Plástico

Década de 90 – Recessão gerada pelo plano Collor encolhe a indústria do plástico, que se sustenta nas conquistas tecnológicas para retomar o crescimento

Jose Paulo Sant Anna
10 de novembro de 2011
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    A presença da revista ocorre mesmo quando determinado evento não atinge o sucesso esperado. “A expansão do mercado francês aparentemente não se traduziu em crescimento da Europlast. Pelo contrário, a exemplo da redução do número de expositores, de 1.100 para 815, os cerca de 27 mil visitantes, pouco mais da metade dos 50 mil esperados, contrastam negativamente com os quase 63 mil que estiveram na última edição da feira, em 1990. A proporção de visitantes estrangeiros, na faixa de 25%, manteve-se, porém, constante. Dentre eles, os mais assíduos foram os belgas, seguidos pelos britânicos, italianos e alemães. Também chamou a atenção a presença de número significativo de europeus orientais, em particular poloneses e checos”, dizia a matéria publicada em setembro de 1994 sobre a Europlast, realizada na romântica Paris, na França.

    A cobertura também chegou a locais inesperados, caso da feira Plasto-Ispack’94, realizada em Tel-Aviv, Israel. No evento, matéria de capa da edição de novembro de 1994, destaque para as novidades criadas no estado judeu para resolver problemas comuns nos processos de fabricação de embalagens. O fato mais importante, no entanto, foram os negócios fechados por representantes israelenses com países árabes. Um alento para o constante desafio de se buscar a paz na região.

    ISO 9000 – “O radical grego ISO significa igualdade ou, na produção econômica, conformidade de processo.” Com essa explicação, iniciava-se a matéria principal da edição de outubro de 1994. O tema era o conjunto de normas na época bastante comentado. “A série ISO 9000 foi publicada em 1987, para padronizar métodos de gerenciamento da produção e normatizar contratos entre partes. Seu berço europeu foi logo colocado pelo mundo todo sob suspeita de estar mascarando uma forma nova de protecionismo industrial. Afinal, só teria acesso à Comunidade Econômica Europeia quem tivesse certificado de conformidade. Com o transcorrer do tempo, entretanto, muitas empresas não europeias começaram a se convencer da importância de sistemas de garantia de qualidade e hoje cerca de 90 países estão engajados na certificação”, dizia o texto.Plástico Moderno, Década de 90 - Recessão gerada pelo plano Collor encolhe a indústria do plástico, que se sustenta nas conquistas tecnológicas para retomar o crescimento

    O motivo do assunto da capa da edição era para lá de justificável. Durante aquele mês, representantes das montadoras automobilísticas se reuniram na sede da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast), em São Paulo, com transformadores do setor de autopeças para informá-los sobre o projeto de criação de um organismo credenciado de certificação (OCC) para expedir certificados de garantia de qualidade nos moldes da norma internacional. O Brasil avançava em ritmo veloz nessas certificações, mas o segmento de transformação de plástico se mostrava bastante atrasado.

    “Dezenas de empresas do setor começam a acordar para o problema e iniciam a implementação de medidas para sistemas de garantia de qualidade. Do universo de sete mil transformadores no Brasil, 200 a 300 estariam em condições de conquistar certificados”, estimava a reportagem. Entre os fabricantes de resinas, a situação era bem mais positiva. Polibrasil, Politeno, CPC, EDN, Monsanto, Nitriflex, Rhodia e Petroflex-Coperbo já estavam regularizadas. A Poliolefinas-PPH e a Proquigel estavam com o processo de implantação da norma em estágio avançado. “Afinal, como empresas de segunda geração petroquímica com atividades no mercado externo, tiveram de acompanhar a vaga internacional das certificações, sob o risco de serem discriminadas em uma espécie de ‘apartheid industrial’ provocado pelos sistemas de garantia de qualidade.”

    Artigos especiais – Ao longo de sua história, a Plástico Moderno teve a oportunidade de apresentar artigos de especialistas altamente qualificados, voltados para orientar os leitores interessados em enriquecer seus conhecimentos nos mais variados temas. Um desses textos foi publicado em dois capítulos, nas edições de agosto e setembro de 1994. Seu título era “Evolução dos Conceitos de Polímero e de Polimerização”.

    O autor do texto foi Ramón Guitián, doutor em Ciências Químicas das universidades de Santiago de Compostela e de Madrid, professor de pós-graduação da Universidade de São Paulo, consultor e assessor de química orgânica industrial. Na época, o profissional contava com 35 anos de atividade na indústria química e também se dedicava a ministrar cursos de curta duração para alunos com formação em química fundamental.

    Acompanhe a “chamada” da matéria: “Se você ainda chama de sulfeto de polifenileno o prosaico PPS, pouco sabe dos polímeros de condensação e mal distingue os mecanismos de polimerização em cadeia e polimerização em etapas, contenha o ímpeto de rasgar o diploma, pois esse mal contagia até os ‘PHDeuses’.”

    O texto se iniciava lembrando uma coincidência científica ocorrida no distante ano de 1923. O cientista Liebig determinou a composição do fulminato de prata, encontrando para ele a fórmula DNOAg. Essa fórmula era, exatamente, a mesma que pouco antes Wöhler tinha achado para o cianeto de prata, por ele preparado. “Estava-se, pela primeira vez, ante o inesperado caso de dois compostos químicos diferentes, com propriedades físicas e químicas diferentes, terem a mesma composição centesimal e, portanto, a mesma fórmula mínima e, também, a mesma fórmula molecular.”



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