Distribuição: Vendas em alta animam setor a investir

Plástico Moderno - Distribuição: Vendas em alta animam setor a investir, apesar da rentabilidade apertada

Levando-se em conta que a maioria das projeções para este ano apontem um crescimento do PIB brasileiro abaixo de 1%, não podem ser considerados ruins os números referentes à evolução dos negócios dos distribuidores de resinas plásticas.

Plástico Moderno - Gonçalves: reforma tributária eliminará vantagens indevidas
Gonçalves: reforma tributária eliminará vantagens indevidas

Nesta segunda metade de 2019, informam as estimativas da Associação Brasileira dos Distribuidores de Resinas Plásticas e Afins – Adirplast, as quantidades de resinas comercializadas pelos distribuidores associados à entidade serão 5% superiores aos registrados no mesmo período de 2018. No primeiro semestre recém-findo, esse volume cresceu 3,5%, comparativamente ao mesmo período de 2018; em relação ao segundo semestre do ano passado, esse índice sobe para 5,8%.

Como acontece há algum tempo, os negócios com plásticos de engenharia, como PA 6 e 6.6, PC, ABS, POM e PMMA, cresceram mais significativamente. “Considerando apenas o volume de vendas das duas principais commodities, os polietilenos e o polipropileno, houve aumento de 3,2% em relação ao primeiro semestre de 2018”, especifica Laércio Gonçalves, presidente da Adirplast. “O pior desempenho foi do polipropileno”.

O varejo, segundo a Adirplast, responde atualmente por cerca de 20% do mercado nacional de resinas, cabendo aos distribuidores associados à entidade o atendimento de algo entre 40% e 45% dessa demanda. E, atingido o índice de expansão projetado para o segundo semestre, no decorrer de 2019 esses associados terão colocado no mercado um total de 464 mil toneladas de resinas.

Mas as margens com as quais trabalham esses distribuidores oficiais, enfatiza Gonçalves, são a cada dia mais reduzidas; culpa, em grande parte, da legislação fiscal que concede vantagens indevidas a revendas que muitas vezes se valem de artifícios para burlá-la. “Depositamos grande esperança na aprovação da reforma tributária liderada pela Câmara dos Deputados, baseada na excelente proposta de Bernard Appy”, responde o presidente da Adirplast.

Plástico Moderno - Sancho: excedente mundial de resinas estimula importações Surgem, porém, iniciativas pontuais capazes de ao menos atenuar os impactos das questões tributárias nos negócios dos distribuidores de resinas. Entre elas, Glaucio Sancho, gerente comercial da Piramidal, cita o programa ‘Nos Conformes’, lançado há pouco mais de um ano pelo governo paulista, que classifica empresas por meio de critérios como a qualidade fiscal de seus fornecedores e de seus dados de escrituração, entre outros.

Algumas empresas, relata Sancho, já solicitam a classificação nesse programa de seus fornecedores de resinas. “A Piramidal tem classificação A+, a mais elevada. E temos clientes que já não aceitem fornecedores que não tenham boa classificação”, diz.

Com um portfólio poderoso de fornecedores, no qual aparecem Braskem, Sabic, Unigel e Ineos Styrolution, entre vários outros, a Piramidal deve este ano incrementar seus negócios entre 5% e 7% acima do registrado em 2018, projeta Sancho. “PE , PP e PET devem ter maior incremento no segundo semestre, puxados por embalagens em geral, setor alimentício, higiene e limpeza, medicamentos, setor automotivo e agronegócios”, prevê o profissional da empresa. “Impulsionadas pelo setor automotivo, ABS, poliamidas e resinas de alto desempenho também devem manter bom resultado”, acrescenta.

Mais importação – A análise da evolução dos negócios realizados este ano no mercado brasileiro de distribuição deve considerar que, especialmente no segmento das commodities, parte crescente da demanda nacional por resinas vem sendo suprida pela importação. As importações de PE e PP, por exemplo, “cresceram cerca dois dígitos no primeiro semestre deste ano, comparativamente ao mesmo período do ano anterior”, diz Sancho, da Piramidal. “O dólar caiu um pouco e há muita oferta de resina no mundo”, justifica.

Plástico Moderno - Fernandes: PP do exterior está ocupando espaços no mercado
Fernandes: PP do exterior está ocupando espaços no mercado

A expansão da importação significa não apenas volumes maiores de resinas trazidas do exterior, mas também aumento da participação dos produtos importados em mais segmentos do mercado de distribuição. Pode se perceber isso nas palavras de Rodrigo Brayner Fernandes, diretor da distribuidora Eteno. “A importação de PE já vinha de algum tempo, mas agora cresce também a importação de PP, proveniente de países como Colômbia, Argentina e Estados Unidos”, relata.

