Distribuição – Competição no comércio de resinas fica mais acirrada

O começo foi promissor, mas o agravamento da crise política nacional fez 2017 se tornar um ano complicado para as distribuidoras de resinas plásticas instaladas no país.

Resultados já obtidos

Na primeira metade deste ano, mostram as estatísticas da Adirplast, o volume de resinas comercializado no Brasil pelas distribuidoras foi 2,5% superior ao registrado no mesmo período do ano passado.

O primeiro trimestre, relata Gonçalves, foi favorável para os negócios dessas empresas, mas a partir de abril aumentaram as dificuldades, decorrentes tanto do agravamento dos problemas internos do país quanto de influências globais, como a disparada dos preços de algumas resinas, casos de PE e PS que se elevaram em mais de 10%. “Em uma conjuntura recessiva, fica difícil repassar esses aumentos para os clientes”, ressalta Gonçalves.

No caso do polietileno, houve no primeiro semestre do ano queda superior a 3% no volume comercializado, havendo simultaneamente elevação – até acentuada, em alguns casos – dos volumes de venda dos plásticos de engenharia (ver Tabela 1).

Importante ressaltar: embora parte desse crescimento dos plásticos de engenharia possa ser creditada ao reaquecimento dos negócios em alguns segmentos do mercado – especialmente com a indústria automobilística –, também contribuiu para ele, de maneira muito significativa, a inclusão no quadro de associados da Adirplast de distribuidores dedicados justamente a esse gênero de produtos (a entidade computa exatamente os números de seus associados).

Plástico Moderno, Tabela 1 – Distribuição de resinas no Brasil (em t)
Tabela 1 – Distribuição de resinas no Brasil (em tonelada)

Um desses novos associados da Adirplast é a Apta, que além de distribuir desde o ano passado os polietilenos da ExxonMobil (ver box), trabalha também com produtos da Basf, Lotte, Styrolution e Radici Plastics.

Marcelo Berghahn, diretor comercial da Apta, afirma não ter notado aumento significativo da demanda por resinas no primeiro semestre, nem mesmo no segmento dos plásticos de engenharia, embora tenha sido possível observar algum reaquecimento dos negócios com alguns setores, como a indústria automobilística.

“Foi um semestre regular, na realidade eu esperava mais”, comenta. “Dado o atual cenário do país, não vejo perspectivas mais favoráveis para a segunda metade do ano”, acrescenta Berghahn.

Por sua vez, Fernando Tadiotto, diretor de outra das novas associadas da Adirplast focadas em plásticos de engenharia, a Petropol, mostra-se mais otimista quando avalia as perspectivas para a segunda metade deste ano:

“Acredito que o setor de construção civil deve se manter estável, temos boas notícias de nossos clientes do setor automotivo – no qual os projetos evoluem bem – e deveremos ter crescimento no segmento das embalagens com a nossa nova linha de poliamida 6 (PA 6) de alta viscosidade”, detalha.

Na Petropol, conta Tadiotto, a distribuição de resinas fornecidas por empresas como Covestro, Babyland, Desmopan e Makroblend, entre outras, responde por cerca de 20% dos negócios; o restante das vendas da empresa se fundamenta em compostos, nos quais há cores, aditivos, cargas, entre outros ingredientes, atuando com diversas resinas, a exemplo de PA, ABS, poliacetal (POM), policarbonato, politereftalato de butileno (PBT), e blendas poliméricas.

Plástico Moderno, Operar com estoque próprio garante atendimento mais rápido
Operar com estoque próprio garante atendimento mais rápido

De acordo com Tadiotto, no primeiro semestre deste ano houve “ligeiro aumento” na demanda por plásticos de engenharia em comparação com igual período de 2016.

Na Petropol, porém, a expansão dos negócios no decorrer desse período chegou a 22%, computando-se tanto os produtos distribuídos quanto aqueles de produção própria (neste caso, o índice chegou a 37%).

“Os principais crescimentos ocorreram, respectivamente, nos negócios com os setores de aplicações elétricas, hidráulicas, agronegócios e indústria automotiva”, especifica.

Em fevereiro último, a Petropol integrou um novo componente ao seu portfólio: a linha Aegis, da AdvanSix, composta por resina de PA 6 de alta viscosidade, indicada para aplicações de extrusão, como embalagens alimentícias, perfis e tubos, entre outras.

