Deficiência no sistema de saneamento básico sinaliza potencial de expansão das tubulações poliolefínicas

FGS Brasil fabrica peças de PEAD de até 1.600 mm de diâmetro
FGS Brasil fabrica peças de PEAD de até 1.600 mm de diâmetro

O cenário é favorável para a indústria de tubos. Além dos megaeventos esportivos, Copa do Mundo e Olimpíada, que preveem investimentos em infraestrutura, o país carece de muitos recursos na área de saneamento básico. Estudo da Associação Brasileira das Empresas Estaduais de Saneamento (Aesbe) indica a necessidade de investimentos superiores a 100 bilhões de reais para a rede de água e esgoto. Só a Sabesp – Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo possui um projeto para coleta de água estimado em mais de R$ 500 milhões.

Esses dados sinalizam um grande potencial de expansão para o mercado de tubulações plásticas. Já há algum tempo, nota-se uma grande procura por tubos poliolefínicos. Aliás, a Associação Brasileira de Tubos Poliolefínicos e Sistemas (Abpe) aposta alto no aquecimento dessa demanda; e não somente por causa da abertura do setor, mas, sobretudo, em virtude de suas características técnicas. “O PE vem sendo cada vez mais utilizado em redes e adutoras de água bruta e tratada, e esgoto sob pressão, em diâmetros em que tradicionalmente se utiliza PVC e mesmo o FoFo/Ferro Fundido”, comenta Claudia Regina Arruda, presidente da Abpe.

Para ela, as tubulações de PE embutem uma série de vantagens, entre as quais aponta a garantia de significativa redução no custo final da obra e economia na manutenção, por conta da possibilidade de vazamento zero, além de o produto ser flexível, apresentar elevada resistência ao impacto e à maioria dos agentes químicos, e propiciar baixa incrustação e rugosidade.

 Claudia diagnostica aumento da demanda dos polietilenos
Claudia diagnostica aumento da demanda dos polietilenos

Outro benefício pertinente aos dias atuais diz respeito aos programas de redução de perdas de água por vazamento. Dados fornecidos por Claudia revelam que há um desperdício de cerca de 25% da água tratada nos municípios operados pela Sabesp no estado de São Paulo.

Esses tubos, segundo ela, têm ainda a seu favor a instalação pelo Método Não Destrutivo/MND. “O PE é imbatível quando aplicado em ramais prediais de água, redes de gás combustível e inserções de tubos por MND”, argumenta Claudia. A técnica permite a execução de furo direcional abaixo da superfície, com inserção do segmento do tubo a ser implantado, puxado pelo próprio equipamento que executa a perfuração. A saber, esse tipo de tubulação é flexível e fornecido em bobinas de 100 mm, de acordo com o diâmetro.

Se no passado, a falta de normas específicas ao setor de tubos poliolefínicos foi um empecilho para sua melhor aceitação, hoje não é mais. Em 2007 foi criada a Comissão Especial de Estudos para discutir normas pertinentes aos sistemas de distribuição e adução de água e transporte de esgoto sanitário sob pressão. “Destaca-se entre as normas disponíveis a NBR 15.561:2007, que especifica os requisitos, exames e métodos de ensaio para a fabricação e o recebimento de tubos de PE, projetados para uma vida útil de cinquenta anos, com diâmetros externos de 63 mm até 1.600 mm”, comenta Claudia.

Mesmo no caso dos sistemas maleáveis, como o de polietileno reticulado (PE-X) monocamada, utilizado para água quente e fria, e o de PE-X multicamada, para o gás combustível, cujas demandas ainda não deslancharam no país, a normalização esteve na pauta da Abpe. Para o tipo monocamada, existe a ABNT NBR 15.939 desde 2011; e no caso da tubulação multicamada, a norma brasileira está em fase final de elaboração.

