Economia

Economia circular – Conceito protege ambiente e ajuda a reduzir custos

Antonio Carlos Santomauro
23 de abril de 2020
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    Plástico Moderno - Iniciativa Plasticolab, do PICPlast, impactou mais de 37 mil pessoas

    Iniciativa Plasticolab, do PICPlast, impactou mais de 37 mil pessoas

    Buscando associar as atividades produtivas ao próprio ritmo da natureza terrestre, o conceito da ‘economia circular’ tornou-se quase obrigatório na indústria do plástico, aparecendo frequentemente em suas feiras setoriais, palestras, relatórios empresariais. Difícil não vincular tamanho interesse a uma conjuntura na qual essa indústria é submetida a contestações que, calcadas em alegações ambientais, geram restrições a seus produtos, e ganham formas dramáticas em imagens de plásticos deteriorando habitats e prejudicando seres vivos.

    Na realidade, a exposição do engajamento na causa do respeito ao meio ambiente se tornou fator de competitividade em qualquer ramo da atividade econômica. No caso indústria do plástico, ela pode apresentar desafios específicos. Um deles: os resíduos da transformação de resinas têm valor mercadológico inferior ao de outros materiais, proporcionando menor estímulo econômico à reciclagem. Talvez fosse o caso de se trabalhar outras possibilidades de aproveitamento desses resíduos, entre elas a chamada ‘reciclagem energética’, que gera energia pela incineração dos resíduos sólidos urbanos, modalidade praticamente inexistente no Brasil.

    De qualquer forma, o plástico ainda é dos materiais menos reciclados no país, como apontam os dados da Abrelpe (Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais), que avalia em pouco mais de 8% o índice de reciclagem desses materiais no país. Para papel/papelão e alumínio esse índice sobe, respectivamente, para 52,3% e 87,2%.

    Deve-se ressaltar que esses dados abrangem apenas os resíduos do material recolhido pelas empresas de coleta e limpeza pública, desconsiderando as informações relativas a sobras e rejeitos destinados à reciclagem pela própria indústria. Mesmo assim, sua exposição parece pouco interessante para um setor que precisa mostrar empenho na sustentabilidade.

    Plástico Moderno - Coelho: transformação deve usar resinas mais ‘circulares’

    Coelho: transformação deve usar resinas mais ‘circulares’

    A indústria do plástico, ressaltam dirigentes de entidades do setor, já investe significativamente no fortalecimento e até no aprimoramento não apenas da reciclagem, mas também das demais práticas da economia circular. Mas a evolução desse processo decorrerá também de medidas que devem envolver outros agentes, como poder público, comércio e consumidores. “Esse compartilhamento de responsabilidades está, inclusive, previsto na Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS)”, aponta José Ricardo Roriz Coelho, presidente da Abiplast (Associação Brasileira da Indústria do Plástico), referindo-se à legislação promulgada em 2010, marcante no processo de adoção no Brasil dos preceitos da economia circular.

    A própria indústria, especifica Coelho, pode desenvolver produtos “mais circulares”, ou seja, que retornem mais facilmente ao processo produtivo; mas, para isso, necessita de acesso competitivo a materiais que contribuam para a inovação. Outras medidas, ele prossegue, também dependem do poder público e de outros agentes da atividade econômica, casos, por exemplo, dos incentivos tributários para a indústria da reciclagem, da ampliação da coleta seletiva, e de novos modelos de logística reversa. “Pelo lado dos consumidores, é importante a destinação correta de resíduos”, acrescenta Coelho.

    Miguel Bahiense, presidente do Instituto Plastivida, endossa essa tese que associa a melhoria dos índices de reciclagem do plástico a um rol de ações que não competem exclusivamente à indústria dedicada a essa matéria-prima: sistemas mais elaborados de logística reversa e de coleta seletiva, incentivos à reciclagem, educação ambiental, são algumas delas. “Temos hoje na indústria brasileira de reciclagem cerca de 60% de capacidade ociosa. E temos coleta seletiva em menos de 20% dos municípios do país, e, mesmo nesses municípios, atingindo pequena parte da população”, observa.

    Mas Bahiense credita parte da responsabilidade pelas críticas hoje feitas à sustentabilidade ambiental do plástico à concorrência de materiais que ele substituiu ou vem substituindo como matéria-prima. Os plásticos, ele salienta, entre outras coisas permitiram produzir mais carros – e carros menos poluentes –, propiciaram avanços no saneamento, na medicina, no lazer, em indústrias de ponta. Também conferiram escala muito maior à indústria de produtos de uso único. “Eles, assim, deslocaram outros materiais que, não podendo contestar seus benefícios, apelam para a sustentabilidade”, critica.

    Porém, assim como ampliam as possibilidades de consumo, as vantagens do plástico também o tornam mais sujeito aos questionamentos ambientalistas, em grande parte dirigidos ao consumo excessivo, ou ao menos feito sem a necessária consciência de sustentabilidade. “Aliando o consumo mais amplo a fatores como a falta de educação ambiental, carência de coleta seletiva, ausência de estimulo à reciclagem, cresce o espaço para as críticas”, reconhece o presidente do Plastivida.



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