Diversificação e presença de estrangeiros animam as vendas

Feiplastic

Muitas novidades voltadas para o desenvolvimento de novas aplicações e aumento de produtividade das indústrias do plástico foram as atrações principais da Feiplastic, realizada de 3 a 7 de abril no Expo Center Norte, em São Paulo.

A feira foi organizada pela Reed Exhibitions Alcantara Machado com apoio da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast). De acordo com dados da organizadora, o evento reuniu mil marcas expositoras nacionais e internacionais, com a participação de 15 países expositores.

O balanço divulgado do evento foi classificado como bastante positivo pelos responsáveis pela feira.

Com o apoio do Think Plastic Brazil, programa de apoio à exportação criado pelo Instituto Nacional do Plástico, e da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) foi realizada a Rodada de Negócios Internacional.

Ela contou com a realização de 217 reuniões, gerando aproximadamente R$ 40 milhões em negócios. Contou com a participação de 46 empresas brasileiras e 11 compradores de nove diferentes países, entre eles México, Argentina, Uruguai e Chile. Já na Rodada de Negócios Nacional, organizada pela Reed Exhibitions, foram mais de 60 reuniões que geraram cerca de R$ 20 milhões.

Com expectativa otimista sobre o início de um período de recuperação da economia, organizadores e expositores exaltaram de forma unânime a importância de investir em inovação em momento de competitividade extrema como o atual. Para todos, em um mundo de negócios cada vez mais globalizado quem não investir em tecnologia aprimorada sofrerá para sobreviver. “

A melhor maneira de enfrentar as dificuldades é aumentar a produtividade e passar a ser mais competitivo. A indústria do plástico possui essas condições, investe em inovação e está presente em inúmeros setores da economia, produzimos da seringa do posto de saúde até peças de avião”, resume José Ricardo Roriz Coelho, presidente da Abiplast.

O dirigente não quis entrar em detalhes sobre o surgimento da Plástico Brasil, feira idealizada pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) e não referiu à ausência de grandes nomes da indústria de base nacional e de outras empresas que preferiram participar do evento concorrente. Ele ressaltou as qualidades da Feiplastic.

“Essa feira não é só de máquinas, envolve todo o universo da cadeia do plástico, mostra o que há de novo em processos, sistemas, materiais, logística, relações comerciais; ela é visitada por pessoas com poder de decisão de compra”.

Característica particular

Em momentos de crise ou não, a indústria do plástico tem uma característica particular em relação às demais matérias-primas do setor de transformação. Graças à versatilidade do plástico, sempre surgem possibilidades de novas aplicações em produtos os mais variados. Isso ocorre a partir do investimento em pesquisa e desenvolvimento feito por grandes multinacionais do mundo petroquímico. O segredo para essas empresas é detectar as necessidades dos consumidores e trabalhar em parceria com os transformadores para chegar a formulações de resinas e aditivos que atendam a demanda.

Boa mostra das novidades oferecidas ao mercado pode ser conferido na Feiplastic.

A nacional Braskem contou com o maior estande do evento, sempre muito frequentado. No espaço, a estratégia de marketing da empresa foi proclamar sua proximidade com o cliente, sua parceria na hora de desenvolver soluções inovadoras. “Estamos lançando novas famílias para as resinas de polietileno e polipropileno, além de divulgarmos nosso programa Wecycle, voltado para desenvolver soluções de reciclagem”, informa Walmir Soller, diretor de negócio polipropileno Brasil.

Na linha de polietilenos rígidos, a empresa lançou a família Rigeo, com destaque para a resina Rigeo Lumios. Ela proporciona, de acordo com a empresa, aumento do brilho superficial e melhor acabamento às embalagens sopradas.

Os mercados prioritários da empresa são os de cosméticos, higiene e limpeza e alimentos. Outro destaque foi dado à família Maxio, indicada ao mercado de ráfia. “Ela permite ganho de produtividade de 12% em sacarias e de 15% em tampas, com economia de energia ao transformador e maior ecoeficiência aos produtos”, ressalta Soller.