PE-X – As apostas do grupo Tigre no avanço das tubulações PE-X são de longa data. Para Carlo Teruel, gerente de produtos da Tigre, o material vem galgando um espaço de destaque no mercado, mas ainda tem campo a ser explorado. Aliás, foi visando a esse potencial que a companhia resolveu investir na área. “Nossa linha receberá um novo complemento voltado para a condução de gás”, avisa, sem revelar mais detalhes. Flexível, o produto é de fácil instalação ponto a ponto, o que reduz o uso de conexões.

Rolo de PE-X é um dos destaques do portfólio da Tigre
Rolo de PE-X é um dos destaques do portfólio da Tigre

Esse tipo de sistema não é uma solução inédita. O PE-X multicamada para o gás, aliás, vem sendo utilizado nas tubulações da Europa há cerca de trinta anos. Ok, a realidade nacional difere muito da europeia, mas mesmo por aqui não se trata de uma novidade. O problema é que a demanda revela-se incipiente, apesar de o material ser considerado uma solução técnica das mais modernas. Para alguns especialistas da área, esse tipo de tubulação ainda é caro no Brasil.

“No país, o mercado da construção civil é muito conservador”, diagnostica Bárbara Tobar, especialista de desenvolvimento de produtos da Mexichem Brasil. Teruel, da Tigre, lembra que, para complicar um pouco mais a situação, as normas ainda estão em fase de elaboração, no caso do gás. De qualquer maneira, interesse em sanar essas questões existe. A fim de garantir a segurança do produto, a Tigre, por exemplo, propõe a utilização de válvulas capazes de bloquear o fluxo do gás, sem a intervenção humana, quando ocorre uma perfuração na tubulação e, até mesmo, face à presença de uma temperatura demasiadamente elevada.

Responsável pela introdução do policloreto de vinila (PVC) nas instalações hidráulicas no Brasil, a Tigre tem essa resina no seu DNA. Mas nem por isso se restringe ao material. Hoje a companhia possui uma vasta gama de tubulações de polietileno de alta densidade (PEAD) para adução de água e saneamento, e para o segmento predial, justamente com o PE-X. “Jamais a Tigre fechará os olhos para soluções que utilizem outras matérias-primas”, diz Teruel.

Teruel prevê a retomada das obras de infraestrutura do país
Teruel prevê a retomada das obras de infraestrutura do país

Para este ano, os planos de expansão do grupo incluem a construção de três novas unidades no país. Um dos projetos tem a ver com a joint venture Tigre-ADS, criada em 2009. Essa empresa norte-americana fabrica tubos de PEAD considerados altamente resistentes para as áreas de saneamento e drenagem. A unidade está em construção em Alagoas. As outras duas plantas se voltam à fabricação de caixas-d’água em complexos industriais já instalados em São Paulo e na Bahia.

Aliás, a joint venture Tigre-ADS fechou contrato de drenagem em estádios de futebol para a Copa de 2014. Tal feito significa que os investimentos previamente anunciados começam a sair do papel, e ainda revela o avanço dos termoplásticos sobre outros materiais. “Este é um exemplo típico de substituição do concreto pelo plástico, além da substituição das tubulações metálicas, o que já vem acontecendo gradativamente”, aponta o gerente.

As previsões para 2013 são positivas. Baseado em dados da Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat), Teruel endossa a toada de quem aposta na retomada das obras de infraestrutura no país. Segundo a associação, as vendas de material de construção apresentarão crescimento de 2%, em relação ao ano passado. Até 2014 a Tigre prevê elevar seu faturamento para R$ 5 bilhões – hoje é de pouco mais de R$ 3 bilhões.

A saber, a maior parte do seu faturamento (80%) resulta das vendas para o segmento predial, como autoconstruções e obras de construtoras residenciais e industriais. O restante do negócio se divide entre as indústrias de infraestrutura e saneamento. A Tigre possui 22 fábricas, das quais nove estão instaladas no Brasil: Joinville-SC, Castro-PR, Rio Claro-SP (2), Indaiatuba-SP, Camaçari-BA, Pouso Alegre-MG, Escada-PE e Manaus-AM.

