Plástico

Década de 70 – Indústria do plástico deslancha com a nacionalização de resinas, mas enfrenta a disparada nos preços do petróleo em duas crises internacionais

Jose Paulo Sant Anna
10 de novembro de 2011
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    O processo foi analisado etapa por etapa. “Comece pela extrusão. O equipamento de extrusão deve fornecer um polimento bem plastificado, homogêneo, de maneira contínua e constante em formato e quantidade. A extrusora deve, em primeiro lugar, estar equipada com o cilindro específico para a transformação da matéria-prima – o comprimento do cilindro, no caso, é de 25 vezes o diâmetro, pelo menos. Se for menor, pode ocorrer o processamento do material, mas a plastificação não será tão eficiente…”

    As dicas também atingiam os moldes. “As duas metades dos moldes são guiadas por meio de pinos de guia, geralmente em número de quatro. Os alojamentos dos pinos devem ser revestidos com camisas de material temperado e substituíveis, pois com o trabalho contínuo o desgaste é grande e ocasiona desalinhamento da cavidade, o que provoca defeitos nas peças.”

    Plástico & Embalagem – O editorial da revista no mês de abril de 1973 explicava a mudança. A partir daquele número, ela passava a se chamar Plásticos & Embalagem. O objetivo era incluir no conteúdo editorial as tecnologias de fabricação de embalagens voltadas para transformar outros materiais. “Em vez de se restringir a um caderno, retratando apenas as novidades em matérias-primas, máquinas, processos e aplicações dos plásticos nesse campo, a publicação vai conter duas revistas em uma. A primeira, como é feita há quase dois anos, dedicada a todos os desenvolvimentos dos plásticos. Já a segunda abordará os assuntos de maior interesse no campo da embalagem, seja ela de plástico, papel, papelão, vidro, madeira ou lata. Esperamos dessa forma atender ao interesse que os nossos leitores têm manifestado pelos problemas de embalagem.”

    A reportagem principal da edição foi uma matéria sobre a arte da criação da embalagem. Ela abordou tópicos necessários para fazer projetos visuais capazes de atender às necessidades de valorizar os produtos. O plástico continuava a ter forte presença editorial. Matéria sobre a descrição dos métodos modernos de obtenção de fios e fibras de polipropileno recebeu uma “chamada” de capa. Havia espaço para reportagens diferenciadas. Uma delas abordava como fazer para equipar as fábricas por meio dos contratos de leasing. A primeira fábrica nacional de fibra de vidro, a Ocfibras, ganhou uma matéria.Plástico Moderno, Década de 70 - Indústria do plástico deslancha com a nacionalização de resinas, mas enfrenta a disparada nos preços do petróleo em duas crises internacionais

    Rosca dupla – “Há pouco mais de quatro anos, a indústria do plástico da Europa e dos Estados Unidos foi surpreendida por uma extraordinária novidade: a extrusora de rosca dupla.” Assim começava uma reportagem publicada em junho de 1974. O texto destacava o significado da evolução para a metodologia de transformação. “À primeira vista, era uma simples solução para os problemas de produtividade do setor, uma vez que, pela lógica, deveria ter duas vezes a capacidade da máquina convencional. Hoje, no entanto, já estão bem definidas suas principais aplicações: fabricação e tingimento de compostos, especialmente de PVC, fabricação de chapas e tubos de grande diâmetro.”

    As maiores vantagens do equipamento eram apresentadas com destaque: “Eles proporcionam melhor plastificação e maior homogeneidade, principalmente no caso dos compostos. Como o material não sofre muita pressão interna e não é forçado durante o processamento, é quase eliminado o perigo da decomposição. Além disso, a rosca dupla permite trabalhar com o pó do PVC, sem prévia plastificação, e transporta a matéria-prima de forma contínua e constante.”

    Uma constatação: “Segundo alguns fabricantes do setor de máquinas, as extrusoras de rosca dupla interessam mais de perto aos produtores de matérias-primas do que aos transformadores, pois sua função-chave é a fabricação de compostos. Quanto a um possível aumento de produção, seus efeitos não são muito sensíveis.”

    Na época, as extrusoras de rosca dupla compunham a linha de grandes empresas internacionais fabricantes de máquinas, como a Cincinnati Milacron, KraussMaffei, Werner & Pfleiderer e Egan. “No Brasil, a novidade só está chegando agora, através da Reifenhäuser e da Polietil, que prometem formalizar o lançamento de um modelo na próxima Feira da Mecânica. E a atitude dos transformadores ainda é de expectativa quanto aos seus reais benefícios para o volume e a qualidade de produção.”

    A mesma reportagem destacou o avanço dos modelos convencionais. “Os últimos anos testemunharam significativas alterações no know-how das extrusoras, para permitir a moldagem de materiais difíceis, como os plásticos higroscópicos – ABS, náilon e acrílico. Também é o caso de linhas completas para a moldagem de perfis de PVC espumado, folhas de polipropileno com carga de madeira ou laminados de plástico e papel.”

    Em paralelo, destaque para o início do avanço da informática. “Outras modificações importantes também ocorreram no controle da extrusão. A Wetex, por exemplo, introduziu um computador nos seus novos modelos para ajustar a espessura das folhas e filmes extrudados ou coextrudados. E uma firma especializada criou uma unidade totalmente computadorizada, que está apta a detectar as causas de muitos defeitos no processo e chega a sugerir alterações nos equipamentos já existentes.”



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