Década de 80 – Em meio a vários planos econômicos, os polímeros buscam espaço para crescer e substituem outros materiais em diversas aplicações

A inauguração mereceu reportagem em dezembro de 1982, época de ambiente recessivo. A capacidade de transformação de plásticos no sul do país era de mais de 300 mil toneladas por ano. Em 1981, no entanto, a região utilizou apenas 152 mil toneladas, volume 23% inferior ao processado no ano anterior. Era, portanto, período de elevada ociosidade na oferta de matérias-primas. Em defesa do III Polo, especialistas apoiavam-se na possibilidade de que a maior oferta e flexibilidade no abastecimento abririam novas perspectivas para a indústria da transformação. Era uma chance para o desenvolvimento.Plástico Moderno, Década de 80 - Em meio a vários planos econômicos, os polímeros buscam espaço para crescer e substituem outros materiais em diversas aplicações

A matéria também tocava em um ponto sensível, o da possibilidade de poluição com a entrada em funcionamento do empreendimento: “Passado novembro, o polo petroquímico do Sul deu largada discretamente, sem levantar a poeira das polêmicas sobre a exposição da Lagoa dos Patos aos efluentes petroquímicos de Triunfo. Afinal, os gaúchos já demonstraram suficiente ojeriza e fôlego para sustentar o debate sobre a poluição do Guaíba por mais de dez anos, desde que a Riocell (ex-Borregaard) instalou-se às margens daquele rio para fabricar celulose.”

Plástico reforçado – A capa de outubro de 1981 deu destaque ao consumo de 40 mil toneladas anuais de plástico reforçado no país. Desse total, 88% correspondia às vendas do fiberglass, nome dado à adição de fibra de vidro ao termofixo poliéster. A matéria-prima resultante era utilizada em aplicações variadas.

As vendas eram divididas da seguinte forma: 21% eram usadas na produção de tanques e tubos resistentes à corrosão; 20% seguiam para a indústria automobilística; 20% para a construção civil, em especial para a fabricação de telhas; 7% para a indústria náutica; 7% para a indústria de recreação; os setores de eletroeletrônicos e eletrodomésticos ficavam com 5% cada; 3% eram destinadas a silos e biodigestores para a agricultura e o restante para outros fins.

Os componentes produzidos com termoplásticos – náilon, polipropileno, ABS, policarbonato, poliacetal e outros – ainda não eram muito procurados. Apesar disso, apareciam como os mais promissores. Naqueles dias, por dez anos as vendas desses compostos vinham apresentando crescimento da ordem de 25% ao ano.

O potencial de consumo era grande, em especial pela possibilidade futura de substituição de outras matérias-primas. Um desses estudos tinha como foco conquistar o espaço de ligas metálicas, casos do duralumínio, zamac, alumínio e latão. Também se pesquisava a substituição do cobre e do ferro fundido. Ainda começava a se avaliar o uso de reforçados no lugar dos plásticos de engenharia. Avaliava-se que a adição de 30% de fibra de vidro no polipropileno poderia vir a substituir o náilon com grande vantagem de custos.

Furor – Não foram poucos os lançamentos de produtos de plástico de sucesso. Entre as peças injetadas, uma agitou o mundo no ano de 1982. O compact disc (CD) causou furor quando trouxe às gravações qualidade sonora muito superior à obtida com o antigo long play (LP). A novidade foi lançada pela Philips e Sony e atraiu a atenção dos europeus, norte-americanos e japoneses. Os privilegiados consumidores iniciais do produto no início da década ficavam maravilhados com a pureza e a fidelidade do som obtidas naqueles discos de aparência metálica e 12 cm de diâmetro, feitos de policarbonato.

Plástico Moderno, Década de 80 - Em meio a vários planos econômicos, os polímeros buscam espaço para crescer e substituem outros materiais em diversas aplicaçõesO mundo ainda não era globalizado e a novidade chegou ao mercado brasileiro somente alguns anos depois. O artista que teve a honra de gravar o primeiro CD feito por aqui foi Caetano Veloso. O disco chegou ao mercado em 1987. Na edição de maio de 1988, a Microservice, pioneira na fabricação de CDs no mercado brasileiro, foi tema da matéria de capa da revista. A empresa investiu US$ 15 milhões para instalar a planta industrial e, na época da reportagem, sua capacidade de produção era de 250 mil unidades por mês. Além de prestar serviço às gravadoras nacionais, a empresa exportava 100 mil CDs para clientes dos Estados Unidos, América do Sul e Europa.

A reportagem destacava as sofisticadas instalações da Microservice, cuja estrutura contemplava ambiente controlado, salas limpas e equipamentos trazidos do Japão. Entre as máquinas, injetoras de elevada precisão, metalizadoras a vácuo, envernizadoras, impressoras serigráficas e computadores para controle de qualidade. Os moldes foram importados dos Estados Unidos, mas a empresa prometia nacionalizá-los em breve. A matéria-prima era fornecida pelas fabricantes Bayer, Teijin e General Electric. A reportagem previa a substituição total dos LPs. Isso apesar das dificuldades a serem enfrentadas. Sigfried Stemp, diretor industrial da Battenfeld Ferbate, empresa na época apta a fabricar no Brasil injetoras usadas para a produção dos CDs, fez a seguinte declaração para a revista: “O compact disc é a peça mais difícil de ser produzida na área de injeção.”

Hoje em dia, o uso intenso das garrafas PET para embalar refrigerantes é acusado por muitos ecologistas de causar danos ao meio ambiente. Quem há três décadas estava no período da adolescência, há de se lembrar do impacto causado pelo lançamento dessa peça plástica. Antes, comprar bebidas carbonatadas em um supermercado exigia uma operação incômoda: levar os vasilhames de vidro vazios aos pontos de venda, trocá-los por vales e depois descontar esses vales na hora de pagar pelas garrafas cheias.

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