Plástico

Distribuição – Rearranjo petroquímico força mudanças no varejo que enfrenta margens pífas excessiva concorrência

Maria Aparecida de Sino Reto
3 de julho de 2007
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    Agora, com o redesenho da petroquímica brasileira, igualmente a distribuição deve tomar novos rumos. O caminho natural aponta em direção semelhante à da segunda geração: a concentração e o fortalecimento. Na visão do diretor da Piramidal, Wilson Cataldi, as petroquímicas brasileiras estão ficando muito grandes e os distribuidores mais fortes. Em razão dessa mudança, o setor da distribuição precisará se rearranjar rapidamente. “Alguns distribuidores com formação técnica e capacidade financeira poderão se unir, formando um mercado de menor número, porém mais forte e profissional”, prevê Cataldi.

    Pensam como ele: Belli, Couto, Daniela e Laércio Gonçalves, este último, diretor da Activas, de Mauá-SP. Para o diretor da SPP, a distribuição evoluiu muito nos últimos dois anos e ainda deve avançar mais, contudo, ele avalia como fundamental que a segunda geração petroquímica defina uma política de médio e longo prazo.

    “A concentração será um fluxo natural dos negócios. A distribuição tem que ter massa crítica e saúde financeira e deve criar modelos logísticos diferenciados junto com a petroquímica”, pondera Belli. Na opinião dele, as mudanças devem ocorrer nos próximos três a cinco anos.

    Couto acredita que ocorram antes: “A compra da Ipiranga pela Braskem e Petrobrás mudou radicalmente o cenário de players no Brasil e a tendência é de que nos próximos dois anos ainda haja muitas fusões e aquisições, se estendendo também para a distribuição. Já aconteceu na Europa e Estados Unidos e acontecerá em breve no Brasil.”

    Apesar do cenário indefinido e envolto em especulações, as fusões e aquisições entre as empresas de distribuição devem acontecer em breve também na visão de Gonçalves. “O mercado ficará mais concentrado e as petroquímicas atuarão com número menor de distribuidores”, acredita. Na opinião dele, as mudanças virão para melhor: as fusões resultarão em distribuidoras mais fortes e com maior volume de vendas. “Quem trabalha profissionalmente permanecerá.” Daniela é de opinião idêntica: “Quem for profissional e fizer o papel de distribuidor se manterá no mercado.”

    Hoje, uma distribuidora que opera com menos de 2.500 toneladas mensais tem dificuldade para atingir o ponto de equilíbrio, na avaliação de Cataldi. Nas contas dele, há atualmente 18 empresas autorizadas.

    “A petroquímica se concentrará em no máximo três players e cada um deles terá de dois a três distribuidores, o que significa o limite de seis a nove distribuidores. Esse movimento já ocorre na Europa e nos Estados Unidos e não deve ser diferente no Brasil.”

    No mercado europeu, as petroquímicas enviam a resina em sacarias para o mercado distribuidor, que atende de 20% a 30% da demanda. No norte-americano, o sistema é a granel, via férrea, com o ensaque por conta da distribuidora, responsável por suprir 40% do mercado. “

    Plástico Moderno, Alexandre Couto, gerente-comercial, Distribuição - Rearranjo petroquímico força mudanças no varejo que enfrenta margens pífas excessiva concorrência

    Couto: baixa rentabilidade já ameça a saúde dos negócios

    O Brasil tende a seguir o modelo europeu”, avalia Cataldi. Na visão de alguns distribuidores, falta à petroquímica uma política de distribuição e maior apoio no combate aos produtos importados. Outros, porém, já enxergam mudanças. “A segunda geração está se redesenhando e acredito que uma série de conceitos com a distribuição seja revista. Uma nova política será um acontecimento natural”, acredita o diretor da Ruttino, Roberto Cuschnir. Algumas medidas adotadas pela petroquímica nos últimos tempos já corrigiram algumas distorções do mercado. Segundo Cataldi, os fabricantes de resinas exercem hoje maior controle sobre os transformadores que poderiam eventualmente revender os excedentes no mercado.

    “O maior aperto fiscal também deve cercear a entrada de aventureiros no setor”, acredita ele. Presidente do Sindicato da Indústria de Resinas Plásticas (Siresp), entidade representativa da segunda geração petroquímica, José Ricardo Roriz Coelho admite que a falta de uma política para a distribuição é um fato, mas acredita que com a crescente organização e profissionalização promovida pelos distribuidores, reforçada com a criação da Adirplast, esse cenário mudará. “As petroquímicas já vêm trabalhando este aspecto e certamente têm planos estabelecidos ou em teste”, declara.

    Especialidades arrancam – Resinas de maior valor agregado, os plásticos de engenharia desafogaram os distribuidores que os dispõem em seu portfólio e permitiram melhores resultados em relação às commodities. A Thathi, de Barueri-SP, a Resinet, de São Paulo, a Activas, de Mauá-SP, e a Apta, de São Leopoldo-RS, estão entre as beneficiadas.

    “O mercado se mostrou aquecido, tivemos crescimento de forma geral com o aumento da produção das montadoras”, declara João Rodrigues, gerente de negócios da Thathi. Ele também atribui a evolução dos plásticos de engenharia ao trabalho de prospecção dos distribuidores, que difundiram as vantagens desses produtos aos clientes. “Trata-se de um trabalho de conscientização, de amostras e migração de outros produtos para os plásticos de engenharia, o que propiciou crescimento considerável para essas resinas”, ressalta.

    A Brasilplast também contribuiu para melhorar os ânimos. Além de reforçar as relações com os atuais clientes, a feira abriu espaço para novas oportunidades de negócios. “Os resultados começam a aparecer agora no segundo semestre.” Nas contas dele, a empresa cresceu cerca de 8% em volume no primeiro semestre. No ano, ele espera atingir 18%. “Os destaques foram o náilon e a família de ABS, mas também surgiram projetos em poliacetal e outras especialidades.”



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