Plástico

Década de 90 – Recessão gerada pelo plano Collor encolhe a indústria do plástico, que se sustenta nas conquistas tecnológicas para retomar o crescimento

Jose Paulo Sant Anna
10 de novembro de 2011
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    O texto também falava da chegada ao mercado de novo fornecedor. A Union Carbide, de São Paulo, estava se preparando para concorrer com as empresas localizadas na Bahia. Para colocar sua planta em funcionamento, a empresa dependia de algumas obras. A Petroquímica União pararia cerca de vinte dias para essa finalidade. A outra produtora nacional de polietileno, a Petroquímica Triunfo, do extremo sul do país, não tinha previsão de entrada no cenário do linear.

    O PEL, em relação aos PEs convencionais, apresenta maior resistência à tensão de ruptura, à punctura e a ambientes agressivos, além de ter solda mais resistente e também melhor processabilidade. Somadas as plantas de polietileno às do linear, a capacidade nominal brasileira de produção de polietilenos subia para 920 mil toneladas por ano. O dobro do consumo previsto na época.Plástico Moderno, Década de 90 - Recessão gerada pelo plano Collor encolhe a indústria do plástico, que se sustenta nas conquistas tecnológicas para retomar o crescimento

    Metalocenos – Em julho de 1994, a matéria de capa da Plástico Moderno falava de uma nova geração de polímeros que prometia revolucionar a produção de resinas plásticas e elevar suas propriedades físicas. Esses polímeros eram resultados da emergência da tecnologia dos catalisadores metalocênicos nos Estados Unidos e na Europa. “Também chamados de ‘sítio único’, tais catalisadores realizam a polimerização com a vantagem de reduzir os ciclos de processamento, elevar a produtividade e aprimorar propriedades físicas, como a estabilidade dimensional, resistência à temperatura e ao impacto e transparência dos polímeros. Os metalocenos se transformaram na nova coqueluche do universo dos plásticos, após o sucesso dos polietilenos lineares e dos polímeros biorientados”, dizia o texto.

    Os catalisadores metalocênicos, tão decantados pela comunidade científica e pela indústria, são complexos de metais, como zircônio e titânio, com o ânion ciclopentadienilo. Ficaram conhecidos como catalisadores de sítio único, não por apresentarem apenas um sítio reativo, mas porque todos os sítios reativos são equivalentes em reatividade. “Por essa razão, o polímero apresenta menores variações em sua estrutura e uma distribuição de peso molecular mais estreita, com melhor definição das propriedades físicas. Os primeiros frutos da nova tecnologia são basicamente os polietilenos, mas já há a possibilidade real de expandir sua aplicação a polipropileno e poliestireno, segundo a literatura técnica internacional”, dizia a reportagem.

    A matéria citava os pioneiros na fabricação desses materiais. Entre o final de 1993 e o início de 1994, a norte-americana Dow Chemical apresentou ao mercado mundial duas novas famílias de resinas poliolefínicas polimerizadas com o uso de catalisadores metalocênicos. A também norte-americana Exxon trilhava caminho semelhante com o lançamento da família Exact de polietilenos.

    Vendas e tecnologia – O início da década também foi dos piores para a indústria de base. Os fabricantes de equipamentos para plásticos amargaram queda de 25% nas vendas no ano de 1990, de acordo com números da Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). Entre as empresas do ramo, o prejuízo entre as fabricantes de injetoras talvez tenha sido o mais grave.Plástico Moderno, Década de 90 - Recessão gerada pelo plano Collor encolhe a indústria do plástico, que se sustenta nas conquistas tecnológicas para retomar o crescimento

    As dificuldades diminuíram com o Plano Real, mas sucessivas crises abalaram o desempenho dos fabricantes de máquinas nos anos seguintes. Reportagem publicada em julho de 1998 relatou dificuldades. “A demanda esse ano dificilmente vai superar a marca das 800 injetoras, segundo cálculos do próprio setor. Para se ter uma ideia, em 1997 o volume global ficou em torno de 1,4 mil unidades.” Uma melhora estava prevista só para o início do século XXI. “Reação, só no ano 2000, acreditam muitos fabricantes. Segundo a previsão desses empresários, em 1999 as vendas devem continuar estagnadas. Os menos otimistas acreditam numa queda ainda maior.”

    A pequena demanda causou o final das atividades de marcas para lá de conhecidas. Na mesma reportagem, era relatada a situação difícil de algumas empresas. A cinquentenária Oriente era uma das vítimas. Com mais de cinco mil máquinas instaladas no país, a empresa entrou em concordata em janeiro de 1998. “Para saldar dívidas e colocar a casa em ordem, a nova diretoria adotou algumas medidas estratégicas. Começou reduzindo o quadro de funcionários em pelo menos 30%. Mudou o escritório comercial de São Paulo para uma sede menor e mais apropriada ao quadro operacional, diminuiu estoques e contratou um novo diretor industrial, Paulo Condor.” As medidas não surtiram efeito. Não demorou e a Oriente deixou de existir.

    Os desmandos da economia emperravam as vendas. O quadro da indústria de transformação, no entanto, exigia a substituição das máquinas. Segundo informações coletadas pelo Departamento Nacional de Máquinas e Acessórios para a Indústria do Plástico (DNMAIP), da Abimaq, a reportagem informava que o Brasil tinha mais de 45 mil equipamentos processando plástico. O processo de injeção estava presente em pelo menos 50% dos casos e o grau de obsolescência das máquinas chegava a 70%.

    Os avanços da tecnologia eram incentivos aos investimentos. O mercado de transformação, bastante competitivo, precisava de modelos mais rápidos e precisos. A injeção conquistava novas aplicações. “Com o desenvolvimento do processo de paredes finas, o processo passa a atuar em nichos antes explorados pela termoformagem e vacuum forming, como nas embalagens de margarina e de sorvetes, entre outras.” O perfil dos equipamentos mudava, exigia inovações para atender às novas necessidades dos compradores.



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