Também foi lançado o polipropileno com a marca Amppleo, voltado para a produção de espumas de alto desempenho. De acordo com o diretor, essa resina suporta temperaturas até 100ºC sem deformar. Pode ser usada na produção de peças que exijam alta densidade (de 35 kg a 300 kg por metro cúbico) e permite redução de peso em relação aos materiais similares, além de excelente isolamento térmico e acústico. As peças confeccionadas com o Amppleo podem ser totalmente recicladas.

Em paralelo à divulgação de suas marcas, a empresa divulgou, em seu estande, os resultados do Plano de Incentivo à Cadeia do Plástico (PICPlast).

Iniciativa da Braskem em conjunto com a Abiplast, o programa foi lançado em setembro de 2013 e tem como principal vertente desenvolver programas de aumento de eficiência e acesso ao mercado internacional para a indústria brasileira de transformação. “Ele já beneficiou 480 empresas”.

Dentes, pedais, aviões…

Grupo Solvay

O Grupo Solvay, com sede em Bruxelas, por meio de sua divisão de polímeros especiais, divulgou na Feiplastic seu portfólio de plásticos de engenharia.

São produtos baseados em poliamida, indicados para a indústria automotiva, aeroespacial e de saúde, entre outros segmentos da economia.

Uma das novidades é a linha Solvay Dental 360, voltada para cuidados dentários, criada para substituir o metal no segmento de próteses dentárias parcialmente removíveis isentas de metal, biocompátiveis, mais confortáveis, de aparência natural e 60% mais leves do que as de estrutura metálica.

Na área automotiva, um desafio tem sido reduzir o peso dos veículos com a substituição de peças metálicas no motor.

Para essa aplicação, os plásticos precisam apresentar, conforme o caso, elevada resistência mecânica, à temperatura e/ou química. Nos aviões também se encontram vários materiais oferecidos pelo grupo. Entre eles, o compósito TegraCore PPSU, usado para a produção de espuma estrutural para painéis e revestimentos. Na área de embalagens, a pesquisa se concentra com maior ênfase em resinas que oferecem barreiras ao oxigênio.

“Temos reforçado nossa presença comercial na região procurando aproveitar as oportunidades oferecidas pelo mercado. No Brasil, os mercados que geram maiores vendas são os automotivos e de embalagens. “Também estamos trabalhando bastante para desenvolver materiais para exploração de óleo e gás, como os utilizados na zona do pré-sal”, afirma Andreas Savvides, diretor regional de vendas e marketing.

O primeiro pedal de embreagem para caminhões feito totalmente em plástico produzido no mundo foi um trabalho recente desenvolvido no Brasil pela Lanxess, em parceria com a indústria Boge.

A Lanxess é especialista em plásticos para uso em aplicações técnicas, aditivos e pigmentos.

Mundo afora, o uso de pedais para automóveis feitos em plástico já faz parte do dia a dia da multinacional. Em 2016, ela ganhou o Prêmio Automotivo da Society of Plastics Engineers com um pedal de freio feito para o veículo Porsche Panamera. O material indicado para essa aplicação é o Tepex, compósito reforçado com fibras contínuas obtidas a partir do vidro ou carbono, de acordo com a aplicação.

O Tepex é um dos vários itens desenvolvidos pela unidade High Performance Materials. As aplicações são produzidas a partir dos materiais das linhas Durethan (poliamidas 6 e 6.6) e Pocan (PBT), e suas blendas. “O objetivo de nossa unidade é usar nosso know how para criar soluções junto aos clientes para aplicações técnicas”, explica Marcelo Corrêa, gerente de marketing e vendas.

Eastman

Uma pista de boliche onde copos de liquidificador faziam o papel dos pinos chamou a atenção no estande da Eastman, empresa global de materiais avançados e aditivos especiais.

Os copos, produzidos para o modelo Philips Walita Duravita ProBlender 6, foram produzidos com o copoliéster Tritan, produto que recebeu a maior atenção da empresa em sua estratégia de comunicação no evento.

“O Tritan tem como características mais importantes aguentar temperaturas até 116ºC e proporcionar elevada resistência mecânica, sendo indicado para diversas aplicações, como eletrodomésticos, embalagens de cosméticos e potes, entre outras”, informa Rogério Dias, gerente de negócios.

 

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