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Dólar caro e corte de oferta na China preocupam os transformadores – TiO2

Marcelo Fairbanks
29 de julho de 2018
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    Plástico Moderno, Dólar caro e corte de oferta na China preocupam os transformadores - TiO2

    As importações de dióxido de titânio (TiO2) mantiveram no primeiro quadrimestre o ritmo crescente iniciado em 2017. Caso se mantenha o volume mensal ao longo do ano, será possível retornar ao patamar de negócios com o pigmento verificado em 2014, ou seja, no momento anterior à crise econômica.

    Porém, a forte valorização do dólar americano em relação às demais moedas, em especial às dos países emergente, caso do Brasil, pode ser um empecilho para a evolução dessas importações. Também será preciso esperar para saber qual o impacto da variação cambial no desempenho da economia brasileira em geral, que será determinante para o comportamento da demanda por tintas, plásticos e papéis, os maiores consumidores do dióxido de titânio.

    Plástico Moderno, Marino: preço ainda não chegou ao praticado na crise de 2010

    Marino: preço ainda não chegou ao praticado na crise de 2010

    A China, importante player global, está pressionando toda a sua indústria – inclusive a química – a adotar padrões ambientais mais elevados. Esperava-se que a forte pressão oficial afetasse a oferta de dióxido de titânio, mas isso não está se verificando na prática. Percebe-se uma retomada dos preços globais do pigmento, porém isso se deve aos movimentos normais do mercado, caracterizado por ciclos de alta e baixa frequentes.

    Como explicou Ciro de Mattos Marino, CEO da Cristal (segunda maior produtora global) no Brasil, o mercado mundial do dióxido de titânio, estimado em torno de 6 milhões de t/ano, em 2017, com crescimento de 2,3% sobre o ano anterior, permanece buscando um ponto de equilíbrio depois do baque de 2015, quando as indústrias desovaram seus enormes estoques para fazer caixa, deprimindo os valores de negociação em todo o mundo. “Isso foi feito porque toda a cadeia de consumo estava estocada, num momento em que a economia global estava relativamente fraca, em processo iniciado em 2013”, comentou. Com o caixa apertado, os fabricantes adiaram as intervenções de manutenção necessárias para garantir a confiabilidade operacional.

    Em 2015, com mercado saturado de produtos, os clientes também reduziram seus estoques, porém 2016 começou desabastecido e com as fábricas de TiO2 parando para manutenções corretivas inadiáveis. “No entanto, a situação se inverteu completamente, em 2016 não havia mais produtos em estoque, os clientes voltaram a comprar e, com o receio de ficar sem insumo, compraram além do necessário”, relatou Marino. Os preços dispararam. “De 2015 para cá, a alta é da ordem de 50%, mas ainda com o valor bem abaixo do verificado na crise de abastecimento anterior, a de 2010/11”.

    Marino comentou que, à medida que o preço do TiO2 sobe, a demanda se retrai. O ponto crítico histórico seria a cotação de US$ 4 mil/t. “Quando se chega nesse valor, o uso de extensores e sucedâneos do titânio vai ao máximo possível e o mercado começa a adotar novos padrões de qualidade e desempenho para os produtos, reduzindo a utilização dos pigmentos nas formulações”, apontou. A indústria de tintas é a mais afetada pelo preço do insumo, porque o consumidor final é o menos tecnicamente preparado para entender as mudanças na composição dos itens que adquire. Por sua vez, os clientes das indústrias de papel e plástico, por atuarem como transformadores e intermediários na cadeia de suprimentos, são profissionais e conhecem bem as características que desejam e nem sempre aceitam alterações nas suas formulações.

    Quanto à evolução tecnológica, ela segue sendo feita lentamente. “Não há grandes novidades, lançamos em 2016 o TiONA 242 para substituir o antigo RFKD, muito consumido no setor de plásticos”, comentou.



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