Plástico

Década de 90 – Recessão gerada pelo plano Collor encolhe a indústria do plástico, que se sustenta nas conquistas tecnológicas para retomar o crescimento

Jose Paulo Sant Anna
10 de novembro de 2011
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    Automóveis – O automóvel popular, com motor de menor potência, acabamento mais simples e preço tentador, foi lançado com sucesso pelas montadoras nos primeiros anos da década de 90. Esses modelos, nos quais a presença do plástico se acentuou em relação aos automóveis da geração anterior, fizeram sucesso entre os consumidores e impulsionaram os negócios dos transformadores especializados no nicho das autopeças.

    Acompanhe o início da reportagem publicada em julho de 1994. “Nas contas da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), a indústria automobilística brasileira produziu 21% mais carros nos seis meses iniciais do ano, em comparação com o mesmo período de 1993, e os primeiros saldos positivos na transformação de plásticos já puderam ser medidos. De acordo com informações da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast), só neste primeiro semestre, há estimativa de 3,5% de crescimento no volume de peças plásticas comercializadas, e previsão de faturamento de 2% acima sobre período idêntico de 1993 (US$ 1,5 bilhão).”

    A matéria ressaltava que os moldadores partilharam os bons resultados e só perderam ou mantiveram o patamar produtivo as empresas fornecedoras de peças para veículos considerados de alto padrão. Os modelos nacionais mais sofisticados sofriam com a concorrência dos importados. Um dos lançamentos da época, o Corsa, da General Motors, era considerado o mais revolucionário entre os populares quando o assunto era o uso do plástico. “Fenômeno de vendas, o Corsa sobrecarregou a GM de pedidos e obrigou a Plascar, fornecedora exclusiva de painéis e dutos de ar, a trazer da Alemanha, em regime de urgência, duas megainjetoras, com 3,2 mil e 1,6 mil toneladas de força de fechamento.” Entre os transformadores entrevistados, além da Plascar, de Jundiaí-SP, a matéria deu destaque para a Macisa, de São Bernardo do Campo-SP e a Plásticos Maradei, de Diadema-SP.

    “Baratinho” – Quem já convive com alguns cabelos brancos na cabeça se lembra do lançamento dos CDs, no final dos anos 80. Na época, esses pequenos discos eram considerados peças plásticas das mais complexas dentro do mundo da injeção. Não por acaso, nos primórdios eles custavam caro. A forte popularização do produto, que desbancou os LPs, o lançamento dos aparelhos de DVDs e o surgimento dos CD-ROMs multiplicaram de forma impressionante a produção desses discos.

    O lançamento dos DVDs ganhou a capa da edição de outubro de 1997. Segundo a reportagem, a Sonopress, empresa de origem alemã, anunciava o lançamento do primeiro DVD produzido no Brasil. O filme de estreia foi “Era uma vez na América”, lançado semanas seguintes à da publicação da reportagem. “Não esperamos vender mais do que três mil unidades em 1997, pois o ano praticamente já acabou e o mercado não deve absorver muito mais aparelhos de DVD”, disse Eliane Pandeira, gerente de produtos da empresa pioneira. Ela ressaltou que o preço elevado do produto – em torno de R$ 60 – era outro obstáculo para vendas mais entusiasmantes.

    A perspectiva, no entanto, era otimista. Os especialistas apostavam que os DVDs estavam para as fitas VHS como os CDs para os discos de vinil. O estudo estimou o prazo de sete anos para que o produto fosse adotado em grande volume nos lares brasileiros. O tempo provou que os otimistas estavam corretos. Hoje, os DVDs são encontrados a preços bastante reduzidos. Sem falar nas versões “piratas”, encontradas a preço “baratinho” nas esquinas das cidades brasileiras.

    Vale um balanço. Em 1996, a produção nacional de CDs havia ficado na casa de 100 milhões de unidades. Esse volume transformava o produto na parcela mais nobre do mercado nacional do policarbonato – quase três mil toneladas da resina eram absorvidas por esse mercado. O país era o 6º maior produtor mundial de CDs.Plástico Moderno, Década de 90 - Recessão gerada pelo plano Collor encolhe a indústria do plástico, que se sustenta nas conquistas tecnológicas para retomar o crescimento

    Tampas – Às vezes, peças com aparência simples requerem muito mais tecnologia para serem fabricadas do que outras com design complexo. Um exemplo é o das tampas usadas em garrafas, peças consideradas técnicas por necessitarem de elevada tecnologia tanto no projeto dos moldes quanto na linha de produção. Com o impressionante avanço das embalagens PET no mercado de refrigerantes, aumentava, no final da década, a necessidade de produção desse componente. Não faltaram projetos voltados para atender o mercado.

    “A sofisticação tecnológica chegou ao mercado de tampas e com ela muitas empresas estrangeiras buscando suprir essa grande demanda ainda pouco explorada no país. A alemã Bericap se prepara para inaugurar sua primeira linha de produção nacional em novembro na cidade de Sorocaba-SP. Em um período inferior a seis meses, a Alcoa inaugura duas unidades, a primeira em operação desde setembro em Recife-PE, e outra em Lages-SC, cuja instalação deve ser concluída até janeiro do próximo ano. A Sonoco For-Plas, de Diadema-SP, passou a contar com o apoio tecnológico da Rexam Clorures, dos Estados Unidos, uma das líderes mundiais na fabricação de tampas injetadas, no segundo semestre deste ano”, dizia a reportagem de capa da edição de setembro de 1998.

    A matéria falava sobre o ainda grande potencial de mercado. “Mesmo com os novos investimentos, a demanda nacional ainda supera em grande escala a oferta. Existem muitos transformadores atuando na área, principalmente em pequenas linhas de produção ou em itens que exigem um nível tecnológico inferior. Quando o assunto é tecnologia de ponta o gargalo afina. Porém, aos poucos o setor começa a ganhar força e mandar por água abaixo a antiga teoria de que ‘para tampar qualquer coisa serve’.”



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