Economia

Economia circular – Conceito protege ambiente e ajuda a reduzir custos

Antonio Carlos Santomauro
23 de abril de 2020
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    Um setor, várias iniciativas – Diversos projetos vêm sendo implementados pela indústria do plástico para materializar seu esforço em prol da economia circular. Alguns têm cunho institucional, como é o caso da Rede de Cooperação para o Plástico. Criada em 2018, essa rede já integra mais de quarenta empresas de todos os elos da cadeia. “Ela trabalha em projetos que visam aumentar a reciclabilidade de embalagens plásticas e a disponibilidade de resíduos plásticos para a reciclagem”, relata Coelho, da Abiplast.

    E há iniciativas bem recentes, como o acordo de cooperação técnica assinado em dezembro último pela Abiplast e pela ABDI (Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial), focado no aumento da disponibilidade de resíduos para reinserção no ciclo produtivo. “Este ano a Abiplast promoverá o Summit de Economia Circular, cujos detalhes serão divulgados em breve”, adianta o presidente da entidade.

    As empresas do setor também investem em ações associadas à economia circular. Entre elas, Fernanda Maluf, coordenadora do Movimento Plástico Transforma, cita o estabelecimento de um ciclo fechado para as embalagens plásticas de defensivos agrícolas; a fabricação de embalagens plásticas para sabão em pó, xampus e condicionadores com material reciclado de embalagens pós-consumo; a reciclagem bottle to bottle de embalagens PET para refrigerante e leite.

    A transição em direção à economia circular, nota Fernanda, exige políticas públicas, linhas de financiamento e novos modelos de negócio. Mas requer também novas atitudes frente a paradigmas hoje estabelecidos: “Perde-se muito valor no descarte inadequado de resíduos, que pode ser associado à falta de percepção de valor desses recursos”, pondera a profissional do Movimento Plástico Transforma (esse movimento é uma iniciativa focada em ações educativas e de inovação do PICPlast – Plano de Incentivo à Cadeia do Plástico, parceria entre a Braskem e a Abiplast destinada a promover o desenvolvimento da indústria do plástico).

    Desafios e oportunidades – Em linhas gerais, a economia circular propõe processos produtivos estruturados de forma a minimizar os impactos ambientais, realimentados pelos materiais e recursos já alocados em seus produtos (daí o termo ‘circular’, correspondente a um ciclo fechado, sem início nem fim delimitados). Contrapõe-se assim ao modelo tradicional da ‘economia linear’, que ignora as etapas posteriores ao consumo e exige consumir mais dos finitos recursos do planeta.

    Mas ela vai além da reciclagem e dos famosos 3 Rs que até há pouco tempo buscavam resumir os processos sustentáveis: Reduzir, Reutilizar, Reciclar. Quer atuar já no desenvolvimento dos produtos, que devem ter design e materiais capazes de minimizar desperdícios e facilitar o posterior reaproveitamento e a reciclagem, e chega até à proposta de novas possibilidades de utilização e consumo.

    Além do redesenho dos produtos e da otimização dos recursos neles alocados – não apenas matérias-primas, mas também insumos como energia é agua –, isso pode incluir o prolongamento de sua vida útil, facilidade de manutenção, compartilhamento, comercialização como serviços, entre outras medidas.

    E o respeito ao meio ambiente nem é seu único benefício, há outros, também poderosos. Um deles: a redução de desperdícios e o reaproveitamento de materiais podem constituir medidas saudáveis também do ponto de vista financeiro (em seu sentido mais amplo, o conceito da ‘sustentabilidade’, aliás, vincula diretamente as questões ambientais às econômicas e sociais).

    Assim abrangente, o conceito certamente propõe desafios. Mas ele pode também gerar oportunidades, crê Fernanda, do Movimento Plástico Transforma: “Ao apoiar a economia circular, a empresa atua em prol da sustentabilidade e da responsabilidade social, e isso diz respeito a sua postura e a seus valores éticos”, justifica.

    No caso específico do plástico, as oportunidades podem ser ainda maiores: “As propriedades do plástico permitem sua recuperação e utilização por mais tempo”, argumenta Coelho, da Abiplast. “Além disso, o caráter de inovação e adaptação está no DNA do setor, favorecendo sua readequação a esse novo modelo”, acrescenta.

    Plástico Moderno - Colocado em supermercado, coletor ajuda a reciclar EPS

    Colocado em supermercado, coletor ajuda a reciclar EPS

    Bahiense, do Plastívida, vê o setor já muito atento à necessidade da economia circular: “Ele sabe que, sem isso, não sobreviverá”, justifica. Mas, para ele, além de muitas vezes oriundas de indústrias concorrentes, as atuais contestações ambientais ao plástico podem até conduzir à consolidação de alternativas mais prejudiciais ao meio ambiente do que as resinas plásticas atuais.

    Para referendar essa afirmação, ele aponta que, em São Paulo, as recentes restrições aos canudos plásticos geraram o surgimento ou a disseminação de pelo menos oito tipos de canudos possivelmente menos sustentáveis ambientalmente. “Os canudos de papel, além de não poderem ser utilizados mais de uma vez – algo que pode ser feito com o plástico –, deveriam ser separados e enviados para plantas de compostagem para degradar-se. Mas sequer temos plantas de compostagem no Brasil”, exemplifica. “Também virou moda o canudo de macarrão, que é comida sendo descartada, e os canudos de bambu, porosos, não são limpos adequadamente”, acrescenta.

    Na opinião de Bahiense, educar para o consumo consciente dos diversos tipos de produtos constitui alternativa mais interessante que a obrigatoriedade de mudanças em seu uso. “Pense no que se pode esperar do banimento de pratos e copos descartáveis de plástico: talvez pratos de papel com uma camada de plástico, que nem se prestam à reciclagem”, pondera. “Com certeza, essas opções aos plásticos são desvantajosas do ponto de vista ambiental”, finaliza Bahiense.



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