Domissanitários: O que esperar de 2023

Perspectivas 2023

É possível afirmar, sem muito medo de errar, que os últimos anos têm sido dos mais difíceis de se traçar perspectivas setoriais e econômicas desde meados do século 20.

Os modelos preditivos não aderem, pois lidamos com realidades nacionais e globais complexas (pandemia, crises econômica e política e recuperação de demanda).

E isso, por si só, aumenta a subjetividade de qualquer perspectiva.

No entanto, desde o surgimento da Covid-19, o ano de 2023 talvez seja o que mais se encaixe em um cenário de “normalidade”.

A palavra segue entre aspas porque a imprevisibilidade ainda impera.

No cenário global, há incertezas sobre temas geopolíticos, como a guerra na Ucrânia e suas consequências; a inflação mundial que ainda não cedeu, mesmo com o retorno das cadeias globais de abastecimento; e ambientais, como a possibilidade da volta do El Niño, a partir do segundo semestre, apenas para ficar em alguns exemplos.

No Brasil, temos o primeiro ano de um novo governo, fato que sempre dificulta qualquer tipo de previsão, já que é, justamente, nos primeiros meses de mandato que os governos buscam a implementação das reformas que julgam necessárias e isso pode ter reflexos positivos ou negativos na economia no curto prazo.

Mas, o que isso tem a ver com mercado de produtos de limpeza?

A verdade é que, em uma economia global, não é possível traçar qualquer perspectiva sem avaliar todos esses fatores.

Explico: apenas para ilustrar, se a volta do El Niño se confirmar, teremos, em um primeiro momento, o aumento da temperatura em diversas regiões.

Ondas de calor elevam os índices de precipitação em algumas partes do globo, causando seca em outras.

Supondo que o El Niño repetisse o padrão de sua última aparição, teríamos chuvas torrenciais na América do Sul, de forma geral, e secas no Nordeste brasileiro e no Sudeste Asiático.

Para o nosso setor, isso implicaria planejar linhas de produção focadas em tratamento de água e desinfestantes domissanitários para a América do Sul, e fortalecer as linhas de produtos de limpeza a seco ou sem enxágue para exportação.

Produtos para higienização de ar-condicionado podem ser impulsionados, assim como água sanitária e desinfetantes utilizados em limpezas pós-enchentes, a depender da região.

Outro exemplo: a Abipla mantém uma série de temas em debate com a Anvisa – Agência Nacional de Vigilância Sanitária e, caso sejam implementados, o mercado nacional pode receber itens comercializados em outros países, mas que ainda não estão nas prateleiras brasileiras.

Com isso, teríamos muitas novidades, atualização do portifólio de produtos com Europa e EUA, podendo ocasionar um aumento de demanda e de oferta sensível, colocando a indústria de saneantes nacional em linha com o que há de melhor no mundo.

É importante lembrar que as previsões são necessárias para que as empresas possam alocar, de forma eficiente, seus recursos nas áreas que tendem a apresentar maior demanda.

Para a Abipla, essas análises fornecem subsídios para a indústria buscar soluções para continuar crescendo, gerando empregos e produzindo saneantes seguros, eficientes, sustentáveis e acessíveis à população.

Com tudo colocado na balança, estamos trabalhando com uma previsão de crescimento de cerca de 2% em 2023, o que significaria um novo recorde nos níveis de produção de saneantes.

Para o nosso setor, embora ainda estejamos enfrentando altos preços na aquisição de matérias-primas, especialmente as importadas, o cenário está bastante próximo à normalidade: as cadeias de suprimento estão funcionando de forma regular, a demanda se mantém estável, com possibilidade de alta, e as empresas estão bem estruturadas para atender o mercado.

24 anos da Anvisa – No dia 26 de janeiro, a Anvisa completou 24 anos de sua fundação e, em nome da Abipla, gostaria de homenagear a agência pelo excelente trabalho que vem realizando desde 1999.

Temos contatos regulares com a entidade sobre a regulação de produtos de limpeza e é preciso reconhecer a lisura e zelo técnico que a Anvisa emprega em todas as suas análises.

Um excelente ano de 2023 a todos os leitores!

Vamos em frente!

Domissanitários: O que esperar de 2023 ©QD Foto: iStockPhoto
Paulo Engler é diretor-executivo da Abipla

Paulo Engler é diretor-executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Produtos de Higiene, Limpeza e Saneantes de Uso Doméstico e de Uso Profissional (Abipla). Fundada em 1976, a Abipla representa os fabricantes de sabões, detergentes, produtos de limpeza, polimento e inseticidas, promovendo discussões sobre competitividade, inovação, saúde pública e consumo sustentável. Seus associados representam o mercado de higiene, limpeza e saneantes do Brasil, setor que movimenta R$ 32 bilhões anuais e responde por cerca de 90 mil empregos diretos.

ABIPLA

A Associação Brasileira das Indústrias de Produtos de Higiene, Limpeza e Saneantes de Uso Doméstico e de Uso Profissional (ABIPLA) foi fundada em 12 de Novembro 1976 com o propósito de representar o setor perante os agentes públicos; promovendo discussões sobre competitividade, inovações, saúde pública e consumo sustentável.

Atualmente, a entidade é referência nacional em assuntos regulatórios e tributários, combate à contrafação (clandestinidade) e adequação às normas de proteção ao meio ambiente. Para a sua elaboração, a Abipla se inspirou nas mais modernas tendências globais sobre o tema, com destaque para as seguintes áreas: redução de produtos químicos em geral, redução da geração de embalagens, redução da emissão de gases de efeito estufa, diminuição do consumo de energia e otimização do uso da água.

Em 1995, a entidade também passou a representar o setor junto ao Comitê de Indústrias de Productos de Limpieza Personal, Hogar y Afines Del Mercosur (Coinplan) e, em 2005, junto à Asociación Latino-Americana de Artículos Domisanitários y Afines (Aliada).

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