Plástico

Distribuição de resinas – Setor recupera capacidade de competir com o fim das importações incentivadas e a valorização do dólar

Maria Aparecida de Sino Reto
1 de agosto de 2012
    -(reset)+

    Para ilustrar a gravidade da situação, Nunes menciona o caso de grandes transformadores situados em regiões privilegiadas pelos incentivos fiscais, onde esses empresários assumem um poder de competição injusto, até mesmo com os transformadores de pequeno porte, sufocados em seus negócios.

    As distorções chegaram a ponto de induzir uma nova modalidade de comércio predatório. Segundo relata o gerente da Replas, pequenos fabricantes de bobinas preferem desligar suas extrusoras e fazer só o acabamento ou a impressão de bobinas prontas adquiridas de transformadores de grande porte, que, beneficiados pelos incentivos, praticam preços altamente competitivos. Param a produção para atuar apenas como canal de revenda, com todas as implicações negativas da desindustrialização. Particularmente para o distribuidor, o saldo é a perda dessa fatia de mercado.

    Mas ao que tudo indica esse jogo sinaliza uma virada, graças às recentes ações das petroquímicas para a contenção de abusos e a coibição da atividade paralela em prol de seus canais oficiais de distribuição. “Têm ocorrido medidas que estão contribuindo para amenizar a situação”, comprova Cruz. Embora Mason e Gonçalves tenham sentido um pouco de alívio na pressão exercida pelo mercado informal, eles reconhecem que ainda falta muito para corrigir as deformações que se estabeleceram. “As vendas de resinas pelo canal da revenda ainda têm forte impacto nos negócios da distribuição oficial”, declara o diretor da Activas.

    “Vai ter mais racionalidade, menos produtos nacionais na revenda”, acredita Daniela, elogiando a intervenção da

    Plástico,  Daniela Dias Guerini, diretora da Mais Polímeros, Distribuição de resinas - Setor recupera capacidade de competir com o fim das importações incentivadas e a valorização do dólar

    Daniela Dias Guerini: petroquímica agiu para coibir revenda irregular

    Braskem e ressaltando a importância das medidas adotadas. “Sem a sua ajuda não teríamos condições de reverter o quadro”, admite.

    E já que o assunto são os velhos problemas, as consequências da crise econômica, como constatam em uníssono os distribuidores, alcançaram a porta de todos. A demanda encolheu nos clientes de Cruz que exportam e refletiu em seus negócios. “Mesmo os efeitos psicológicos e o medo do que acontecerá, por si só, inibem a atividade empresarial”, atesta.

    O aumento da inadimplência por restrição a crédito foi um dos principais sintomas sentidos por Cataldi. A saída: avaliação caso a caso dos clientes em apuros e até renegociação de dívidas. “Temos feito o possível para ajudar a cadeia em apoio ao transformador”, diz.

    “A ação restritiva dos agentes financeiros se reflete na maior inadimplência”, percebe também Mason, igualmente solicitado com pedidos de renegociação de dívidas e de aumento de prazos. Sua reação segue passos semelhantes aos de Cataldi: análise caso a caso das dificuldades de seus parceiros e auxílio na medida do possível. “O transformador está mais apertado, com dificuldades de rodar”, confirma o diretor da Fortymil.

    Números sigilosos – As distribuidoras andam avessas a divulgar volumes relativos ao seu desempenho no mercado. Um crescimento de 12% na primeira metade deste ano sobre idêntico período no ano passado é só o que Daniela revela. Mason não foge à regra. Só informa um aumento de 8% sobre o primeiro semestre de 2011.

    Apenas Cruz e Gonçalves consentem em repassar seus resultados. O primeiro assume ter comercializado em torno de 22 mil toneladas de resina no primeiro semestre deste ano, quantidade semelhante ao mesmo período de 2011; e Gonçalves revela ter distribuído em torno de 30 mil toneladas de janeiro a junho de 2012, volume que inclui pequena parcela de produtos importados e mantém a sua participação no mercado em relação a 2011. “Uma de nossas ações internas para melhorar a eficiência dos processos e gestão do negócio foi a equalização dos níveis de estoque”, informa.

    Na avaliação do diretor da Activas, a garantia de um bom resultado no final do mês decorre da administração inteligente do seu estoque, considerando que o papel do distribuidor é o de viabilizar aos clientes compras de volumes inferiores aos exigidos pelas petroquímicas. “O que permite que os transformadores façam inúmeros pedidos mensais e evitem estoques desnecessários.”

    “Está sendo um ano difícil; acompanhamos as agruras da transformação”, consente Cataldi. Segundo observa Daniela, o mercado brasileiro de distribuição operou com queda nos negócios no primeiro semestre deste ano. Baseada, porém, na tradição de que os meses de julho a dezembro são de vendas mais aquecidas para a petroquímica, ela tem expectativas de melhoras.

    Cruz não compartilha a projeção. Por causa da diminuição da atividade econômica, ele teme que também a segunda metade do ano seja turbulenta, situação agravada pelas margens muito apertadas impostas ao setor, ainda sujeito a riscos altos, como inadimplência.

    E mesmo toda a reestruturação da distribuição nos últimos anos (criação de uma entidade de classe, maior profissionalização, processo de consolidação etc.)ainda não a isenta de ser considerada no país como uma atividade marginal. “Não é percebida como um elo importante da cadeia de negócio; e nós pagamos por essa falta de consciência, isso nos fragiliza”, opina Cruz.



    Recomendamos também:








    0 Comentários


    Seja o primeiro a comentar!


    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *