Logística

8 de outubro de 2017

Distribuição: Competição no comércio de resinas fica mais acirrada e pressiona distribuidoras

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Publicado por: Antonio Carlos Santomauro
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    Plástico Moderno, Clientes da distribuição valorizam os serviços agregados às operações

    Clientes da distribuição valorizam os serviços agregados às operações

    Texto: Antonio Carlos Santomauro
    Fotos: Divulgação

    O começo foi promissor, mas o agravamento da crise política nacional fez 2017 se tornar um ano complicado para as distribuidoras de resinas plásticas instaladas no país. Elas até registraram algum crescimento no primeiro semestre, porém pouco relevante e aparentemente restrito aos volumes comercializados, não se refletindo no faturamento. Isso resulta em margens de lucro mais achatadas, próprias de uma situação de competitividade acirrada, na qual a entidade representativa do setor se queixa da incômoda concorrência de empresas que deveriam ser apenas clientes das distribuidoras: os transformadores.

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    Laércio Gonçalves, presidente da Associação Brasileira dos Distribuidores de Resinas Plásticas e Afins (Adirplast) e diretor-geral da Activas, até credita à concorrência oriunda de transformadores parte relevante da responsabilidade pela redução do share das distribuidoras formais no comércio brasileiro de resinas plásticas que, nos últimos cinco anos, baixou de 70% para 45%.

    Essa concorrência, ele explica, acontece porque transformadores – alguns de grande porte – compram diretamente da indústria quantidades de resinas superiores às necessárias para suas atividades, e transferem os volumes excedentes para revendas que se dedicarão a comercializá-las sem informar a procedência. Muitas vezes, esses transformadores se valem de benefícios fiscais na compra de resinas. “Isso é concorrência desleal”, critica Gonçalves. “Ela acontece em maiores quantidade nos mercados de polietileno (PE) e polipropileno (PP), muito maiores que os de outras resinas; mas também aparece no poliestireno (PS), ABS e, atualmente, também com filme de BOPP”, detalha o presidente da Adirplast.

    Ele também ressalta: essas vendas realizadas sem a presença das distribuidoras se fundamentam apenas no preço, não oferecendo atendimento adequado nem contribuindo para o desenvolvimento do setor de transformação de plásticos. “É a rede de distribuição formal que garante a capilaridade do negócio de resinas no Brasil, permitindo a 80% das quase 11,5 mil indústrias transformadoras de plásticos do país acesso a resinas e serviços de pós-vendas de qualidade”, aponta. “No caso das associadas da Adirplast, podemos afirmar que todas dedicam constante esforço na prestação de serviços exemplares e na valorização dos produtos e marcas das empresas fabricantes.”

    Institucionalizada pela Adirplast, essa reclamação contra concorrentes informais se desmembra nas vozes individuais dos dirigentes das próprias distribuidoras. Entre eles Marcelo Prando, sócio-diretor da Replas, para quem a revenda paralela – incluindo aquela implementada em parceria com transformadores – hoje prejudica significativamente os negócios das distribuidoras formalizadas como tais. “Se houvesse apenas distribuidores com responsabilidade e conhecimento de mercado, certamente todos estaríamos mais confiantes”, destaca Marcelo Prando.

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    Local versus estrangeiro – Além dessa concorrência, outros problemas agravam a conjuntura já bastante difícil na qual devem hoje atuar as distribuidoras de resinas. Entre eles, Paulo Garnica, diretor comercial da FG Resinas, cita a importação de PE near prime, posteriormente vendido como prime (resinas prime e near prime têm características diferenciadas em itens como fluidez e possibilidade de variações em suas especificações, e preços também preços distintos, sendo a primeira categoria, obviamente, aquela dos produtos mais caros). “Essa prática não chega a ser comum, mas já foi feita por alguns revendedores picaretas”, ressalta Garnica.

    E permanece incólume a já tradicional queixa contra o sistema fiscal brasileiro, que entre outras coisas possibilita o desembarque de resinas em estados nos quais as alíquotas de importação são mais baixas, e sua posterior revenda em locais onde os impostos são mais elevados. “Há resinas importadas, com similares produzidas no Brasil, que nas operações interestaduais pagam 4% de ICMS (Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação), enquanto o distribuidor de produtos nacionais deve arcar com uma tributação de 12%”, relata Wilson Cataldi, diretor da distribuidora Piramidal.

    Valendo-se ou não dos desvãos abertos pelo intrincado sistema tributário do país, as resinas importadas parecem ter possibilidades para expandir sua presença no mercado brasileiro. Inclusive porque, lembra Garnica, da FG, mudou bastante a percepção sobre elas, bem como a intensidade de seu uso. “Há dez ou quinze anos, achava-se que elas não tinham qualidade, mas hoje praticamente não há no Brasil transformador, de qualquer porte, que já não tenha pelo menos experimentado alguma resina importada”, diz. “Por preço e por opção estratégica, o transformador não quer ficar refém de uma única opção de petroquímica local”, justifica Garnica.


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