Década de 90 – Recessão gerada pelo plano Collor encolhe a indústria do plástico, que se sustenta nas conquistas tecnológicas para retomar o crescimento

Outros aditivos foram avaliados na edição de maio de 1998. O tom da matéria era um tanto otimista, graças à conjuntura externa. A recuperação das vendas do PVC se deu em especial no mercado norte-americano, depois da matéria-prima ser alvo de campanhas alarmistas promovidas pelos ecologistas. O PVC, de longe, é o maior consumidor de aditivos.

“No Brasil, onde a resina não foi muito afetada pela crítica ambientalista, a retomada do mercado americano ajudará a absorver o excesso de produtos no mundo, permitindo melhorar os preços. Além disso, a demanda interna se apresenta estimulada pelas crescentes exigências de qualidade por parte dos consumidores finais, armados com o Código de Defesa do Consumidor”, dizia o texto. O Brasil não era – e ainda não é – grande produtor de aditivos com fórmulas sofisticadas. Tanto no passado quanto agora, o desafio das gigantes do mundo químico, as principais fornecedoras, concentra-se na busca de fórmulas mais eficientes, que gerem propriedades expressivas aos produtos finais com a adição de quantidades menores.

Mercosul – Nos primeiros anos da década de 90, um novo termo passou a fazer parte do vocabulário dos brasileiros e de habitantes de alguns países vizinhos. Era a palavra Mercosul. A zona de livre comércio foi tema de capa da edição de dezembro de 1994 / janeiro de 1995. “As transações econômicas entre Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai começam a mudar de feição com a chegada do Mercosul e a unificação aduaneira, a partir do dia 1º de janeiro de 1995”, começava o texto.Plástico Moderno, Década de 90 - Recessão gerada pelo plano Collor encolhe a indústria do plástico, que se sustenta nas conquistas tecnológicas para retomar o crescimento

A indústria do plástico da região envolvida pelo acordo, liderada pelo Brasil, tinha a chance de tirar proveito das regras a serem adotadas. “As primeiras iniciativas estão relacionadas com um mapeamento dos mercados, tarefa particularmente árdua no país, onde as empresas mantêm as suas informações sob sete chaves por temerem ser passadas para trás pela concorrência”, advertia a matéria.

Na época, previa-se a instalação em dois tempos da zona de comércio sem fronteiras para o segmento do plástico. A segunda geração petroquímica, responsável pela produção das resinas termoplásticas, encontrava-se em negociações mais avançadas. O setor de transformação contava apenas com algumas empresas pioneiras em negociações. Havia uma infinidade de outras possíveis participantes carentes de informações sobre como se desenrolaria o processo. O setor de máquinas e equipamentos também se ressentia da falta de dados estatísticos sobre o mercado.

Uma lembrança interessante. O Brasil estava vivendo os primeiros meses depois da proclamação do Plano Real. A nova moeda brasileira, o real, estava bastante valorizada em relação ao dólar. Foi uma arma adotada para estabilizar a economia, mesmo à custa de importações. A competitividade do país estava prejudicada e líderes do setor dos plásticos se queixavam disso. “O comércio regional, antes favorável ao Brasil, passou a beneficiar os outros três parceiros. A alternativa em estudo seria instalar subsidiárias nos outros países do Mercosul e dessa forma estabelecer equilíbrio entre oferta e procura diante de políticas cambiais distintas”, dizia a reportagem.

Feiras – A cobertura de eventos internacionais pela Plástico Moderno tem sido constante. A maior exposição internacional do gênero, a feira K, realizada em Düsseldorf, na Alemanha, sempre recebe ampla cobertura. Um exemplo ocorreu no ano de 1998. “Mesmo sem sinais aparentes da crise mundial não há como não detectar sintomas de cautela entre fabricantes de máquinas e os produtores de resinas. Entre os primeiros, o desafio parece ser conciliar criatividade, qualidade e elevação da produtividade; e reduzir, ao mesmo tempo, o consumo de materiais e energia, além de, quando possível, o valor dos equipamentos. No setor de polímeros, por sua vez, inovações tecnológicas, por vezes associadas a remanejamentos de produção, incluindo fusões e a criação de joint ventures”, dizia o texto da edição de junho.

A reportagem também valorizou a presença nacional na exposição. “Alguns dos catorze expositores brasileiros, dois a mais do que na K’95, admitem que seu público-alvo não foi necessariamente o europeu. Fabricantes de máquinas, como Primotécnica, Ciola, Rulli e Carnevalli, destacam os preços mais baixos de seus equipamentos em comparação aos dos concorrentes do velho mundo.”

A consolidação do Mercosul aumentou a importância, para a indústria nacional, dos eventos realizados na Argentina. A revista tem coberto com regularidade as exposições organizadas no país vizinho. Um exemplo aconteceu na sétima edição da Argenplas, organizada em Buenos Aires no ano de 1998. “Nos 13.700 m² dos cinco pavilhões do luxuoso bairro de Palermo que sediaram a feira, podia-se notar uma nova peculiaridade, que até dois anos atrás, durante a mostra anterior, não se via. A língua portuguesa, com sotaque brasileiro, tornou-se uma espécie de segundo idioma, tanto entre expositores quanto para visitantes. Essa aparência de dupla nacionalidade idiomática, aliás, espalha-se por toda a cidade portenha, revelando o novo ambiente de integração econômica”, dizia a reportagem.

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