A combinação entre importação em alta e demanda retraída, avalia Fernandes, resulta em “enorme competitividade, e mesmo muita confusão no mercado de distribuição de resinas, no qual há muita oferta, proveniente de muita gente, e nem todos atuando com as melhores práticas comerciais”. Segundo ele, “PP e EVA estão sentindo mais os efeitos da conjuntura, até porque essas resinas têm mais a ver com embalagens rígidas, com a construção civil, com a indústria de calçados, setores que estão sofrendo bastante”.

Distribuidora de resinas da Braskem e da Unigel, e de masterbatches e aditivos da Cromex, a Eteno, projeta o diretor da empresa, mesmo nessas circunstâncias adversas deverá este ano distribuir o mesmo volume de resinas que comercializou no ano passado. “Conseguimos isso no primeiro semestre”, informa.

Plástico Moderno - Rodrigues: PA 6 oferece mais vantagens do que a PA 6.6
Rodrigues: PA 6 oferece mais vantagens do que a PA 6.6

Já a Thati, distribuidora especializada em plásticos de engenharia, como POM, PA6, PA66 e PBT, na primeira metade deste ano atuou em uma conjuntura que, de acordo com o diretor João Rodrigues, até teve alguns picos de alta, mas também configurou um movimento de baixa para determinados itens, principalmente aqueles voltados para o setor automotivo.

O preço da PA 6.6, especifica Rodrigues, mesmo tendo sinalizado algumas quedas ainda se mantém em patamares elevados após as expressivas altas registradas no ano passado. Por isso, aplicações antes especificadas com ela migraram para PA 6, e essas duas resinas atualmente concorrem para atender vários usos, principalmente aqueles que exigem reforço com fibras de vidro (de 10% a 60%), a exemplo de maçanetas, alavancas, suportes e componentes instalados sob o capô do automóvel, e que precisam de maior resistência térmica.

Nessas aplicações, argumenta o diretor da Thathi, além de atingir desempenho equivalente, comparativamente à PA 6.6, a PA6 pode propiciar melhor acabamento superficial e oferecer resistência ao impacto ligeiramente superior, com uma considerável redução no custo de aquisição da matéria-prima. “Mesmo importando as resinas-base e produzindo localmente compostos de PA 6 e PA 6.6, hoje oferecemos a primeira dessas resinas como opção inicial sempre que ela se adequar ao desenvolvimento de um projeto”, enfatiza Rodrigues.

Segundo ele, o segmento que mais demandou produtos da Thathi no primeiro semestre foi a extrusão de filmes e tarugos, enquanto na transformação por injeção ocorreram variações mês a mês, sendo assim difícil fazer prognósticos para os meses subsequentes. “O setor automotivo é aquele que mais permite formulações para injeção com as quatro resinas com as quais trabalhamos. Mas outros segmentos também são importantes nos resultados operacionais da Thathi e fazemos esforços não somente para mantê-los, mas ampliá-los”, destaca o diretor da empresa.

Mais especialidades – Multinacional de origem espanhola, e distribuidora oficial dos polietilenos e especialidades da Dow, a SM Resinas, diz o diretor James Tavares, trabalha com perspectivas otimistas neste segundo semestre. “Projetamos um incremento na venda de especialidades e lineares de octeno para aplicações mais técnicas. Em contrapartida, para os lineares de buteno esperamos aumento da competição e redução das margens”, especifica Tavares.

Na primeira metade do ano, ele relata, a SM obteve “resultados positivos, dentro do esperado”, registrando uma desaceleração mais acentuada, no final desse período no mercado da rotomoldagem. “No mercado de filmes técnicos, apresentamos crescimento motivado pelo aumento do portfólio e da disponibilidade de produtos com desempenho diferenciado em estrutura de coextrusão”, detalha o diretor da empresa.

Também foram positivos os resultados obtidos a partir das especialidades da DuPont, agora incorporadas ao portfólio da Dow, e que a SM começou a disponibilizar no final do ano passo. Um dos destaques desse portfólio da DuPont é a linha de ionômeros Surlyn, com aplicações em embalagens técnicas muliticamadas e tampas de perfume. “Obtivemos um crescimento relevante com a linha de especialidades da DuPont”, ressalta Tavares.

