Década de 80 – Em meio a vários planos econômicos, os polímeros buscam espaço para crescer e substituem outros materiais em diversas aplicações

As garrafas PET chegaram ao Brasil em meados de 1988, graças aos investimentos de milhões de dólares feitos por um punhado de empresas. O sopro da primeira unidade dessas embalagens foi documentado pela revista Plástico Moderno na edição de julho de 1988. A operação aconteceu em Osasco-SP, na fábrica brasileira da Battenfeld Ferbate, que importou os equipamentos utilizados na primeira fábrica do Brasil de sua matriz na Alemanha. Tais equipamentos iriam equipar a Scarpack, sediada em Campinas-SP, pioneira a produzir as garrafas no país. A matéria-prima foi fornecida pela ICI, que prometia abastecer o mercado brasileiro com 12 mil toneladas por ano de PET para sopro a partir de meados de 1989. Emílio Derballe, na época gerente de desenvolvimento de produtos da multinacional, deu uma declaração romântica à revista para explicar os zelos necessários para o sucesso da operação. “O PET precisa ser tratado com todo o carinho, o mesmo dedicado à mulher amada”, disse.

O grande potencial do mercado, confirmado nos anos seguintes, já chamava a atenção de outros nomes conhecidos naqueles anos. A Celanese Brasileira, holding pertencente à Sinasa (80%) e ao Citycorp (20%), prometia investir na fabricação de PET. A Engepack, pertencente à Petroquímica da Bahia, Proquiges e Ogisa, seria concorrente da Scarpack. A fabricante de injetoras Petersen e a de sopradoras Bekum se mostravam dispostas a competir no promissor filão de equipamentos.

Automóveis, cabos e banheiras – A utilização de materiais plásticos no automóvel crescia em função direta do avanço da tecnologia. “Em 1985, o Brasil empregou 50 kg de termoplásticos por veículo, cifra que deverá atingir, segundo levantamento da DuPont, entre 70 kg e 75 kg até 1990. Nos Estados Unidos, em 1985, foram empregados 100 kg de resinas por veículo, com previsão de 125 kg até o final da década. Na Europa, 82 kg foram utilizados em cada carro no ano passado, devendo passar para 100 kg daqui a quatro anos.”

No Brasil, entre as peças injetadas, começavam a ser fabricados para-choques e painéis de plástico. No caso do sopro, uma peça chamava a atenção. Os tanques de combustível feitos de metal enferrujavam e ocasionavam vazamentos. Em especial no Brasil, onde o uso do álcool já era comum – o biocombustível é bem mais corrosivo do que a gasolina. A falta de segurança terminou com o uso do plástico para produzir essas peças. Em novembro de 1987, a revista fez uma reportagem com a Soplast, primeira empresa brasileira a adotar a tecnologia. O primeiro veículo fabricado no Brasil com o tanque plástico fabricado por aqui foi o Escort 88.

A matéria-prima utilizada para produzir as peças foi o PEAD de alto peso molecular, fornecida pela Polisul e Eletrocloro. A sopradora, primeira do gênero na América do Sul, foi projetada especialmente pela Bekum e trazia como característica particular a possibilidade de produzir peças de grande volume. O molde foi importado da Alemanha. Hoje, o uso de tanques de combustível de plástico virou corriqueiro. Ele equipa até mesmo ônibus e caminhões, veículos que exigem peças com volumes bem maiores, produzidas pelo processo de rotomoldagem.

Plástico Moderno, Década de 80 - Em meio a vários planos econômicos, os polímeros buscam espaço para crescer e substituem outros materiais em diversas aplicaçõesNa década de 80, a indústria da comunicação estava às vésperas de entrar em um período de extraordinária transformação. Alguns anos depois surgiria a revolucionária internet, a televisão com imagem em alta definição e tridimensional e outros recursos inimagináveis pelos seres humanos comuns naqueles dias. Na época, os comentários dos especialistas recaíam sobre um item com grande responsabilidade por essa evolução, os cabos óticos. Uma empresa brasileira, a ABCXtal, criada em 1984 para desenvolver tecnologia nacional para a fabricação desses cabos, foi uma das pioneiras em todo o mundo. A empresa começou amparada por contrato de exclusividade de fornecimento para a Telebras, pelo prazo de cinco anos, e forneceu os fios usados na primeira linha interurbana interligada com sistema ótico no país, que ligou a capital federal Brasília à cidade-satélite de Taguatinga. No final da década de 80, outras três empresas produziam cabos óticos por aqui: Pirelli, Condugel e Marsicano. As três com tecnologia importada.

Em maio de 1988, a fotografia de um cabo ótico estampada na capa chamava a atenção dos leitores da Plástico Moderno. Nada mais justo. Afinal, o plástico representava 60% do produto. A reportagem destacava também a pesquisa sobre novas formulações capazes de substituir até mesmo o vidro, utilizado na parte mais nobre dos cabos, as fibras óticas. “Experiências nesse sentido estão sendo efetuadas nos países avançados, onde o acrílico tem sido testado de maneira satisfatória em pequenas operações”, dizia a reportagem. Silicone, náilon, polietileno, polipropileno, poliéster e acrilato eram as matérias-primas utilizadas na fabricação dos cabos, fornecidas por importadores e fabricantes nacionais. A fabricante de extrusoras Miotto já contava com modelo de máquina adaptado para a operação.

Uma parceria entre a fabricante de banheiras Jacuzzi, responsável pelo desenvolvimento do equipamento, e a ICI, fornecedora da matéria-prima, resultou na chegada ao Brasil da fabricação de banheiras hidroterápicas feitas com chapas de acrílico moldadas a vácuo e reforçadas com poliéster e fibra de vidro. A façanha mereceu a capa da revista de julho de 1987. A matéria contou as dificuldades enfrentadas pela empresa para chegar à solução apropriada. Não se tratava de uma tecnologia inédita no mundo. Em 1949, modelos similares foram lançados na Austrália. Por aqui, no entanto, era novidade. Desde 1982 a Jacuzzi tentava, mas não conseguia atingir a qualidade esperada. As máquinas nacionais adaptadas para a operação não funcionavam e as leis protecionistas impediam a importação de equipamentos.

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