Mais previsões positivas – A Mexichem Brasil também está confiante no mercado de tubos e conexões. No ano passado, registrou crescimento nas vendas (líquidas) de 11,9%, taxa superior à previsão de 8%. “Todas as marcas e segmentos da empresa (predial, infraestrutura e irrigação) apresentaram expansão”, afirma Maurício Harger, vice-presidente executivo da Mexichem Brasil.

No caso da construção civil, particularmente, os ventos sopraram a favor. Esse mercado tem sido influenciado pela aproximação dos megaeventos esportivos (Copa do Mundo e Olimpíada) e pelos programas governamentais, além das políticas voltadas para a redução dos custos com energia e da maior oferta de crédito, entre outros. Em suma, o momento é favorável. Harger destaca também a taxa de desemprego, que segue baixa. “O segmento da autoconstrução continua bastante aquecido”, ratifica. Até por causa desse cenário, o faturamento da Amanco subirá 8% em 2013, segundo estimativa de Harger. “Mas essa projeção pode ser superada”, avisa. O segmento predial responde por mais da metade do negócio – 78%.

O incremento não virá apenas das condições macroeconômicas. A companhia pretende aumentar os investimentos em 15% em relação a 2012, quando injetou R$ 114 milhões para a expansão de sua capacidade produtiva e o desenvolvimento de novos produtos, entre outras ações.

Harger: faturamento deve crescer além do previsto
Harger: faturamento deve crescer além do previsto

Em maio do ano passado, tornou-se mais forte com a aquisição da holandesa Wavin, empresa líder no setor de tubos plásticos na Europa e fabricante de sistemas de tubulações de PVC. “A Amanco está investindo para oferecer soluções completas para o segmento de instalação e projetos hidráulicos, como sistemas para tratamento e captação de água pluvial, fruto da sinergia com a Wavin”, explica Harger. O grupo Mexichem detém linhas completas de tubos e conexões. A sua subsidiária brasileira é dona das marcas Amanco e Plastubos, além da Bidim (geotêxteis não tecido).

No segmento de infraestrutura, a marca Amanco ressalta o seu pioneirismo na fabricação de tubos de PVC biorientado para sistemas de água e esgoto pressurizados, sob pressão de até 1,6 MPa. “Os tubos Amanco Biax são os únicos tubos de PVC normalizados para o transporte de água e esgoto pressurizados em redes de infraestrutura”, explica Bárbara Tobar, da Mexichem Brasil.

Feito de PVC, Amanco Biax é de fácil aplicação e leve
Feito de PVC, Amanco Biax é de fácil aplicação e leve

Entre as características do produto, ela destaca a leveza, o que facilita a instalação e o seu transporte, sua resistência e robustez, além do fato de ser uma solução sustentável. “Há uma economia considerável de energia na sua fabricação em comparação com soluções similares do mercado”, avisa.

Apesar desse perfil voltado para o PVC, a especialista vê no polietileno uma alternativa para algumas aplicações da área de infraestrutura, como drenagem, água, gás e energia. “O grupo trabalha na América Latina com soluções com esse material, e no Brasil tem investimentos nessas linhas para 2013 e 2014”, conclui.

Aposta no PE – O mercado de tubulações poliolefínicas, como um todo, traz em si a promessa de um grande potencial de expansão. “Especialmente no Brasil, há a tendência de crescimento da utilização dos poliolefínicos, substituindo outros materiais, inclusive o PVC”, diagnostica Aldo Batista, diretor da Poly Easy. Até mesmo nas construções prediais, ramo no qual o PVC predomina, Batista vislumbra abertura para essa resina, sobretudo em instalações de água quente, com o PP e o PE-X.

