Armazenamento e Transporte

Distribuição: Vendas em alta animam setor a investir

Antonio Carlos Santomauro
2 de outubro de 2019
    -(reset)+

    Mais importação – A análise da evolução dos negócios realizados este ano no mercado brasileiro de distribuição deve considerar que, especialmente no segmento das commodities, parte crescente da demanda nacional por resinas vem sendo suprida pela importação. As importações de PE e PP, por exemplo, “cresceram cerca dois dígitos no primeiro semestre deste ano, comparativamente ao mesmo período do ano anterior”, diz Sancho, da Piramidal. “O dólar caiu um pouco e há muita oferta de resina no mundo”, justifica.

    Plástico Moderno - Fernandes: PP do exterior está ocupando espaços no mercado

    Fernandes: PP do exterior está ocupando espaços no mercado

    A expansão da importação significa não apenas volumes maiores de resinas trazidas do exterior, mas também aumento da participação dos produtos importados em mais segmentos do mercado de distribuição. Pode se perceber isso nas palavras de Rodrigo Brayner Fernandes, diretor da distribuidora Eteno. “A importação de PE já vinha de algum tempo, mas agora cresce também a importação de PP, proveniente de países como Colômbia, Argentina e Estados Unidos”, relata.

    A combinação entre importação em alta e demanda retraída, avalia Fernandes, resulta em “enorme competitividade, e mesmo muita confusão no mercado de distribuição de resinas, no qual há muita oferta, proveniente de muita gente, e nem todos atuando com as melhores práticas comerciais”. Segundo ele, “PP e EVA estão sentindo mais os efeitos da conjuntura, até porque essas resinas têm mais a ver com embalagens rígidas, com a construção civil, com a indústria de calçados, setores que estão sofrendo bastante”.

    Distribuidora de resinas da Braskem e da Unigel, e de masterbatches e aditivos da Cromex, a Eteno, projeta o diretor da empresa, mesmo nessas circunstâncias adversas deverá este ano distribuir o mesmo volume de resinas que comercializou no ano passado. “Conseguimos isso no primeiro semestre”, informa.

    Plástico Moderno - Rodrigues: PA 6 oferece mais vantagens do que a PA 6.6

    Rodrigues: PA 6 oferece mais vantagens do que a PA 6.6

    Já a Thati, distribuidora especializada em plásticos de engenharia, como POM, PA6, PA66 e PBT, na primeira metade deste ano atuou em uma conjuntura que, de acordo com o diretor João Rodrigues, até teve alguns picos de alta, mas também configurou um movimento de baixa para determinados itens, principalmente aqueles voltados para o setor automotivo.

    O preço da PA 6.6, especifica Rodrigues, mesmo tendo sinalizado algumas quedas ainda se mantém em patamares elevados após as expressivas altas registradas no ano passado. Por isso, aplicações antes especificadas com ela migraram para PA 6, e essas duas resinas atualmente concorrem para atender vários usos, principalmente aqueles que exigem reforço com fibras de vidro (de 10% a 60%), a exemplo de maçanetas, alavancas, suportes e componentes instalados sob o capô do automóvel, e que precisam de maior resistência térmica.

    Nessas aplicações, argumenta o diretor da Thathi, além de atingir desempenho equivalente, comparativamente à PA 6.6, a PA6 pode propiciar melhor acabamento superficial e oferecer resistência ao impacto ligeiramente superior, com uma considerável redução no custo de aquisição da matéria-prima. “Mesmo importando as resinas-base e produzindo localmente compostos de PA 6 e PA 6.6, hoje oferecemos a primeira dessas resinas como opção inicial sempre que ela se adequar ao desenvolvimento de um projeto”, enfatiza Rodrigues.

    Segundo ele, o segmento que mais demandou produtos da Thathi no primeiro semestre foi a extrusão de filmes e tarugos, enquanto na transformação por injeção ocorreram variações mês a mês, sendo assim difícil fazer prognósticos para os meses subsequentes. “O setor automotivo é aquele que mais permite formulações para injeção com as quatro resinas com as quais trabalhamos. Mas outros segmentos também são importantes nos resultados operacionais da Thathi e fazemos esforços não somente para mantê-los, mas ampliá-los”, destaca o diretor da empresa.

    Mais especialidades – Multinacional de origem espanhola, e distribuidora oficial dos polietilenos e especialidades da Dow, a SM Resinas, diz o diretor James Tavares, trabalha com perspectivas otimistas neste segundo semestre. “Projetamos um incremento na venda de especialidades e lineares de octeno para aplicações mais técnicas. Em contrapartida, para os lineares de buteno esperamos aumento da competição e redução das margens”, especifica Tavares.

    Na primeira metade do ano, ele relata, a SM obteve “resultados positivos, dentro do esperado”, registrando uma desaceleração mais acentuada, no final desse período no mercado da rotomoldagem. “No mercado de filmes técnicos, apresentamos crescimento motivado pelo aumento do portfólio e da disponibilidade de produtos com desempenho diferenciado em estrutura de coextrusão”, detalha o diretor da empresa.

    Também foram positivos os resultados obtidos a partir das especialidades da DuPont, agora incorporadas ao portfólio da Dow, e que a SM começou a disponibilizar no final do ano passo. Um dos destaques desse portfólio da DuPont é a linha de ionômeros Surlyn, com aplicações em embalagens técnicas muliticamadas e tampas de perfume. “Obtivemos um crescimento relevante com a linha de especialidades da DuPont”, ressalta Tavares.

    Também multinacional, a Toray distribui apenas os produtos fabricados pelo próprio grupo Toray, sediado no Japão. ABS, blendas ABS/PC, PBT , PA 6 e PA 6.6 e seus compostos, são suas principais linhas. E, graças principalmente aos negócios realizados com o setor automotivo, o primeiro semestre foi “muito bom” para a operação brasileira da Toray, diz o coordenador de vendas e marketing Luiz Rocha. “Projetamos, porém, um desaquecimento na segunda metade do ano, até porque o setor automotivo deve enfrentar mais dificuldades”, ressalva Rocha.

    No Brasil, os maiores volumes de negócios da Toray são realizados com ABS e PC/ABS. Rocha percebe potencial para maior utilização de outras resinas presentes em seu portfolio. “O PPS (resina de sulfeto de polifenileno), por exemplo, hoje é usado principalmente em componentes elétricos dos automóveis. Mas os novos carros, como os elétricos e híbridos, têm mais componentes elétricos, e podem usar PPS no próprio motor, na bateria, em conexões”, observa.



    Recomendamos também:








    0 Comentários


    Seja o primeiro a comentar!


    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *