Reciclagem

É economia circular e não conto de fadas – ABIEF

Rogerio Mani
13 de julho de 2020
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    Plástico Moderno -

    A economia circular está sendo cantada em verso e prosa. Sei que a frase soa poética, mas reflete bem uma percepção: vemos diversas soluções sendo apresentadas, mas nem sempre contemplam os fatos e estão adequadas à realidade. Ou seja, antes de alardear a Economia Circular devemos quebrar paradigmas e avaliar a questão – e todos os seus prós e contras – de frente.

    Sendo assim, fica a pergunta: “Queremos tratar o tema Economia Circular como custo ou solucionar de vez as demandas que nós mesmos geramos?”

    Para ajudar neste raciocínio, é bom lembrar que a Economia Circular é um conceito que repensa as práticas econômicas e visa manter produtos, componentes e materiais em circulação, aproveitando ao máximo seu valor e utilidade. Estamos falando de um conceito de ‘cradle to cradle’, ou seja, ‘do berço ao berço’.

    A Economia Circular vai além do conceito dos três Rs (reduzir, reutilizar e reciclar) e está calcada em um modelo sustentável que segue o ritmo tecnológico e comercial do mundo atual. Sendo assim, podemos dizer que o que praticamos hoje é uma ‘subciclagem’ ou downcycle de materiais que não foram projetados considerando seu reaproveitamento pós consumo.

    O projeto de Economia Circular é, portanto, mais complexo e inclui sistemas de reparo, reuso e remanufatura, além da reciclagem propriamente dita, em que matérias-primas mantêm ou mesmo aumentam seu valor. Estamos falando de upcycle ou uma ‘superciclagem’. O oposto total da tradicional economia linear, baseada nos processos ‘extrair-produzir-descartar’.

    Infelizmente vemos muitas empresas, especialmente os donos de marcas, insistindo em praticar a Economia Circular com base na redução de custos. Para eles, a ‘simples’ inclusão de conteúdo reciclado nas embalagens é a solução. Não é simples e não é barato.

    É preciso esclarecer, de forma responsável, que o custo de se produzir um material reciclado, no Brasil, é superior ao da produção de matéria-prima virgem. Trata-se de uma cadeia complexa e que envolve vários players e etapas: coleta, separação, higienização, logística, produção, especificações técnicas próprias, etc. Enfim, é todo um sistema diferente que não pode se equiparar ao da matéria-prima virgem.

    Plástico Moderno -

    Rogério Mani, presidente da Abief

    Se a busca for por redução de custo, não percam seu tempo na Economia Circular. Basta especular e aproveitar os altos e baixos dos preços da matéria-prima virgem. Agora, se a proposta é realmente introjetar o conceito de Economia Circular na cultura da empresa e oferecê-la na forma de produtos para o consumidor final, é preciso entender que há uma grande possibilidade dos custos de produção serem superiores, pelo menos por enquanto, pelo menos frente à realidade atual. E isto só não enxerga quem não quer.

    O material PCR (reciclagem pós consumo) não é uma matéria-prima virgem que foi reciclada, como bem lembrou Amarildo Bazan, da Bazan Consultoria de Negócios. Ele é um produto completamente novo que passou por uma complexa cadeia de produção para chegar a ser novamente matéria-prima.

    E como relatou o CEO Global da Nestlé, por enquanto os produtos reciclados ou produzidos com matéria-prima reciclada continuarão a ter um custo de produção mais alto. A boa notícia é que o consumidor, cada vez mais consciente de seu papel social e ambiental, estará disposto a arcar com esse custo se ele representar uma mudança de impacto positivo.

    Precisamos quebrar o paradigma de que reciclado é mais barato e sair da inspiração da Economia Circular para a verdadeira transpiração de um trabalho calcado em reciclagem e sustentabilidade!!!

    O Brasil pode se tornar um exemplo para o mundo, mas precisamos que todos tenham clareza sobre a importância de se PRATICAR Economia Circular e não apenas discursar sobre ela!

    Texto: Rogério Mani

    Plástico Moderno -

    Abief

    Desde sua criação em 1977, a ABIEF mantém firme o propósito de defender os interesses da indústria brasileira de embalagens plásticas flexíveis. E os mecanismos para tal evoluíram junto com a entidade nestes 41 anos. Hoje todo o planejamento estratégico da ABIEF é permeado por conceitos de compliance e pela total transparência junto aos seus associados, ao mercado e à sociedade.
    A ABIEF busca ainda a permanente adequação às novas diretrizes dos mercados nacional e internacional, renovando, diariamente, o compromisso assumido com os principais objetivos traçados em sua criação.
    Mais informações: http://abief.com.br/home



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