Por conta da similaridade dos processos produtivos dos sistemas de tubulações de PE e do PP, a Poly Easy, de Barueri, São Paulo, especializou-se na fabricação dos dois tipos. Apesar de o PE se configurar como sua principal área de atuação, há apostas no avanço do PP também. Na companhia, os segmentos mais importantes são os de condução e distribuição urbana de água e gás natural, justamente por conta da superioridade técnica dos materiais para essas aplicações. “Dentro das limitações técnicas quanto ao uso do PE e do PP (pressão e temperatura de operação), esses materiais têm muito a crescer no mercado de água e esgoto”, afirma.

Para o diretor, os tubos poliolefínicos oferecem vantagens técnicas e econômicas em relação a outros materiais, como aço, ferro fundido e cerâmicos, entre outros. “O PE e o PP já são dominantes em algumas aplicações, como a distribuição urbana de gás natural, e seguirá crescendo à medida que novos grades possibilitem a elevação dos parâmetros de operação”, diz. Um exemplo fica por conta do PE 100, que permitiu ao PE substituir o aço em determinadas áreas. Segundo sua estimativa, o mercado nacional de tubos poliolefínicos (com exceção dos não conformes) gira em torno de 70 mil e 80 mil toneladas/ano.

Batista: PP e PE têm potencial para avançar em saneamento
Batista: PP e PE têm potencial para avançar em saneamento

A fabricante tem um caso recente que ilustra o potencial dessa indústria. No ano passado, apresentou ao mercado poços de inspeção e visita de redes de esgoto, fabricados em peça monolítica de PE rotomoldado. O produto substituiu a alvenaria/concreto. “Estamos prevendo que 2013 será um ano de consolidação dos produtos lançados no ano passado”, comenta Batista.

Mais investimentos – A FGS Brasil, empresa fundada em 1997 pela Sóllitta Grupo, investiu alto no mercado de tubos de PEAD. Em julho do ano passado, já partiu o primeiro lote de sistemas de tubulações – peças de 1.200 mm e 1.000 mm –, na nova planta, localizada em Cajamar-SP. Se depender da pretensão do diretor comercial Roberto Marcelo Gadotti, esse é só o começo de uma nova era para a sua empresa e, por que não dizer, para o setor.

Inovações para estimular a expansão dessa indústria não faltam. A empresa desenvolveu um sistema de tubulação multicamada flexível para gás – Gasflex – e água (quente e fria) – H2flex. No caso do Gasflex, trata-se de um tubo com a estrutura de polietileno/alumínio/polietileno aplicada para substituir o cobre e o aço em redes de gás. Disponível em bobinas de 100 mm e 200 mm, os tubos foram desenhados de maneira que sua montagem seja feita praticamente sem conexões, evitando assim emendas e minimizando os riscos de vazamentos.

Ao produto foram adicionados estabilizantes de raios UV e antioxidantes para o uso em instalações expostas. Segundo o fabricante, no revestimento interno, na fatia do PEAD, há negro de carbono como reforço à resistência à abrasão e à tensão.

O H2flex utiliza a composição sanduíche com polietileno, alumínio e polietileno reticulado para o transporte de água quente e fria. A camada interna foi desenhada para suportar temperaturas de até 93°C. O fabricante avisa que este tubo resiste à passagem de águas agressivas, à escamação e ao acúmulo de minerais, mantendo a pressão e o fluxo constante da água ano após ano, ao contrário dos tubos de metal.

Gadotti anseia ser referência no setor de grandes diâmetros
Gadotti anseia ser referência no setor de grandes diâmetros

Foi há cinco anos que o mercado de tubos poliolefínicos despontou com forte apelo entre os fabricantes. Nessa época, a FGS começou a atender o mercado de gás – um setor prioritariamente técnico. Hoje, a companhia detém cerca de 70% desse segmento no país. Considerado um nicho, esse ramo ficou pequeno para as aspirações da empresa, que partiu para o setor de água e esgoto.