Também multinacional, a Toray distribui apenas os produtos fabricados pelo próprio grupo Toray, sediado no Japão. ABS, blendas ABS/PC, PBT , PA 6 e PA 6.6 e seus compostos, são suas principais linhas. E, graças principalmente aos negócios realizados com o setor automotivo, o primeiro semestre foi “muito bom” para a operação brasileira da Toray, diz o coordenador de vendas e marketing Luiz Rocha. “Projetamos, porém, um desaquecimento na segunda metade do ano, até porque o setor automotivo deve enfrentar mais dificuldades”, ressalva Rocha.

No Brasil, os maiores volumes de negócios da Toray são realizados com ABS e PC/ABS. Rocha percebe potencial para maior utilização de outras resinas presentes em seu portfolio. “O PPS (resina de sulfeto de polifenileno), por exemplo, hoje é usado principalmente em componentes elétricos dos automóveis. Mas os novos carros, como os elétricos e híbridos, têm mais componentes elétricos, e podem usar PPS no próprio motor, na bateria, em conexões”, observa.

Mais commodities – Exacerbada pela retração da demanda interna e pelos volumes maiores da importação, a competividade hoje vigente no mercado nacional de resinas já expande o conceito das commodities para além do universo daquelas às quais ele já está bem vinculado, como PP e PE. “Alguns plásticos de engenharia, o ABS, por exemplo, estão sendo comercializados quase como o PP e o PE”, relata Gonçalves, da Adirplast.

Para algumas aplicações, também a poliamida 6 de alta viscosidade é hoje vendida quase como uma commodity, informa Rodrigues, da Thati. “Em mercados como filmes técnicos e semiacabados, como tarugos e placas, justamente aquelas que compram maiores volumes, o que manda hoje é basicamente o preço, não se dá valor ao fato de esse ser um plástico de engenharia”, relata. “Já os derivados com fibra de vidro, elastômeros e outros agentes que modificam as propriedades e características, apresentam margens condizentes com materiais de engenharia, e esse é o nicho que buscamos”, complementa Rodrigues.

Mesmo outras categorias de produtos hoje também trabalhadas pelas distribuidoras de resinas se tornam mais sujeitas a esse processo. “Masterbatches, por exemplo, hoje são vistos quase como commodities”, afirma Fernandes, da Eteno, que distribui masterbatches da Cromex.

Sediada em Recife-PE, a Eteno mantém um centro de distribuição nessa mesma cidade, e outro em Camaçari-BA. “Este ano, o centro de Camaçari mudou-se para uma área maior”, diz Fernandes.

Mais fornecedores, melhor logística – Desde o início deste ano, masterbatches são oferecidos também pela Piramidal, que agregou ao seu portfólio os concentrados de cores e aditivos da A. Schulman, empresa recém-adquirida pela LyondellBasell, da qual a Piramidal já distribuía PE de rotomoldadem micronizado (natural e em versões coloridas).

Entre o final do ano passado e início deste ano, a Piramidal inaugurou dois novos centros de distribuição: um deles em Camaçari-BA e outro em Itajaí-SC, este utilizado como apoio para as importações de resinas de engenharia. “Investimos fortemente em logística para estarmos mais perto dos transformadores, temos hoje dez centros de distribuição espalhados pelo país”, ressalta Sancho.

Também a Thathi passou a contar no final do ano passado com uma unidade no município catarinense de Itajaí, por onde chegam as suas importações. A mesma distribuidora agregou novos nomes ao seu leque de fornecedores, no qual já havia empresas como a alemã Domo Caproleuna, as chinesas Wuxi Synthetic e Blue Star, a Formosa Plastics, de Taiwan, e a as sul-coreanas LG Chemicals e Kolon Plastics, entre outras. “No ano passado, passamos a trabalhar com a KEP, da Coreia do Sul, que desenvolveu um acetal homopolímero para peças que serão submetidas a esforços mecânicos mais intensos, como engrenagens, mancais, roletes”, destaca Rodrigues.

A Activas, comandada por Laercio Gonçalves, também presidente da Adirplast, também integrou um novo nome ao seu rol de fornecedores: a Lotte, antiga unidade de resinas da Samsung, que agora lhe fornece ABS e PC. Também ampliou sua rede de filiais, que, com a inauguração, no primeiro semestre deste ano, de uma operação em Curitiba-PR, tem agora oito integrantes.

