Plástico

Década de 90 – Recessão gerada pelo plano Collor encolhe a indústria do plástico, que se sustenta nas conquistas tecnológicas para retomar o crescimento

Jose Paulo Sant Anna
10 de novembro de 2011
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    Extrusão com tecnologia – O avanço da indústria de transformação exigia e as extrusoras produzidas no Brasil no início dos anos 90 incorporavam recursos tecnológicos avançados para todos os tipos de processamento: tubos, perfis rígidos, filmes e recuperação de materiais, além de máquinas voltadas para a coextrusão. A preocupação atingia o lançamento de modelos para a transformação do polietileno linear, matéria-prima cuja chegada ao Brasil estava prevista para 1991. Além disso, começava uma tendência de compactação dos modelos, em virtude da pouca disponibilidade de espaço nas indústrias.

    As vendas não acompanhavam a evolução dos equipamentos. Os mais sofisticados custavam caro e não eram muito procurados. Não precisa dizer que o lançamento do Plano Collor não ajudou em nada. O sequestro de ativos financeiros previsto no pacote econômico praticamente congelou as transações comerciais no início da década.

    Entre as novidades, as extrusoras de tubos e perfis. No segmento dos modelos monorosca, por exemplo, surgiram equipamentos específicos para o processamento do polipropileno, forte concorrente do PVC. Transformadores adeptos da rosca dupla foram contemplados com alternativas de duplo cabeçote, para produção simultânea, ou ainda dupla rosca cônica.

    Uma mostra dos modelos da época foi apresentada na edição de abril de 1993, que teve como destaque a Brasilplast, evento que seria realizado nos próximos dias. O grande impacto do Plano Collor estava se arrefecendo e a necessidade de renovação do parque fabril era motivo de moderado otimismo. A cobertura do nicho de extrusão na feira começou com um balanço do setor. “Em torno de 34 empresas entregaram, ao longo de sua história, mais de dez mil máquinas, compreendendo coextrusoras de rosca dupla e extrusoras de rosca simples, feitas para processar os mais variados tipos de resinas mono e multicamada…”, dizia o texto.

    Um novo conceito chegava ao Brasil na exposição. Era a tecnologia de roscas duplas cônicas. Entre os modelos apresentados com essas características, destaque para o lançamento da Borg-Mar, cujo rendimento, garantia a empresa, era 30% superior ao sistema convencional de roscas paralelas. A Hansemaq mostrava outro modelo do gênero, o HDC 40. A economia de energia elétrica por quilograma de resina transformado era a vantagem destacada pela fabricante.Plástico Moderno, Década de 90 - Recessão gerada pelo plano Collor encolhe a indústria do plástico, que se sustenta nas conquistas tecnológicas para retomar o crescimento

    Construção civil – A reportagem de capa de novembro de 1997 mostrava o fortalecimento da presença do plástico no ramo da construção civil. “A construção civil brasileira caminha de um estágio de produção artesanal para a industrial, em que começam a predominar partes pré-fabricadas, levando a reboque os materiais plásticos. Polímeros como PVC, PP e EPS já participam desde a concepção estrutural das obras, passam pelas instalações hidráulicas e elétricas, estão disponíveis para revestimentos e vedações e podem produzir excelentes efeitos arquitetônicos.”

    A matéria estimava que a indústria de materiais de construção no país movimentava na época cerca de R$ 130 bilhões por ano, dos quais 10% provinham de produtos plásticos. O setor, ao todo, consumia cerca de 500 mil toneladas por ano desses materiais, dos quais 80% eram de PVC, usados principalmente para a fabricação de tubos.

    Era cada vez mais frequente a tendência dos arquitetos especificarem materiais de catálogo ao selecionarem portas, janelas, venezianas, revestimentos, pisos, forros, telhas, calhas e rodapés. O hábito abria uma ótima oportunidade para as empresas ligadas ao setor investirem em novas aplicações. A Tigre, forte na produção de tubos e conexões de PVC, com capacidade de produção na casa das 200 mil toneladas por ano, mostrava-se disposta a aproveitar a chance. A empresa investia no desenvolvimento de uma aplicação ainda incipiente, a de janelas de PVC. O custo do plástico não era competitivo em relação ao do alumínio. Em compensação, a matéria-prima apresentava desempenho superior, especialmente por suportar ataques corrosivos, defendia a empresa.

    Embalagens multicamadas – Reportagem publicada em maio de 1995 deu uma ideia sobre o avanço do uso das resinas nas embalagens destinadas à indústria alimentícia. O consumo estimado para aquele ano de 276 mil toneladas conferiu às embalagens plásticas destinadas ao segmento o maior faturamento entre as matérias-primas utilizadas, com quase 60% do total. O plástico superou materiais tradicionais, como metal e vidro. Os dados eram de um estudo da Datamark Consultoria.

    Uma novidade agitou este nicho na segunda metade dos anos 90. Os filmes especiais multicamadas, com propriedades como barreira a gases, vapor d’água, aromas ou luz, começaram a ser usados com maior frequência para acondicionar carnes, massas frescas, produtos desidratados semiacabados, vegetais, frutas e hortaliças, entre outros produtos.

    O tema ganhou espaço na revista em novembro de 1997. “A evolução do setor beneficia a coextrusão e a laminação, porque são métodos muito inteligentes de fabricar estruturas de excelente desempenho e baixo custo, com o princípio de que a indústria combina a melhor propriedade de cada resina na menor espessura possível, garantindo as características necessárias à embalagem”, dizia Claire Sarantopoulos, pesquisadora científica do Centro de Tecnologia de Embalagem (Cetea), órgão do governo do Estado de São Paulo.



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