As estratégias de crescimento surgiram efeito. Segundo Gadotti, a fabricante possui hoje a maior capacidade instalada da América Latina para tubos de PEAD: pode produzir até 5 mil toneladas por mês. A planta conta com nove linhas de extrusoras, capazes de fabricar sistemas de tubulações de 20 mm até 1.600 mm. “Somos a única empresa no Brasil a fazer tubos de até 1.600 mm, e no mundo estamos entre as cinco fabricantes”, orgulha-se. Para este ano, a previsão é a de rodar 1.400 t/mês, com expectativas positivas para os setores de saneamento e de infraestrutura.

A ideia de aumentar a capacidade produtiva da companhia surgiu por causa do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), mas como os projetos previstos não se efetivaram, Gadotti buscou alternativas; no caso, as exportações. Por isso, os planos atuais da FGS Brasil se voltam para atender outros países da América Latina e do continente africano, entre outros. “O governo não está investindo; e a demanda está aquém de nossas expectativas”, argumenta o diretor.

O consumo per capita de PEAD para o mercado de tubos no bloco Nafta (Estados Unidos, Canadá e México) é de 5,5 quilos. Na América do Sul, o indicador chega a ser irrisório – de 500 gramas. Esses dados fornecidos por Gadotti revelam ainda mais. Para ele, em relação ao consumo mundial, a região só perde para a África e o subcontinente indiano. “Nossa proposta é aumentar esse índice”, diz.

Outra prova do potencial de crescimento da indústria brasileira se dá com o consumo do PEAD nesses países do Nafta, que chega a 7,4 milhões de toneladas, das quais 15% foram absorvidas pelas indústrias de tubos e perfis. Na América do Sul, os números são mais modestos. Eles giram em torno de 2 milhões de toneladas (o Brasil representa 44% desse total). No entanto, segundo o diretor, o ponto-chave está na porcentagem desse volume destinada ao mercado de tubos e perfis: 5%. “Esse dado significa que temos espaço para crescer, em relação a outros materiais”, ressalta Gadotti.

As extrusoras – O ponto de vista do fornecedor de máquinas também confirma a demanda dos tubos poliolefínicos. O sucesso mundial nas vendas das extrusoras monorroscas da linha KME, para a fabricação de tubos de PP e de PEAD, da KraussMaffei Berstorff, ocorre também no país. No ano passado, a fabricante vendeu pela primeira vez mais máquinas monorroscas da série KME do que para PVC no Brasil. Em tempo, as extrusoras dupla rosca contrarrotantes KMD, concebidas para PVC, já foram o carro-chefe da filial brasileira.

Para Bruno Sommer, gerente de extrusão para a América Latina da KraussMaffei Group do Brasil, no entanto, apesar de 2012 ter sido marcado por uma grande procura por linhas de tubos de PEAD de diâmetros maiores, ou seja, para abastecimento de água, gás e drenagem, entre outros, as máquinas KMD tendem a voltar à liderança. “Os mercados de tubos prediais e também de infraestrutura deverão continuar em sua grande maioria sendo dominados por tubos de PVC nos próximos anos. Soma-se a isso também o mercado de perfis de PVC (forros e esquadrias de janelas), para o qual também usamos máquinas KMD.”

Na KraussMaffei Berstorff, a maior parte das vendas tem se concentrado nas extrusoras para a fabricação de tubos. Apesar de sentir uma certa retração desse mercado desde 2012, Sommer considera que na companhia ainda por alguns anos esse segmento será o de maior relevância. “A construção civil deve apresentar um crescimento, e existe a expectativa de liberação de obras de infraestrutura”, aposta.

A fabricante Battenfeld-Cincinnati do Brasil atua em três divisões: infraestrutura, construção civil e embalagens, para filmes planos e chapas. Não por acaso, a área hoje com maior desenvolvimento e expectativa é a de infraestrutura, responsável por todas as soluções em tubos: aplicações como água, gás, telecomunicações, linhas sanitárias e tubos para irrigação.

