É preciso mudar para competir – Abiplast

Plástico Moderno - É preciso mudar para competir - Abiplast ©QD Foto: Divulgação

Penúltimo lugar. Pelo décimo ano seguido, este é o posto do Brasil no ranking de competitividade da CNI (Confederação Nacional da Indústria). Na lista de 18 países com economias semelhantes, somente a Argentina está em situação pior, na lanterna, enquanto Coreia do Sul, Canadá e Austrália figuram nos primeiros lugares. De nove fatores analisados, o relatório indica que os principais entraves brasileiros são “Financiamento” e “Tributação”.

Plástico Moderno - Uma reforma ampla e corajosa para o Brasil - Abiplast ©QD Foto: iStockPhoto
José Ricardo Roriz Coelho é presidente da ABIPLAST – Associação Brasileira da Indústria do Plástico e do SINDIPLAST – Sindicato Indústria Material Plástico Estado São Paulo, e vice-presidente da FIESP – Federação das Indústrias do Estado de São Paulo

O atual cenário de baixíssima taxa básica de juros (2%) deveria atrair e aumentar a alocação de investimentos produtivos no Brasil. Porém, a realidade é outra, completamente diferente. Além da Selic em patamar histórico, financiar a economia de qualquer país pressupõe ambiente competitivo favorável. Há exatamente o oposto em nossa realidade, a ponto de existir uma expressão para definir o panorama adverso e imprevisível: Custo Brasil.

No relatório da CNI, é evidenciado como “alto custo de capital”, exemplificado no maior spread da taxa de juros (32,2%) entre os 18 países, além da maior taxa de juros de curto prazo (8,8%). Acrescento o custo dos empréstimos que, a despeito da Selic a 2%, está em níveis excessivos – na casa de 15%, 16% ao ano.

Estudo realizado em 2019 pela Secretaria Especial de Produtividade, Emprego e Competitividade (Sepec) do Ministério da Economia, em parceria com o setor produtivo, com participação da Abiplast – dentro do Movimento Brasil Competitivo – e o apoio técnico do Center for Public Impact (Boston Consulting Group), vai na mesma direção e sintetiza o Custo Brasil em um número: R$ 1,5 trilhão.

Este é o custo anual para se investir no Brasil, em comparação à média dos países-membros da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico). Para ilustrar mais o tópico do financiamento, o estudo estima, por exemplo, que os países da OCDE possuem, em média, 63% mais crédito disponível do que o Brasil. Outro dado relevante mostra que os países da OCDE gastam 26% menos para abrir um negócio, além de formalizar o acordo em menos da metade do tempo gasto aqui.

Também relatada pela CNI, a questão tributária aparece de forma inequívoca no estudo da Sepec. Na questão da burocracia, por exemplo, as empresas brasileiras gastam 92% a mais de tempo para empresas prepararem seus impostos em relação aos outros países da OCDE. Em relação a custos, empresas de fora dedicam em média 38% a menos de seus lucros para impostos do que as empresas brasileiras. Na média dos países da OCDE, a contribuição das empresas em relação ao total de lucros é de 40%, enquanto no Brasil a contribuição chega a 65%.

Ademais os pontos sobre financiamento e tributação, o estudo também escancara outros problemas típicos do ambiente de negócios do país, como o baixo o grau de interação entre empresas e universidades (apenas 5% das empresas criam inovações junto com as universidades, enquanto na OCDE o índice chega a 14%), a colaboração entre empresas e instituições internacionais (somente 4% no Brasil, em comparação a 18% nos países da OCDE) e até o tempo para se fechar um negócio – 19% a menos nos países da OCDE, ou seja, custo de R$ 3,3 mil a mais no Brasil em relação aos outros.

Portanto, o Brasil precisa mudar – e muito – para competir melhor com os outros países. É urgente uma agenda com plano de ações e metas, para atacar os problemas que temos, criar condições para nossas empresas e, sobretudo, reduzir o Custo Brasil, um obstáculo gigantesco ao desenvolvimento econômico e humano da nação.

Texto: José Ricardo Roriz Coelho

Plástico Moderno -

Abiplast

O setor nacional de transformados plásticos e reciclagem encontra representação e apoio, há mais de cinco décadas, na Associação Brasileira da Indústria do Plástico (ABIPLAST), desde que o segmento começou a se desenvolver no País. O trabalho iniciado em 1967 responde atualmente a um total de 12 mil empresas e 325 mil profissionais.
Para manter forte essa representação, a entidade conta com o trabalho conjunto e colaborativo de 23 sindicatos estaduais, que fortalecem o setor regionalmente, e associações parceiras, que contribuem para reiterar a importância da nossa indústria.
A entidade, mais que defender os interesses e prestar assistência à categoria por meio de diversos serviços e iniciativas, tem o papel de valorizar o plástico, promover o setor e sua competitividade, bem como os avanços tecnológicos com foco na sustentabilidade. Para o Brasil, o progresso dessa atividade industrial causa um efeito multiplicador e mostra-se importante por trazer inúmeros benefícios econômicos e socioambientais.
Mais informações: http://www.abiplast.org.br/

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