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Distribuição de Resinas: Mercado sofre com a forte penetração de resina importada por empresas oportunistas

Maria Aparecida de Sino Reto
9 de dezembro de 2013
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    Plástico Moderno, Um dos galpões da Activas, que atua em todo o território nacional

    Um dos galpões da Activas, que atua em todo o território nacional

    O mercado varejista de resinas atravessa um momento bastante difícil, marcado pela forte penetração no país de material importado e pela retração produtiva na indústria brasileira de transformação, também afetada pelos volumes crescentes de importação de transformados plásticos. As principais entidades de classe se queixam, não à toa, de que a expansão da demanda por plástico no país tem sido capturada pelos fornecedores estrangeiros.

    Plastico Moderno, Gonçalves ressalta o esforço do setor em aprimorar seus processos

    Gonçalves ressalta o esforço do setor em aprimorar seus processos

    Dados da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast) mostram que de janeiro a agosto deste ano o brasileiro já importou 484 mil toneladas de peças plásticas, contra 457,8 mil t, no mesmo período de 2012. E um estudo da Associação Brasileira dos Distribuidores de Resinas e Bobinas Plásticas de BOPP e BOPET (Adirplast), sobre a demanda doméstica de polipropileno e polietileno e seus canais de venda, indica que, desde 2009, só em 2012 houve pequena retração na participação das importações, que retomaram o avanço no primeiro semestre deste ano. Essa parcela chegou a 24,2% em 2011, caiu para 20,2% no ano passado, e de janeiro a junho de 2013 já representou 22,8%. Enquanto em 2009, a distribuição respondia por 13,4% do abastecimento doméstico, hoje está na casa de 8,7%. “Como se pode analisar, o mercado de distribuição continua muito prejudicado pela entrada de produtos importados”, lastima o presidente da Adirplast, Laércio Gonçalves, também diretor da Activas.

    A pesquisa da associação de distribuidores mostra uma retração acentuada no volume comercializado por eles, desde 2011, com exceção para o segundo semestre desse ano (256 mil toneladas), que apresentou pequena alta sobre o primeiro semestre (249 mil toneladas). O volume distribuído encolheu para 226 mil toneladas na primeira metade do ano de 2012, baixou para 201 mil t na segunda metade, e ainda desceu para 187 mil t, no primeiro semestre de 2013. E, na opinião de Gonçalves, o setor ainda continuará sofrendo o resto do ano com a acirrada concorrência dos produtos importados. Na avaliação dele, o setor deve fechar 2013 com um volume em torno de 400 mil toneladas comercializadas pelos distribuidores oficiais, montante cerca de 10% menor em relação à participação da distribuição em 2012. “Apesar de não termos como mensurar o número real de importados que entram no Brasil, atribuímos essa perda para os importados”, informa Gonçalves.

    Não se trata apenas de rechaçar os produtos importados. As empresas distribuidoras atuam como parceiras de seus clientes, até mesmo as que atuam também com importações, com comprometimento no cumprimento de prazos, entregas, especificações, prestação de serviços e profissionalismo – o que exige investimento em pessoal, centros de distribuição e logística, entre tantos outros itens. Com compromissos de longo prazo, transferem crédito ao transformador de pequeno porte. Contribuem para o crescimento da indústria.

    Plástico Moderno, Especialidades comercializadas na distribuição no 1° semestre de 2013

    Especialidades comercializadas na distribuição no 1° semestre de 2013

    A importação via empresas sérias e comprometidas com os clientes é saudável e bem-vinda. O problema, que é o caso da maioria no mercado do varejo de resinas, são os importadores oportunistas, sem qualquer estrutura operacional e que não oferecem serviços aos clientes. É esse tipo de importação aventureira que o mercado distribuidor combate.

    Para enfrentar o baque, o presidente da Adirplast assegura: “Todas as distribuidoras estão fazendo a sua lição de casa, reduzindo os seus custos operacionais e aprimorando os seus sistemas de gestão; há um grande esforço em aprimoramentos de processos e foco das equipes comerciais.” Razão pela qual conseguiram elevar levemente a participação da distribuição no mercado em relação ao ano passado.

    O próprio Gonçalves suou muito a camisa para conseguir elevar em 13% as vendas de sua empresa, enquanto a demanda brasileira de resinas cresceu no máximo 5%, no primeiro semestre deste ano, em relação ao mesmo período de 2012, segundo suas estimativas. “Esses números poderiam ser comemorados se fossem acompanhados por elevações de igual proporção na produção, mas a indústria nacional seguiu a mesma tendência dos últimos anos e não conseguiu suprir toda a demanda, que tem sido atendida por importações, fazendo com que a ociosidade no país continue em níveis preocupantes”, lastima.



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