Apesar da conjuntura ainda pouco favorável, Gonçalves afirma trabalhar com perspectivas positivas para os negócios da Activas. “Com as reformas previdenciária e tributária, projeto melhorias já neste segundo semestre, e a partir daí pelos próximos anos”, salienta. “A Activas está preparada para aproveitar esse potencial e crescer no patamar de dois dígitos no decorrer deste ano”, acrescenta.

Tavares, da SM, também crê no aquecimento do mercado caso sejam realmente implementadas as reformas e outras medidas anunciadas estimuladoras da recuperação econômica. A indústria alimentícia, ele especifica, deve manter sua liderança entre os mercados nos quais atua sua empresa, até porque será favorecida pela elevação do consumo a partir da liberação de recursos do FGTS, e por alguma retomada dos investimentos com a aprovação da reforma da previdência pelo Congresso. “Caso se confirme o início da discussão da reforma tributária no terceiro trimestre, novo impacto positivo deve acontecer”, pondera Tavares.

Além de PE e especialidades da Dow, a SM distribui também resinas de PP da Petrocuyo e compostos de carbonato de cálcio e talco da Granic. O grupo SM, ressalta Tavares, está completando seis décadas de existência, e a partir da Espanha se consolidou como multinacional com operações em outros países europeus, nas Américas e na África. “No Brasil, reforçamos nossa estrutura para melhorar o atendimento e os serviços, passamos a distribuir resinas mais técnicas, as especialidades da DuPont, e investimos em tecnologia de informação e marketing estratégico”, relata.

Na Toray, Rocha projeta mais negócios até pela possibilidade de novos usos para resinas integrantes de seu portfólio. Caso, por exemplo, do ABS, em sua versão normal já utilizada em ampla escala pela indústria automobilística em itens como frisos e painéis. Mas há também o ABS transparente, um dos focos da empresa, que pode substituir o PC nos sistemas de iluminação LED, crescentemente empregados pela indústria automobilística. “No total, projetamos este ano crescer cerca de 5% sobre 2018, que já foi um ano bom”, finaliza Rocha.

Resumo do mercado de resinas distribuídas

Comparativamente ao mesmo período do ano passado, o volume de resinas comercializado neste segundo semestre pelos distribuidores oficiais deve ser cerca de 5% superior àquele registrado no mesmo período de 2018.

No primeiro semestre, o volume comercializado por esses distribuidores cresceu 3,5%, comparativamente ao mesmo período de 2018; relativamente à segunda metade do semestre do ano passado, o crescimento foi de 5,8%.

Tiveram maior crescimento no primeiro semestre os negócios dos distribuidores com os plásticos de engenharia, como PA 6 e PA 6.6, PC, ABS, POM e PMMA. No conjunto das duas principais commodities (PE e PP) houve aumento de 3,2% em relação ao primeiro semestre de 2018, e 7,4% em relação ao segundo semestre do ano passado.

Fonte: Adirplast


Resina reciclada tem retração

Plástico Moderno - Aparecido Alves da Silva ©QD Foto: Divulgação
Aparecido Alves da Silva

A conjuntura econômica desfavorável prejudica também o mercado de resinas recicladas; percebe-se isso no resultado obtido no semestre recém findo pela Poli Positivo. “Relativamente ao mesmo período de 2018, tivemos uma redução de 51% no volume negociado”, conta Aparecido Alves da Silva, diretor da empresa que recicla polipropileno e comercializa ela própria o produto dessa operação.

Seu mercado, pondera Silva, sofre também por persistir – em alguma medida até justificavelmente, pois a oferta nem sempre tem a necessária qualidade – uma desconfiança em relação ao PP reciclado. A Poli Positivo, como ressaltou, apresenta diferenciais que asseguram a qualidade de seu produto. Um deles: recicla apenas PP, evitando outras resinas que possam contaminar seus processos, e utiliza PP proveniente de um único tipo de produto, que ele não divulga por razões estratégicas, mas que garante maior homogeneidade na resina reciclada. “Também temos a certificação ISO 14000, que poucos recicladores têm”, acrescenta.

No segundo semestre, crê Silva, a Poli Positivo deve gerar um volume um pouco maior de negócios. “Um dos mercados nos quais projeto alguma recuperação é o automobilístico, que deve usar mais PP reciclado de alto desempenho em compostos para aplicações como componentes de baterias, sistemas de ar condicionado, para-choques, entre outras”, diz o diretor da empresa, que está se estruturando para obter em 2020 a certificação de qualidade IATF, específica da indústria automobilística.

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