Plástico

Década de 70 – Indústria do plástico deslancha com a nacionalização de resinas, mas enfrenta a disparada nos preços do petróleo em duas crises internacionais

Jose Paulo Sant Anna
10 de novembro de 2011
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    Injeção + sopro – Em meados da década de 70, envasar refrigerantes em embalagens de plástico era possível apenas na mente de alguns visionários. A edição de junho de 1974 trouxe matéria sobre um processo de fabricação incipiente, mas hoje bastante famoso por ser utilizado na produção de garrafas PET. “Até o momento, as máquinas que operam pelo princípio de extrusão-sopro ocupam a principal fatia do mercado. No entanto, os fabricantes de equipamentos da Europa e dos Estados Unidos já estão reservando uma parte de sua linha para as máquinas do tipo injeção-sopro”, começava o texto.

    A reportagem falava um pouco sobre a tecnologia. “Essa técnica consiste em injetar uma pré-forma ao redor de um núcleo e de um molde. Após um resfriamento parcial, o conjunto de núcleo e a pré-forma são levados para o molde de sopro, onde ganha seus contornos finais.” As virtudes do processo eram exaltadas. “Com efeito, as máquinas desse tipo combinam as vantagens da injeção pura e do sopro por extrusão. Permitem economia de matéria-prima de 10% a 40%, garantem melhor orientação biaxial e melhor controle de espessura das paredes do frasco e eliminam a formação de rebarbas. Além disso, elas permitem o controle das dimensões do gargalo, o que muitas vezes se constitui no ponto fraco do processo de sopro.”

    As vantagens também se estendiam para o lado estético das peças produzidas. “A tecnologia oferece a possibilidade de obter formas dificilmente conseguidas com o sistema tradicional: garrafas e peças com entalhes internos, como acoplamentos e encaixes de tubos, e corpos fundos com paredes finas.”

    Era QD – “O nosso curso integrado de embalagem.” Esse foi o tema da matéria de capa da edição de agosto de 1976, o primeiro número da revista publicado pela Editora QD. Ela tinha como objetivo oferecer aos leitores um curso integrado de embalagem, programado por um especialista do setor, o engenheiro Lincoln Seragini. A série trouxe princípios técnicos, econômicos e de marketing abordados de forma didática, com o objetivo de auxiliar a formação profissional de técnicos e promover a racionalização do sistema de produção de embalagens, atividade que na época movimentava US$ 1,8 bilhão de dólares no Brasil.

    As atrações do primeiro número na casa nova não pararam por aí. O setor de plásticos tentava conseguir do governo maior rapidez na concessão de repasse de preços. “Um esquema de liberdade vigiada ou, pelo menos, a concessão imediata de reajustes para os preços dos manufaturados de plásticos, acompanhando os aumentos da matéria-prima. Esta é a principal reivindicação do Sindicato da Indústria de Material Plástico do Estado de São Paulo, que congrega mais de 95 por cento dos transformadores de plástico instalados no Brasil.”

    Outra notícia com chamada de capa era a do lançamento de dois novos modelos de injetoras feitos pela Ferbate. Uma característica importante da máquina era a sua força de fechamento de 380 toneladas, bastante elevada para a época. A organização da III Semana do Plástico, que seria realizada de 13 a 17 de setembro, era motivo de conversas nas rodas dos profissionais do ramo.

    Ecologia – Falar sobre ecologia não era algo muito comum em 1976, a não ser para poucos abnegados. Começavam, no entanto, alguns projetos voltados para preservar o meio ambiente de problemas desagradáveis. Foi o que mostrou a reportagem de novembro. Com o objetivo de diminuir o problema dos resíduos plásticos, uma empresa brasileira, o grupo Divani, ligado ao ramo de embalagens (sacos plásticos e de papel), mostrava-se pioneiro na ideia de fabricar no Brasil um filme degradável.Plástico Moderno, Década de 70 - Indústria do plástico deslancha com a nacionalização de resinas, mas enfrenta a disparada nos preços do petróleo em duas crises internacionais

    A empresa adquiriu know-how desenvolvido na Inglaterra, na época o único sistema conhecido no mundo para essa operação. No país da rainha Elizabeth já eram produzidos milhares de sacos com a tecnologia desde o ano anterior. O processo previa a inclusão de amido, em porcentagens variadas – de 15% a 50% –, a qualquer tipo de termoplástico (PE, PP, PVC, PS e PU), para tornar o produto vulnerável à ação enzimática quando enterrado no solo. “Fora do contato íntimo com a terra, o plástico com amido não sofre nenhuma ação deletéria provocada pelo meio ambiente (umidade, luz solar, intempéries etc.) e até mesmo pelos agentes químicos.” Com a adição de 10% de amido, o filme plástico levava dois anos para sofrer decomposição total.

    “Entre as principais aplicações desses novos plásticos, a Divani destaca os lençóis agrícolas (até 50% de amido), copos descartáveis (20% de amido), brinquedos de PVC (30%), cordas de polipropileno (em teste na Europa) e garrafas.” Outra utilização era um tanto mórbida. “O uso poderia se estender até para fins mortuários, em produtos como caixão de defunto ou saco envoltório do corpo (este obrigatório na Áustria).”

    Camaçari – “Com a implantação no Polo Petroquímico de Camaçari-BA e o início das operações industriais neste semestre, o governo federal promete uma rápida e radical transformação no panorama de recursos da Região Nordeste, marcada pela pobreza e êxodo rural, por uma industrialização incipiente e extrema dependência econômica do Centro-Sul do país. Mais indústrias, mais divisas, menos importação, mais empregos. E tudo isso até 1980, quando deverá estar instalada no Nordeste uma capacidade de transformação capaz de esgotar o potencial do mercado regional.”



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