Segundo Cassio Luis Saltori, diretor-geral da Battenfeld-Cincinnati do Brasil, um dos destaques da companhia é a série de extrusoras solEX monorroscas para extrusão de tubos de PP e de PEAD. Seu sucesso pode ser creditado ao aumento da procura pelas poliolefinas e à queda nas vendas dos modelos para o processamento do PVC. Mas nem por isso ele prevê o fim da soberania do PVC no ramo. “Os dois mercados possuem áreas de atuação distintas. Se considerarmos o mercado de tubos de grandes diâmetros, sim, podemos dizer que é unânime a utilização de tubos de PE e de PP, mas ainda não caracterizam uma ameaça para os tubos de PVC no Brasil”, comenta o diretor.

Em tempo: a solEX é uma máquina idealizada para altos rendimentos na fabricação de tubos de PE e de PP, graças à sua elevada capacidade de plastificação com uma rosca de L/D 40. Segundo Saltori, do ponto de vista físico, é extremamente robusta, porém compacta, favorecendo o layout com a utilização de pouco espaço.

Na companhia, o ano de 2012 não foi muito proveitoso, em relação ao mercado de tubos, sobretudo por conta dos baixos investimentos da indústria do PVC. Mas as expectativas são de crescimento. “Para 2013, com certeza haverá um considerável número de investimentos esperados neste segmento, pois o mercado precisa sair da estagnação. A grande tendência que se aponta podem ser os tubos de PE”, conclui.

A ampla penetração do plástico no mercado de tubos não se aplica com a mesma intensidade ao setor de perfis, pelo menos na visão do diretor Luciano Miotto, da LGMT, fabricante nacional de extrusoras. Segundo ele, os perfis para janela, por exemplo, ainda não atingiram o patamar esperado, pois o material sofre rejeição em relação ao alumínio e à madeira. “Isso acontece por causa do hábito”, comenta.

No entanto, o cenário é positivo. Há uma maior oferta do produto, o que possibilita seu barateamento – o perfil plástico, em geral, ainda tem um custo maior em relação a outros materiais. “É um mercado em franco desenvolvimento, mas temos um longo caminho para percorrer”, aponta Miotto.

A mesma opinião tem Cassio Luis Saltori, diretor-geral da Battenfeld-Cincinnati do Brasil, pois ele acredita que, de alguma maneira, o mercado nacional de perfis plásticos ainda não ocupa um lugar de destaque na indústria, sobretudo por conta do custo. Sob a perspectiva técnica, o produto é considerado uma solução perfeita tanto para construções comerciais quanto para residências, mas sua aceitação hoje se restringe a grandes empreendimentos corporativos como hotéis e edifícios comerciais ou para residências de alto padrão, segundo Saltori.

Considerada uma das gigantes na fabricação de máquinas para perfis de PVC no mundo, a KraussMaffei Berstorff diagnostica uma diferença significativa entre as indústrias nacionais e as internacionais. Por aqui, a maior demanda é de perfis de PVC para forro, um produto considerado barato e, portanto, alusivo a margens apertadas.

De acordo com Miotto, perfis para janela sofrem rejeição
De acordo com Miotto, perfis para janela sofrem rejeição

É um produto leve, de paredes finas, no qual se usa muita carga de carbonato de cálcio e, muitas vezes, material reciclado. “Essas características não contribuem com altos investimentos em equipamentos de qualidade superior”, comenta Bruno Sommer, gerente de extrusão para a América Latina da KraussMaffei Group do Brasil.

Mas nem por isso ele deixa de vislumbrar uma maior aceitação de suas máquinas. Com preços mais competitivos, as extrusoras da fabricante alemã devem ter maior penetração no país, a ponto de a companhia programar para a Feiplastic (Feira Internacional do Plástico, novo nome para a Brasilplast) deste ano a exposição da extrusora para perfis KMD 90XS.

