Plástico

Década de 90 – Recessão gerada pelo plano Collor encolhe a indústria do plástico, que se sustenta nas conquistas tecnológicas para retomar o crescimento

Jose Paulo Sant Anna
10 de novembro de 2011
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    A matéria destacava as matérias-primas com propriedades mais adequadas para essa aplicação. “No caso das carnes frescas e processadas, por exemplo, que representam um dos mercados mais promissores para os coextrudados, a estrutura preferida é constituída por náilon e polietileno (linear, metaloceno ou compostos) em três, cinco e até sete camadas, de acordo com a necessidade de tempo de prateleira do produto e mesmo da tecnologia de processamento do transformador. As principais funções do náilon são as de proteger os alimentos contra a ação de gases, principalmente o oxigênio, e possibilitar a termoformação. O papel de barreiras a gases também pode ser cumprido pelo EVOH.”

    Falta de fôlego – O Plano Collor trouxe desespero para os fabricantes de sopradoras no início dos anos 90. Os fornecedores locais só não foram à bancarrota porque conseguiram vender fatia significativa de sua produção para o mercado latino-americano, que em alguns períodos chegou a absorver mais da metade da produção brasileira.

    Durante a realização da Brasilplast, em 1993, houve tentativa do setor de reverter o quadro pessimista, com a apresentação de modelos sofisticados. A automatização das máquinas foi o destaque. Na exposição, a Bekum, por exemplo, mostrou a tecnologia de coextrusão no sopro, voltada para a produção de embalagens multicamadas. O modelo BM – 602/D, repleto de novidades, permitia o aproveitamento do plástico recuperado na composição intermediária da parede tripla de frascos de polietileno. Muito chique.

    Com a estabilização da moeda, houve recuperação em meados da década. No final dos anos 90, no entanto, os problemas resultantes da instabilidade econômica novamente atrapalhavam os fabricantes do equipamento. “A demanda, que no passado atingiu 400 unidades/ano, nos últimos cinco anos se mantém entre 250 e 300 máquinas, excluindo-se dessa conta os modelos destinados ao polietileno tereftalato (PET). Segundo os fabricantes, em 1998 as vendas devem se estabilizar no patamar mais baixo e alcançar no máximo a casa dos 250 equipamentos.” Os segmentos mais promissores eram os de frascos para produtos de higiene e limpeza e de galões para água mineral.

    Alento nas garrafas – As garrafas PET ofereceram um sopro de esperança para as empresas ligadas a esse mercado. Em matéria de junho de 1996, foi dada uma visão da evolução do nicho. “Usuário do polietileno tereftalato (PET) em embalagens rígidas há apenas oito anos, o brasileiro já é o terceiro maior consumidor mundial de resina PET no segmento de bebidas carbonatadas – principal mercado do polímero grau garrafa em todas as regiões do planeta. O consumo do país perde apenas para os Estados Unidos, o líder, e México. E começa a avançar em outros setores, como os de óleos comestíveis, sucos, molhos, água mineral e até aguardente.”

    Números de pesquisa realizada pelo Datamark revelaram que o PET representava 46% do material consumido para embalar os nove bilhões de litros de bebidas e refrigerantes consumidos em 1995, contra 36% em 1994, quando o volume ingerido de bebidas carbonatadas ficou em torno dos 6,5 bilhões de litros. A estimativa para o ano 2000 era de uma produção de 13 bilhões de litros de refrigerantes, ficando o PET com uma fatia de 60% do mercado.

    Prova do resultado positivo do desenvolvimento do setor de embalagens PET para a indústria do plástico saiu na edição de dezembro de 1998 / janeiro de 1999. “Potencial do PET ajuda a vender sopradoras”, era o título da matéria. O tom do texto era o de exaltar o fato de novas aplicações impulsionarem os negócios dos fabricantes de equipamentos. “A capacidade de adaptação do polietileno tereftalato (PET) a diversos tipos de embalagens, entre elas as de refrigerantes, água mineral, produtos de limpeza, cosméticos, alimentos e outras, explica em grande parte o crescimento da resina no mercado mundial. Característica que pode ser considerada ainda a mola propulsora para o segmento de máquinas”, iniciava a reportagem. Entre os felizes entrevistados, representantes da indústria de base, casos da empresa Sidel, da Krupp Corpoplast, Nissei ASB e Krones.

    Masterbatches e aditivos – A transformação do plástico, em determinadas situações, para obter resultados satisfatórios, necessita da adição de produtos químicos desenvolvidos por empresas especializadas. Ao longo das últimas quatro décadas, o mercado de tais produtos acompanha o sobe e desce do consumo das mais variadas resinas. O segmento tem recebido a atenção devida nas páginas da Plástico Moderno.

    Um exemplo pode ser encontrado na edição de setembro de 1990, período sob o impacto do confisco financeiro realizado no início do governo Collor. A capa foi dedicada aos masterbatches, responsáveis pela coloração das peças e adicionados às resinas na hora da produção. O texto se iniciava da seguinte forma: “Após ótimos resultados das vendas registrados em 1989, os fabricantes locais de concentrados de cor para plásticos se adaptaram à nova ordem econômica e buscam agora equilíbrio entre preço e qualidade. Muitos pintam o atual quadro com tons sombrios, próprios de uma recessão iminente. Já grupos otimistas enxergam a situação em cores mais alegres e investem em aplicações e lançamentos que recuperem o confortável ritmo do mercado antes do advento do plano de estabilização.”



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