Década de 80 – Em meio a vários planos econômicos, os polímeros buscam espaço para crescer e substituem outros materiais em diversas aplicações

O sucesso da experiência, modéstia à parte, conta com participação importante da Plástico Moderno. O desenvolvimento do equipamento se deu depois do vice-presidente de engenharia da empresa, Celso Gioria, ter lido um artigo, publicado em fevereiro de 1984, no qual se contava sobre como era produzida a capota do avião Tucano, da Embraer. “A matéria me ajudou a encontrar a solução do problema”, confessou o talentoso profissional.

Fornecedor e cliente – Em agosto de 1981, a IBM impressionou o mundo com o lançamento mundial do personal computer ou simplesmente PC. Os computadores, pouco tempo antes equipamentos gigantescos usados apenas por grandes corporações, ganhavam versão caseira. Da mesma forma que aparelhos de TV ou de som, eles passaram a ser vendidos com sucesso em lojas de departamentos. Transformaram-se em sonho de consumo para milhões de pessoas dos quatro cantos do planeta, apesar de na época contarem com recursos hoje risíveis.

A indústria do plástico se deu bem com o surgimento da novidade. Os fabricantes de PCs se tornaram importantes clientes dos transformadores. A matéria-prima se encontra presente de maneira marcante nas mais distintas peças, casos dos gabinetes das telas, na época nada pequenos, teclados, cápsulas de circuitos integrados, placas de circuitos impressos e uma série de outros componentes. O assunto ganhou a capa da edição de março de 1988 da Plástico Moderno. As carcaças, por exemplo, eram transformadas por injeção, injeção de termoplásticos expandidos, injeção de poliuretanos ou vacuum forming, de acordo com o design e os volumes de produção desejados.

Na matéria foram mostrados os processos de fabricação das peças menores, fabricadas com grande rigor tecnológico. As teclas, por exemplo, para serem fabricadas, exigiam (e exigem até hoje) grande precisão dimensional, resinas com características diferenciadas e moldes especiais. Duas empresas responsáveis pela tarefa, Moldaço e Plástico Ramos, mantinham os segredos de suas linhas de produção guardados a sete chaves. O principal enigma consistia no método de gravação das peças, feita por meio de uma operação chamada de sublimação.

A reportagem também revelava as etapas de fabricação dos circuitos integrados – pequenas peças apontadas como “cérebros” dos computadores –, nos quais o plástico convive com pastilhas de silício, fios de ouro e outros materiais. A revista foi recebida pela Texas Instruments, fabricante desses componentes. “Nos circuitos, o plástico atua em duas frentes: uma resina epóxi serve como elemento condutivo e um termofixo com características especiais encapsula o conjunto”, explicava o texto.Plástico Moderno, Década de 80 - Em meio a vários planos econômicos, os polímeros buscam espaço para crescer e substituem outros materiais em diversas aplicações

Na edição seguinte da revista, a de março de 1988, a informática também ganhava a capa. Desta vez no sentido inverso. O segmento do plástico apareceu na condição de cliente. Uma novidade começava a mudar a rotina dos designers de peças e das ferramentarias. Ainda de forma muito incipiente, os projetistas começavam a aposentar antigos aliados: lápis, borracha, papel e prancheta. Começavam a entrar no Brasil em escala comercial as estações de trabalho de CAE/CAD/CAM.

A reportagem falava sobre as características do equipamento “revolucionário”. As estações contavam com computador, display gráfico, teclado e vídeo para comunicação, mouse ou mesa digitalizadora para traçar o projeto no vídeo. Uma impressora dotada com plotter repassava ao papel o imaginado para o projeto. Na tela, os usuários podiam visualizar o design ideal de peças e moldes em duas ou três dimensões e infinitos ângulos, com recursos automáticos de mudanças de escala, cortes, ampliações, utilização de cores, rotações, sombras, luzes e outras “mágicas”.

As vantagens não paravam por aí. A reportagem explicava que definida a geometria, os engenheiros podiam associar o resultado com as propriedades físicas do termoplástico escolhido para a produção de peças, graças à presença para lá de conveniente de um banco de dados dotado com informações preciosas. Mais do que isso: podiam ser obtidas, de forma instantânea, características como massa necessária da matéria-prima, volume requerido das cavidades ou o centro de gravidade da peça.

Apesar de tantas vantagens, a aquisição destas estações de trabalho era sonho para poucos. As limitações impostas pela legislação protecionista da indústria da informática nacional deixavam os interessados em dificuldades para adquirir o equipamento. Uma das opções era encomendar o primeiro modelo inteiramente produzido no Brasil, projeto da empresa paranaense Comicro.

Outras empresas, como a Multicad, ofereciam estações com grau de nacionalização menor. Uma terceira opção era utilizar centros tecnológicos do exterior por meio de convênios firmados com filiais nacionais. Era o caso da Coplen, que colocava à disposição dos usuários os laboratórios da GE, ou da Polimold, fabricante de porta-moldes e na época representante nacional de outra empresa norte-americana, a DME.

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