O otimismo também permeia a fábrica da Royal do Brasil, de Cachoeirinha-RS. Matriz do grupo Royal Mercosur, a companhia possui uma ampla linha de perfis divididos nas áreas de sistemas construtivos, esquadrias e revestimentos. “O consumidor brasileiro já entendeu que as esquadrias de PVC são imbatíveis em qualidade e desempenho”, aponta o porta-voz da Royal do Brasil, o arquiteto Tiago Ferrari.

Para ele, a demanda está aquecida tanto nas residências de alto padrão quanto nos projetos de menor valor agregado. Por isso, a empresa prevê inaugurar nova planta em Pelotas-RS neste ano. “A unidade terá a maior capacidade do Brasil”, diz Ferrari. A novidade em relação ao portfólio são os perfis para construção e restauração de postos de combustível ecoeficientes.

Chapas – A briga com os produtos importados da China emperra o crescimento do mercado nacional de chapas de PVC. Mas os problemas vão além, pois muitas aplicações não deslancharam no país. “Nos EUA, por exemplo, as chapas de PVC – tanto as compactas como as espumadas – são amplamente utilizadas na construção civil, em aplicações industriais, e na comunicação visual. Este último mercado é praticamente o único para o qual se usa chapas de PVC no Brasil”, explica Sommer, da KraussMaffei Group do Brasil.

O mercado de chapas também é importante para a Battenfeld-Cincinnati, mas sua estagnação impede que assuma um status mais elevado dentro da companhia. A fabricante possui uma linha completa de extrusoras planetárias com diferentes capacidades que já estão em funcionamento em grandes empresas no país, segundo Saltori, da Battenfeld-Cincinnati do Brasil. O que falta, na verdade, não é tecnologia, mas novas aplicações para o produto.

Nessa área, mais uma vez, nota-se um abismo entre o perfil de compra nacional e o estrangeiro. Não é de hoje que a maior produtora de extrusoras para chapas dos Estados Unidos, a Davis Standard, busca emplacar por aqui as máquinas para chapas de EVA utilizadas na montagem de painéis solares fotovoltaicos – aqueles que captam e convertem a energia solar em elétrica. No entanto, apesar da ampla aceitação na Europa e nos Estados Unidos, essa tecnologia é pouco explorada no país. “No Brasil, somente os grandes complexos hoteleiros e algumas indústrias usam”, afirma Marco Gianesi, diretor da BY Engenharia, responsável pela representação da Davis Standard no mercado brasileiro.

Para Saltori aceitação dos perfis plásticos é restrita
Para Saltori aceitação dos perfis plásticos é restrita

Por conta desse perfil, a companhia não atua no segmento de chapas convencionais – seu portfólio se concentra nos equipamentos de alto desempenho. “Normalmente atendemos as multinacionais estabelecidas aqui. Não temos chances de competir com linhas convencionais em virtude dos fabricantes locais, bem como dos importados da China”, diz Gianesi.

Máquina produzida pela Davis Standard se direciona ao setor de alto desempenho
Máquina produzida pela Davis Standard se direciona ao setor de alto desempenho

Um segmento em evidência no país tem sido o de eletrodomésticos, por causa do crescimento do número de empresas instaladas aqui. Conforme Gianesi observa, a demanda por chapas compradas de terceiros aumentou, enquanto alguns fabricantes locais optaram por verticalizar a produção, como é o caso da Electrolux. Mas um alento vem do segmento de lácteos – estimado entre seis e oito players. Esses fabricantes estão exigindo novos padrões para termoformagem, o que aumentou a procura por novas tecnologias para a produção de chapas listradas, por exemplo. As expectativas são as de que novos ventos revigorem o setor. Nos dois últimos anos, as vendas da BY Engenharia ficaram aquém das expectativas, no entanto, para 2013, as projeções são de retomada dos investimentos.

 

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