois, seja por razões financeiras, seja pelo interesse de resguardar as informações sobre seus processos, a maioria dos clientes opta por compor seus próprios sistemas.

Essa opção por negociações individuais para os diferentes equipamentos é até mesmo recomendada por Rafael Cerri, engenheiro da fabricante de moinhos Rone. “Dificilmente uma mesma empresa é a melhor em tudo”, justifica. “Na própria Rone não recorremos a um único fornecedor para comprar toda a estrutura da fábrica, máquina não é como roupa, que se pode adquirir tudo em um mesmo local”, compara Cerri.

Consultores, ele relata, são ainda minoritários nas negociações da Rone, que realiza a enorme maioria de suas vendas diretamente para os usuários dos equipamentos. “Nada como o próprio cliente negociar, ele conhece melhor sua necessidade”, pondera Cerri.

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Moinho da sueca Rapid, comercializado pela Rax

 

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“Conversando” e conjugando

A maior demanda por sistemas integrados, observa Venezia, da Intermarketing, pode ser associada também ao avanço do conceito de Indústria 4.0, que propõe uma contínua “conversa” entre os diferentes equipamentos: por exemplo, entre a extrusora e o sistema que a alimenta, em uma planta de reciclagem. Comunicação já possível com os equipamentos da Erema. “Eles têm um software que, com o auxílio de sensores, informa se o material que chega está ou não dentro dos padrões especificados”, relata Venezia.

A necessidade de comunicação entre diferentes processos parece estimular também a combinação, em uma única máquina, de funcionalidades usualmente feitas em equipamentos distintos, como acontece na linha RecoStar, da Starlinger, cujas extrusoras têm um shredder acoplado. É uma linha mais utilizada para o reaproveitamento de resíduos pós-industriais, mas tem também uma versão para resíduos pós-consumo, que além do shredder inclui um sistema de aglutinação. “Resíduos pós-consumo vêm com muita umidade, é importante aglutiná-los”, explica Jungblut.

E a Seibt disponibiliza sistemas que, entre outras funcionalidades, entregam secagem mecânica com secagem térmica, ou retenção de metais em processos anteriores à moagem.

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Pezzi: preparação do material exige equipamentos adequados

“No caso de garrafas, possuímos rasgadores de rótulos que, por fricção, removem com alta eficiência tampas e rótulos”, diz Michel Francisco Pezzi, vendedor técnico da empresa.

“Para aprimorar ainda mais esse processo, tanques de decantação e separadores de leves e finos são capazes de separar esses subprodutos por diferença de densidade, permitindo seu aproveitamento”, ressalta.

A Primotécnica disponibiliza uma linha para reciclagem PCR que integra esteira de entrada, dois moinhos e uma esteira com separação de metais ferrosos, capaz de processar algo entre 800 quilos e uma tonelada de material por hora. “É uma linha muito compacta que pode ser tocada por um único operador”, enfatiza Casarotti.

A Rone, afirma Cerri, constrói seus moinhos de acordo com normas como a NR-12, de segurança no trabalho em máquinas e equipamentos, e NBR 15.107, específica para moinhos. “Investimos muito na modernização dos sistemas de segurança de nossos equipamentos”, salienta.

Os equipamentos da Plast-Equip, destaca Nunes, trazem de série todos os recursos que, tanto no processamento de pellets quanto nos processos internos de reciclagem, adaptam-se plenamente a fatores como baixa densidade específica e irregularidade dimensional dos flakes, bem como aos elevados teores de pó de material PCR. “Pelas necessidades ambientais, e pela regulamentação governamental, vem aumentando significativamente a demanda por esses recursos”, afirma Nunes.

Reciclagem: “Ciclo fechado”

Ganha força no atual mercado da reciclagem, ressalta Andres Grunewald, diretor da Gneuss na América Latina, também uma tendência de desenvolvimento de tecnologias em “ciclo fechado”, ou seja, que permitem que resíduos de determinado gênero de aplicação sejam reciclados e reaproveitados em aplicação idêntica, em um processo único e integrado.

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Grunewald oferece linhas para fechar o ciclo dos plásticos

“No caso do PET já existia a transformação de garrafas em novas garrafas; mas agora temos tecnologia para transformar resíduos de embalagens termoformadas em novas embalagens termoformadas, de fitas em novas fitas, de artigos têxteis em novas aplicações têxteis”, exemplifica.

As novas linhas de reciclagem Omni, da Gneuss, observa Grunewald, permitem a reciclagem desses resíduos até hoje pouco reaproveitados em suas aplicações originais, como as bandejas, as fitas e os artigos têxteis de PET. E minimizam o uso de garrafas para a produção dessas aplicações a partir de conteúdos reciclados. “Há uma demanda premente por essa tecnologia, até porque há escassez de garrafas PET pós-consumo para reciclagem, pois cada vez mais elas voltam à produção de novas garrafas em ciclos fechados”, ressalta.

E a Gneuss, prossegue Grunewald, disponibiliza sistemas e linhas de reciclagem que dispõem de recursos que permitem reduzir, manter ou elevar a viscosidade do PET reciclado, nesse caso sem a necessidade da prévia transformação em pellets. “A partir de resíduos de PET das mais diversas origens, densidades e viscosidades, produzem-se chapas para embalagens termoformadas, fitas de arquear, fibras têxteis em um único passo”, relata.

Linha completa Omni boost recicla até fibras têxteis ©QD Foto: iStockPhoto
Linha completa Omni boost recicla até fibras têxteis

Sistemas de ciclo fechado, complementa o profissional da Gneuss, já são usados também para a reciclagem e o reaproveitamento de outras resinas, além do PET. Inclusive para o reaproveitamento em aplicações que terão contato com alimentos, pois contam com sistema de extração de voláteis que elimina contaminantes potencialmente nocivos à saúde humana. “Em alguns países da América Latina, sistemas da Gneuss já são utilizados para transformar embalagens pós-consumo de iogurte, feitos de poliestireno, em novas embalagens de iogurte, em contato direto com o alimento”, comenta. “Essa tecnologia pode ser aplicada também para a produção de embalagens alimentícias a partir de resíduos pós-consumo de PP e PE.”

Também se consolida, pondera Grunewald, uma tendência de desenvolvimento de processos que realizem tudo em uma sequência única e integrada, se possível, eliminando etapas, inclusive a produção de pellets, tradicionalmente o principal substrato dos convertedores de resinas. “Nosso reator contínuo de estado líquido Jump, que elimina o passo da peletização pré-condensação, e o sistema 3C, que integra alimentação, condicionamento e corte de materiais de baixa densidade aparente na linha de extrusão, que foi apresentado na última feira K’, são exemplos de tecnologia que encurtam e saltam processos na reciclagem”, destaca.

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Para informações sobre equipamentos para reciclagem, consulte o Guia QD, a maior plataforma de compra e vendas do setor. Confira:

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Sistemas para reciclagem
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