Desempenho do setor eletroeletrônico

As expectativas são de melhor desempenho da indústria eletroeletrônica em 2024, apesar de a avaliação feita por empresas do setor apresentar incertezas em relação ao cenário interno e externo.

Um bom desempenho esse ano chega em ótima hora, serve para amenizar os maus resultados alcançados no ano passado. O setor encerrou 2023 com faturamento de R$ 204,2 bilhões, queda nominal de 6% na comparação com 2022. A produção física do setor apresentou queda de 8%. A utilização da capacidade instalada passou de 76%, em dezembro de 2022, para 72% no final de 2023, percentual mais baixo desde junho de 2020 (68%).

“Há fatores que geram perspectivas favoráveis para o próximo ano, com destaque para a tão esperada reforma tributária, que deverá aumentar a competitividade da indústria, reduzindo a complexidade do sistema tributário do país e desonerando as exportações e os investimentos”, afirma Humberto Barbato, presidente executivo da Associação Brasileira da indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee). Segundo ele, a nova Política Nacional de Semicondutores e a construção de uma política de neoindustrialização também podem trazer expectativas positivas para o setor eletroeletrônico

A mais recente sondagem realizada com os associados da Abinee indicou que 64% das empresas do setor projetam crescimento para as vendas da indústria eletroeletrônica para 2024, 33% esperam estabilidade e 3% preveem queda. O setor espera aumento nominal de 2% no faturamento, que deverá alcançar R$ 208 bilhões, e projeta elevação de 3% na produção. Os investimentos devem aumentar 3%, totalizando R$ 3,6 bilhões. A capacidade instalada deve aumentar de 72% para 74%.

Para Barbato, o desempenho do setor eletroeletrônico no ano passado ficou aquém das expectativas, em especial nas áreas de bens de consumo. Os segmentos que puxaram para baixo o valor do faturamento foram informática (-17%), telecomunicações (-21%) e componentes (-25%). No caso dos bens de consumo, além da antecipação de compras de eletrônicos, principalmente notebooks, em 2020 e 2021, para atender às necessidades do home office e ensino à distância, outros fatores inibiram as vendas, tais como restrição de crédito, endividamento das famílias e queda no tíquete médio dos produtos.

Também foram afetadas negativamente as vendas de celulares (-14%). Ressalte-se o crescimento significativo do mercado irregular de aparelhos, cuja participação nas vendas totais passou de 8% (em 2019) para 21% no quarto trimestre deste ano. Apresentaram desempenho positivo no faturamento do setor as áreas de geração, transmissão e distribuição de energia elétrica – GTD (5%), equipamentos industriais (4%), utilidades domésticas (6%) e automação industrial (19%).

Transformação: Eletroeletrônicos ©QD Foto: iStockPhoto
Barbato: reforma tributária aumenta competitividade

Uma boa notícia vem do desempenho das exportações. Elas apresentaram crescimento de 7%, totalizando US$ 7,2 bilhões em 2023. Destaque para as vendas externas de bens de automação industrial (+32%), de material elétrico de instalação (+24%) e de bens de GTD (+24%). As importações recuaram 5%, somando US$ 43,1 bilhões. Os semicondutores (que compreendem diodos, circuitos, memórias, etc) foram os itens mais importados, alcançando US$ 5,3 bilhões.

O déficit da balança comercial no ano passado totalizou US$ 35,9 bilhões, resultado 7% inferior ao apresentado em 2022 (US$ 38,6 bilhões). Os investimentos recuaram 6%, totalizando R$ 3,5 bilhões, o que representa 1,72% do faturamento do setor eletroeletrônico, participação similar à registrada em 2022. Para 2024, a expectativa das empresas do setor é de que as exportações cresçam 4% (US$ 7,5 bilhões) e as importações, 3% (US$ 44,5 bilhões).

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