A Activas reestruturou há cerca de um ano uma área dedicada a especialidades de engenharia, na qual atuam um coordenador e dois representantes comerciais, que já trabalham com produtos de fornecedores como Covestro, Unigel, Eastman, ChemTrend, Kolon e Ineos Styrolution. “Nossa meta é fazer esse segmento gerar 25% de nossos negócios em um prazo de três anos”, projeta Gonçalves.

O que vem pela frente

A se confirmarem as perspectivas do presidente da Adirplast, neste ano os volumes de resinas comercializados no Brasil pelas distribuidoras devem superar em cerca de 5% aqueles computados em 2016 (conforme mostra a Tabela 2, no ano passado esse índice atingiu pouco mais de 3%).

Deve se manter, prevê Gonçalves, o movimento de evolução dos negócios com os plásticos de engenharia e voltará a se expandir a demanda pelas resinas mais commoditizadas, como PE e PP. “O desemprego não aumentou nos últimos seis meses, há mais dinheiro circulando por causa dos saques do FGTS, e o brasileiro parece ter percebido que, apesar da crise política, precisa continuar realizando negócios”, pondera Gonçalves.

Plástico Moderno, Tabela 2 – Distribuição de resinas no Brasil em 2016 e 2015 (em t)
Tabela 2 – Distribuição de resinas no Brasil em 2016 e 2015 (em t)

 

Na Replas, como projeta o sócio-diretor Marcos Prando, no decorrer deste ano deverá ser realizado volume de negócios similar ao de 2016. No primeiro semestre, aliás, foram mantidos os mesmos níveis verificados no mesmo período do ano anterior. “Aumentamos nosso portfólio de resinas, buscando suprir nossos clientes com novas possibilidades de fornecimento. Acreditamos que isso tenha sido um diferencial para mantermos nossos números”, pondera.

Aliados aos atuais problemas da economia local, observa Marcos Prando, fatores como a possibilidade de elevação acentuada do dólar, nociva para quem trabalha principalmente com importados, podem impactar diretamente os negócios desse setor. “Estamos confiantes nos mercados de BOPP, PVC, SAN e ABS”, enfatiza o diretor da Replas, empresa cujo portfólio inclui PE, PP, PS, PVC, policarbonato (PC), EVA e BOPP, entre outras resinas provenientes de fornecedores como Sabic, Petroken, Lotte, Repsol e Innova.

Na Piramidal, o portfólio inclui diversos produtos da Braskem (PE, PP, PVC e EVA), PS e acrílico da Unigel, PET da PQS, e outras especialidades, provenientes de fabricantes como DSM, Styrolution, Kep, Sabic e AdvanSix. Nessa distribuidora, conta Cataldi, o volume de resinas comercializado na primeira metade deste ano foi 1,5% superior ao do mesmo período de 2016. “Percebemos que as distribuidoras têm conseguido manter seu market share, porém com muito sacrifício e perda de margens”, ressalta.

O diretor da Piramidal crê que na segunda metade deste ano os negócios se manterão no mesmo patamar daquele realizado nos seis primeiros meses. “Infelizmente, não temos nenhum indicador positivo de melhoria da economia brasileira para esse segundo semestre e nesse período não existe projeção de crescimento para a Piramidal. O desafio será manter os números atuais”, afirma.

Na FG, o primeiro semestre foi “até bom, com algum crescimento”, avalia Garnica. Porém, o produto cujas vendas mais crescem atualmente não são as resinas, mas os compostos com carbonato de cálcio e talco, cujo objetivo é reduzir custos com resinas como PE, PP, PS, PET e ABS. “Relativamente ao mesmo período do ano passado nossas vendas desses compostos cresceram na faixa de dois dígitos”, diz o diretor comercial da empresa.

Ele crê na continuidade da expansão do uso desses compostos.

“No Brasil, no segmento da injeção, esse uso é conhecido apenas em peças maiores, mas quase ninguém o aplica em peças técnicas menores, nas quais esses produtos também podem ser utilizados”, prossegue o profissional da FG, empresa que, além de fornecer masterbatches, aditivos e compostos de carbonato de cálcio e talco, também distribui PE, PE e PS (mantém na cidade norte-americana de Houston uma trading company, responsável pela aquisição dessas resinas em vários países).

“A partir de Taiwan – onde está localizada nossa fábrica de masterbatches e compostos –, exportamos para vários países da América Latina”, finaliza Garnica.

 

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