Economia

Economia circular – Aumento de escala estimula seleção automática

Antonio Carlos Santomauro
27 de julho de 2020
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    Plástico Moderno - Milani: separação manual não é viável para grandes plantas

    Milani: separação manual não é viável para grandes plantas

    Nessa nova geração, os equipamentos dispõem de um recurso denominado Deep Laser, que através de emissão de laser aumenta o grau de precisão de identificação de materiais como borrachas e plásticos pretos, mais dificilmente identificáveis pelas tecnologias anteriores por não refletirem luz.

    Esse recurso pode ser associado a processos de Inteligência Artificial. Um uso dessa possibilidade: “Recicladores de PP muitas vezes não querem receber bisnagas de silicone que, embora feitas com essa resina, prejudicam a reciclagem. A inteligência artificial pode mapear os formatos de bisnagas de silicone e qualificá-los como rejeitos”, exemplifica Carina.

    Segundo ela, os equipamentos da Tomra identificam e separam não apenas os plásticos commoditizados, mas também resinas como PS, ABS e PC. “Seu índice de precisão varia entre 95% a 98%; até mais, no caso de flakes. E a maior parte dos erros ocorre não por falha do equipamento, e sim do processo, como no caso de uma peça da qual não foi retirado o rótulo”, enfatiza Carina.

    A Torma, ela ressalta, embora tenha equipamentos instalados em recicladores – tanto para a classificação inicial dos materiais quanto para flakes –, no Brasil hoje foca principalmente os sistemas de coleta e destinação de lixo urbano, que com eles podem reaproveitar melhor as enormes quantidades de resíduos destinadas a aterros e lixões. Nesse caso, o investimento em tecnologia é plenamente justificável em plantas que precisam separar pelo menos 500 t/dia de resíduos. “Mas também estamos presentes em plantas menores, a partir de 200 ou 300 t/dia”, destaca a profissional da Tomra. “Em recicladores, nossos sistemas são instalados em clientes que processam a partir de 1.000 kg por hora”, acrescenta.

    Plástico Moderno - Sistema Autosort, da Tomra, opera em recicladora espanhola

    Sistema Autosort, da Tomra, opera em recicladora espanhola

    Por sua vez, Napolitano, da Tepx, crê que em um reciclador de plástico instalado no Brasil, considerando o custo da mão-de-obra, o uso de separação óptica se torna interessante para capacidades a partir de aproximadamente mil toneladas mensais de materiais a serem separados. “Esse equipamento deve ser pensado como um investimento com retorno a médio prazo”, enfatiza.

    Plástico Moderno - Carina: sistema a laser separa materiais com 98% de precisão

    Carina: sistema a laser separa materiais com 98% de precisão

    Demanda ainda pequena– No Brasil, a automação da separação e classificação dos materiais recicláveis constitui diferencial valorizado pelos próprios usuários de resinas recicladas, afirma Marcos Aurélio Andriolo, gerente de operações da Tepx. “Ela já conta pontos nos processos de homologação para o fornecimento de resinas recicladas para os grandes clientes”, informa.

    Mas deveria ser maior a demanda por equipamentos para reciclagem no Brasil, observa Milani. “As coisas podem, porém, mudar muito rapidamente. A Inglaterra até há pouco tempo reciclava menos que outros países europeus, mas hoje investe bastante em reciclagem. E o mesmo pode acontecer no Brasil, que tem um mercado muito grande”, avalia o profissional da Amut, empresa cuja atuação no mercado brasileiro é feita em parceria com a Wortex, fabricante nacional de extrusoras e de outros equipamentos destinados à indústria do plástico.

    Também para Atienza, da Stadler, no Brasil e na América Latina, de maneira geral, ainda há muito por fazer para desenvolver a reciclagem. “Mas é imprescindível investir em tecnologia para automatizá-la, esse mercado se tornou muito competitivo, e a automação propicia maior eficiência, processos mais ágeis e produtos de melhor qualidade”, enfatiza.

    A Tomra, informa Carina, já instalou cerca de 70 sistemas de seleção no mercado brasileiro, no qual a empresa atua há nove anos. Quantidade, ela reconhece, pequena para a relevância do país e de sua atividade econômica. “Temos 12 mil sistemas instalados no mundo. Na China, onde chegamos um pouco antes do Brasil, são cerca de quinhentos”, compara.



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