Economia

Economia circular – Aumento de escala estimula seleção automática

Antonio Carlos Santomauro
27 de julho de 2020
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    Plástico Moderno - Napolitano: unidade da Flórida (acima) tem sistema completo de seleção de materiais

    Napolitano: unidade da Flórida (acima) tem sistema completo de seleção de materiais

    Valorização dos reciclados e aumento de escala estimulam seleção automática de resíduos

    Predomina amplamente no Brasil a separação e classificação manual dos materiais destinados à reciclagem. No caso dos plásticos, de maneira ainda mais acentuada na separação dos resíduos PCR (sigla referente às resinas que permanecem após o consumo de um produto). Várias razões justificam a hegemonia desse método rudimentar em uma época na qual resíduos de manufaturados são gerados em proporções colossais; uma delas é a associação da reciclagem à geração de trabalho para pessoas de baixa renda, claramente percebida nas legiões de catadores que perambulam pelas ruas do país.

    Plástico Moderno - Napolitano: unidade da Flórida (acima) tem sistema completo de seleção de materiais

    Napolitano: unidade da Flórida (acima) tem sistema completo de seleção de materiais

    A legislação sobre a destinação desses materiais – a PNRS (Política Nacional de Resíduos Sólidos) – vincula expressamente a reciclagem a essa função social, definindo resíduo reciclável como “bem econômico e de valor social, gerador de trabalho e renda e promotor de cidadania”. Também determina a prioridade de cooperativas e outras formas de associação de catadores nos sistemas de coleta seletiva e de logística reversa.

    Deve-se também considerar que ainda é relativamente pequena no país a atividade de reciclagem de plásticos, cujos produtos até recentemente eram pouco valorizados. Mas essa situação está mudando gradativamente, até porque, por motivações de marketing e metas de sustentabilidade, grandes fabricantes de produtos de consumo agora exigem resinas recicladas nas embalagens de seus produtos. E requerem qualidade dessas resinas, mesmo precisando pagar um pouco mais por elas.

    Consolida-se um mercado mais competitivo para as resinas recicladas. E nele cresce o apelo dos equipamentos de automação, capazes de conferir escala verdadeiramente industrial, além de maior segurança, ao processo de classificação e separação dos materiais. Há vários desses equipamentos, e alguns permitem até separar os plásticos não apenas de outras matérias-primas, mas também por tipos e cores de resinas (ver quadro).

    Plástico Moderno - Equipamentos para separação e classificação automatizada de plásticos e outros materiais

    Equipamentos para separação e classificação automatizada de plásticos e outros materiais

    Existem recicladoras brasileiras em avançado estágio de automação do processo de separação e classificação dos materiais recicláveis: caso da Tepx, que em cinco plantas produz flakes e resina reciclada de PET. Uma delas, em Cotia-SP, usa um separador magnético para retirar metais, trommel, sistema óptico que além de extrair contaminantes separa o PET cristal do colorido. Nessa planta são anualmente processadas 4,5 mil toneladas de garrafas, que originam flakes destinados a outra unidade, em Osasco-SP, na qual a empresa produz 15 mil toneladas de resina reciclada de PET (essa unidade também recebe flakes de terceiros, e conta com seus próprios equipamentos de leitura óptica para separá-los).

    Em uma fábrica instalada na cidade norte-americana de Jacksonville, na Flórida, onde produz 14 mil toneladas de flakes por ano, a Tepx implementou um processo que, além dos equipamentos existentes na operação brasileira, inclui também sistema balístico para a separação de materiais de duas ou três dimensões, e equipamentos para retirada dos rótulos das garrafas.

    No mercado norte-americano, diz Mauro Napolitano, diretor-geral do Grupo Tepx, a automação da separação já é imprescindível. E não apenas porque lá a mão de obra é mais cara que a brasileira, ou pela existência de plantas de reciclagem muito grandes, inviáveis sem recursos mecanizados, mas pelas próprias características do material que os recicladores recebem.



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