Economia

Economia circular – Aumento de escala estimula seleção automática

Antonio Carlos Santomauro
27 de julho de 2020
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    No Brasil, relata Napolitano, mais de 90% do PET que a Tepx recicla provém de uma cadeia que começa com os catadores, passa por pequenos sucateiros e daí vai para o reciclador. E os sucateiros fazem uma boa triagem, que a Tepx refina com sistemas automatizados na unidade de Cotia (e manual, na planta localizada em Maceió-AL). Nos Estados Unidos, a grande maioria dos resíduos provém de empresas coletoras. “Essas empresas trabalham com volumes muito grandes, e mesmo utilizando sistemas automatizados para separação, os materiais que nos enviam têm mais contaminantes que aqueles provenientes de sucateiros. Isso torna mais importante o uso de equipamentos para fazer uma seleção mais refinada”, ressalta.

    Importante lembrar: essa realidade do mercado norte-americano já se estabelece em algumas grandes cidades brasileiras, como acontece em São Paulo, onde as duas concessionárias responsáveis pela coleta de resíduos mantêm seus próprios centros de triagem, nos quais, por exigência de legislação, combinam automação com trabalho de manual (ver box).

    Mas também na indústria brasileira de plástico reciclado, a automação dos processos de separação e classificação dos resíduos recicláveis constitui um “caminho natural”, crê Napolitano: “Certamente vai aumentar a demanda por resina reciclada e isso vai exigir das empresas mais investimento em produtividade e qualidade”, justifica.

    Vantagens e considerações – Automatizar a separação dos resíduos recicláveis significa ampliar a capacidade de produção, elevar a produtividade e simultaneamente promover a qualidade das resinas recicladas, permitindo inclusive concorrer com resinas virgens, ressalta Sergio Atienza, diretor na América Latina da Stadler, multinacional de origem alemã fabricante de equipamentos de separação e reciclagem de resíduos – separadores balísticos, tambores de triagem e removedores de etiquetas, entre outros –, e também integradora que desenvolve e implementa plantas de reciclagem nas quais pode incluir equipamentos de outros fabricantes.

    Plástico Moderno - Linha completa de reciclagem fornecida pela Stadler integra várias tecnologias

    Linha completa de reciclagem fornecida pela Stadler integra várias tecnologias

    Vários fatores, ressalta o profissional da Stadler, devem ser considerados em um projeto de automação da separação e classificação de resíduos para reciclagem: “Há a capacidade da planta, o material que ela receberá, materiais que pretende separar, qualidade do produto final para atingir o mercado pretendido, entre outros”, detalha.

    Plástico Moderno - Atienza: automatizar permite ampliar produção e qualidade

    Atienza: automatizar permite ampliar produção e qualidade

    A própria possibilidade dessa automação deve ser cuidadosamente avaliada, recomenda Angelo Milani, diretor comercial para a América do Sul da Amut, empresa de origem italiana e atuação internacional. Ela é vantajosa, pondera Milani, porque possibilita, entre outras coisas, processar mais rapidamente maiores quantidades. Por outro lado, uma planta automatizada requer uma contínua provisão de grandes quantidades de materiais, que devem ser mantidos sempre nos mesmos parâmetros. “Se uma planta foi desenhada para receber materiais de coleta seletiva, mas recebe também madeira e concreto em grandes quantidades, ou orgânicos em quantidades superiores às esperadas, seu rendimento diminui”, exemplifica Milani. “Pode-se ter uma planta mais flexível, mas a flexibilidade tem um custo elevado”, acrescenta.

    A separação manual, observa o profissional da Amut, pode ser tão precisa quanto a óptica, mas terá custo superior na separação de grandes quantidades. “A leitura óptica, por sua vez, para justificar o investimento, exige suprimento contínuo de grandes de grandes quantidades de materiais de boa qualidade”, destaca Milani. Por meio da sua unidade Ecotech, a Amut desenvolve plantas de processamento de resíduos sólidos urbanos e produz sistemas de separação balística, trommels, sistemas aeráulicos, além de esteiras e sistemas de armazenagem. “Para os plásticos, temos também sistemas de lavagem de várias resinas”, complementa Milani.

    Distinguindo resinas – Benefícios não diretamente relacionados à produtividade ou à qualidade do produto também podem advir da automação da separação. Um deles: “melhora a qualidade do trabalho das pessoas que atuam na triagem, que em vez de manusear um material misturado, contaminado e perigoso, passam a realizar apenas o controle de qualidade”, ressalta Carina Arita, gerente de vendas no Brasil da Tomra, multinacional fabricante de um dos mais sofisticados entre os equipamentos destinados a essa automação: os separadores ópticos.

    Plástico Moderno - Planta da Amut para classificação de plásticos pós-consumo

    Planta da Amut para classificação de plásticos pós-consumo

    Neste mês de junho, a Tomra lança a “nova geração” de sua linha de equipamentos de seleção óptica Autosort, que, aplicando recursos como identificação do espectro de luz de infravermelho e laser, identificam os diferentes tipos de polímeros, suas cores, a presença de vidro ou de metal dentro das garrafas e frascos, entre outras informações.



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