Distribuição : Maduro e profissional, setor reforçou vendas

E também atendimento e qualidade durante a pandemia

A distribuição de produtos químicos no Brasil aprendeu a lidar com as dificuldades geradas a partir do aparecimento da pandemia de Covid-19 e registra evolução positiva de vendas em 2020 e 2021.

A expectativa para 2022 é de manter a trajetória ascendente, desde que não apareçam outros problemas.

“O setor está maduro, soube se adaptar às novas condições de mercado e ampliar suas vendas”, comentou Rubens Medrano, presidente da Associação Brasileira dos Distribuidores de Produtos Químicos e Petroquímicos (Associquim).

“Mas ainda estamos coletando informações dos associados para saber se os resultados financeiros do setor foram igualmente satisfatórios.”

Em 2020, a distribuição química conseguiu ampliar suas vendas dolarizadas perto de 10%, em bom resultado, ainda que se considere baixa a base de comparação.

“Em 2021, devemos ter conseguido resultado semelhante ou até superior, mesmo porque os preços internacionais dos produtos químicos foram majorados e isso se reflete por aqui”, salientou.

O panorama global indica uma estabilidade nas operações com produtos químicos, porém ainda distante da situação anterior à pandemia.

Como explicou, em 2020 houve interrupção de suprimentos, com a paralisação de várias fábricas na China e em outros países importantes para o setor, além de uma crise logística severa, com redução de frequências de navios e elevação dos custos de fretes.

“Em 2021, persistem os problemas logísticos que estão sendo administrados e tendem a diminuir”, avaliou.

Apesar desses problemas, Medrano verificou que não chegou a haver falta de produtos químicos no mercado nacional.

Distribuição – Maduro e profissional, setor reforçou vendas, atendimento e qualidade durante a pandemia ©QD Foto: iStockPhoto
Rubens Medrano, da Associquim

“Houve algumas restrições pontuais, como o caso do carbômero para produção de álcool em gel, cuja demanda foi explosiva no começo da pandemia, mas isso foi logo resolvido”, afirmou.

O fato de a distribuição química ter amplo conhecimento das operações logísticas, estando muito habituada a fazer operações de importação, além de ter reforçado estoques, contribui para tranquilizar os clientes.

Nesse sentido, a busca por fornecedores mundiais alternativos se tornou fundamental, tanto pela garantia de suprimento, quanto pela possibilidade de reduzir custos.

O setor precisou fazer movimentos rápidos para acompanhar as mudanças de mercado.

“Quando apareceu a pandemia, várias indústrias que compravam diretamente seus insumos passaram a adquiri-los da distribuição, uma vez que seu consumo diminuiu e não fazia sentido carregar estoques”, disse.

“Com a retomada da demanda e da produção, alguns desses clientes ainda mantiveram as compras, ou parte delas, dos distribuidores pelos serviços oferecidos.”

A distribuição oferece entregas fracionadas, garante a qualidade dos produtos, permite aos clientes reduzir inventário, assume riscos cambiais e até o financiamento, ao negociar prazos de pagamento.

Aliás, para conviver com prazos logísticos internacionais maios longos, os distribuidores precisaram aumentar o volume de estoques, garantindo o atendimento aos seus clientes.

“Apesar disso, acredito que as margens de lucro tenham sido recuperadas; no câmbio, o dólar permaneceu caro em 2021, mas flutuou menos, o que é bom para o setor”, avaliou.

De modo geral, Medrano considera que todos os tipos e portes de distribuidores registraram resultados animadores em 2021, com um pouco de vantagem para as especialidades químicas, que tiveram desempenho um pouco superior ao das commodities.

Entre os fatores de risco, podem ser citados desde a elevação dos juros nos Estados Unidos, como resposta à inflação de lá, que podem desequilibrar a economia de vários países, como a elevação das cotações do petróleo, que se aproximam dos US$ 90 por barril do Brent, sem mencionar a crescente tensão na fronteira entre a Rússia e a Ucrânia.

“Além disso, ainda não sabemos se aparecerá outra variante do coronavírus ou da influenza, a saúde pública é um fator que precisa ser muito bem considerado”, disse.

Setor consolidado – A consolidação empresarial percorreu todo o setor em escala global. “Mesmo nos Estados Unidos, o mercado foi estruturado, as empresas familiares estão sendo adquiridas por grandes grupos, isso já aconteceu por aqui também, é uma nova realidade que tem suas vantagens”, considerou. Ele identificou que a amplia maioria dos grandes grupos mundiais do comércio químico está estabelecida no Brasil.

A nova estrutura de mercado tornou a concorrência entre players menos emocional e mais racional. “Todos os movimentos são bem equacionados, ninguém mais faz loucuras com os preços”, afirmou.

A grande preocupação atual do setor está no gerenciamento do pessoal em tempo de pandemia. “Já tínhamos feito um bom trabalho no sentido de ampliar o uso de ferramentas da tecnologia da informação nas empresas associadas, mas a necessidade de adotar regimes de trabalho em home office ou híbridos criaram dúvidas sobre a melhor forma de administrar a força de trabalho”, comentou.

Apesar disso, os resultados apontam que as operações estão funcionando, bem como as vendas. “A atuação remota dificulta a formação de novos profissionais e a sua atualização, esse é o problema”, comentou.

Da mesma forma, o relacionamento com os clientes foi alterado pela pandemia. No início da crise, os clientes não queriam ser visitados e só trocavam informações pelos meios eletrônicos.

“Aos poucos, as visitas comerciais estão sendo retomadas, o contato pessoal ainda é importante, mas as novas gerações pensam diferente, elas se adaptam melhor aos relacionamentos à distância”, ponderou.

Ele salientou que produtos químicos tem muitas particularidades, não podem ser vendidos como livros, televisores ou geladeiras, exigindo atendimento especializado.

O mercado nacional também enfrenta riscos. A economia local registra oscilações, a inflação aumentou e fez com que o Banco Central puxasse para cima a taxa básica de juros para mais de 10% ao ano.

As reformas estruturais necessárias (tributária, fiscal, administrativa e outras) não serão feitas por enquanto. E as eleições influenciam os mercados.

“Os políticos tendem a abrir o cofre em anos eleitorais, não sabemos como será desta vez”, disse.

O anúncio de aumentos salariais para carreiras isoladas (policiais) provocou reação forte de outros segmentos do funcionalismo.

“Os auditores da Receita Federal entraram em operação padrão no começo de janeiro, isso quer dizer que a liberação de produtos químicos na aduana passou a demorar muito mais tempo que o normal, o que pode resultar em desabastecimento”, comentou.

Comemoração – Em 2022, o setor de distribuição química terá comemoração importante. “O nosso sindicato, o Sincoquim, completará 50 anos de atuação ininterrupta; além disso, também agora o Programa de Distribuição Responsável, o Prodir, que tantos benefícios trouxe ao setor, chega aos 20 anos, ambos são motivos para comemoração que será feita oportunamente”, salientou Medrano.

Os resultados do Prodir podem ser vistos no bom desempenho do setor em saúde e segurança ocupacional e ambiental. A qualificação das distribuidoras permitiu a maior aproximação com clientes e fornecedores, facilitando o aumento dos negócios em um patamar elevado de qualidade, reconhecido internacionalmente.

“O Prodir ajudou muito a atualizar o setor nas melhores práticas mundiais, isso não deu muita tranquilidade nas operações, cada vez mais seguras”, salientou.

Leia Mais:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios