Plástico

Década de 70 – Indústria do plástico deslancha com a nacionalização de resinas, mas enfrenta a disparada nos preços do petróleo em duas crises internacionais

Jose Paulo Sant Anna
10 de novembro de 2011
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    “A Gerst produz extrusoras dotadas com motor simples ou eletromagnético, com diâmetros de rosca entre 35 e 120 mm, para filmes com espessura desde 0,02 mm até 0,5 mm. Fabrica ainda equipamentos para obtenção de tubos, perfis, monofilamentos e recuperação. A menor extrusora custa Cr$ 25 mil e a maior custa Cr$ 150 mil.” “Quem produz a extrusora Olga é a Indústria Metalúrgica Santa Bárbara. A indústria fornece cinco modelos de máquinas para a fabricação de folhas de polietileno, que se diferenciam nas dimensões da torre, da extrusora propriamente dita e da enroladeira… Pretende agora entrar na produção de equipamentos para ráfia.”

    “A Irmãos Pugliese fabrica extrusoras e máquinas para moldagem por sopro. De sua linha normal de produção constam extrusoras de 45, 60 e 90 mm para filmes de polietileno, com capacidade de plastificação respectiva de 35, 70 e 140 kg/h e extrusoras para tubos, mangueiras, perfis e granulação de PVC, de 35, 45, 60 e 90 mm.” “A Luigi Rulli produz extrusoras para PVC, polietileno, polipropileno e náilon. As extrusoras para filme de polietileno têm capacidade desde 15 kg/h até 100 kg/h, fazendo sacos de seis cm até dois m de largura e de 0,10 mm até 0,40 mm de espessura. O equipamento para monofilamento e ráfia, com capacidade para 60 kg/h custa Cr$ 320 mil, com enroladeira de 82 fusos.”

    “A Reifenhäuser fabrica todas as extrusoras básicas e equipamentos auxiliares para a fabricação de filmes de polietileno, chapas de poliestireno comum e alto impacto, acetato de celulose, PVC flexível e rígido e acrílico… Agora está lançando um equipamento para a produção de filme de polietileno de alta densidade e alto peso molecular e outro para coextrusão de filme de polietileno e outros materiais.”

    Sopradoras – Em 1972, seis fabricantes de sopradoras eram bastante conhecidas no mercado brasileiro: Dugin, Fábrica de Moldes e Máquinas, Rusa, Pugliese, Rogeflex e Rosvel. Juntas, elas conseguiram vender 218 máquinas naquele ano. Os empresários do setor demonstravam otimismo para o ano seguinte. Não era para menos. Na edição de agosto de 1973, a revista informava que no primeiro semestre o setor havia conseguido vender mais máquinas do que em todo o ano anterior.

    A máquina mais cara do mercado em 1973 custava Cr$ 170 mil. Era a S-70, fabricada pela Rosvel. Ela era uma sopradora por extrusão contínua com transferência e tinha capacidade de plastificação de 35 kg/h de polietileno ou 25 kg/h de PVC. Trabalhava com até dez ciclos por minuto. As dimensões máximas das peças que produzia eram dois mil centímetros cúbicos de volume e noventa gramas de peso. A sopradora de menor preço, por sua vez, era a F1, oferecida pela Rusa. Ela custava uma “pechincha”: Cr$ 16 mil. Sua capacidade de plastificação era de 10 a 12 kg/h, transformados em até doze ciclos por minuto. As peças fabricadas por ela tinham volume máximo de 750 centímetros cúbicos.

    Em setembro de 1973, a revista fez uma pesquisa com 314 empresas de transformação (amostra estatística de um total de 2.932 empresas computadas). O estudo tinha como objetivo delinear o mercado de máquinas da época. O resultado revelou força por parte do sopro nacional. Dentre os entrevistados, sessenta declararam trabalhar com sopradoras. Ao todo, eles contavam com 259 máquinas nacionais e 80 estrangeiras. O resultado permitiu concluir que o parque nacional de sopradoras detinha entre 2,7 mil e 3,2 mil máquinas, algo em torno de 13% dos equipamentos básicos instalados no parque brasileiro da indústria do plástico.Plástico Moderno, Década de 70 - Indústria do plástico deslancha com a nacionalização de resinas, mas enfrenta a disparada nos preços do petróleo em duas crises internacionais

    “Aplique bem a injeção” – Em seus primeiros anos de vida, a revista Plásticos & Borracha tinha como norma apresentar matérias de caráter didático. O objetivo era colaborar com os profissionais de um setor cuja tecnologia ainda precisava ser difundida. No início da década de 70, os transformadores sofriam muito com problemas nas linhas de produção de peças injetadas. Em novembro de 1971, foi publicada uma reportagem cujo sugestivo título era “Aplique bem a injeção”.

    Assim começava o texto: “A máquina injetora tem um coração sensível: um intrincado sistema hidráulico que pede manutenção cuidadosa e rigoroso controle técnico durante o processamento. A qualidade do óleo, por exemplo, pode ser responsável por impurezas que afetam o mecanismo das válvulas e bombas. Para que o movimento de avanço ou recuo dos pistões dentro dos cilindros resista às fricções, é preciso usar uma grande força determinada pela área de pistão e pela pressão do óleo. As peças usinadas que saem com rebarbas resultam do vazamento do plástico do cilindro de injeção por excesso de pressão.”

    Em seguida, a reportagem mostrava a grande causa dos problemas. “Todos esses defeitos mais comuns ocorridos nas injetoras advêm, geralmente, do uso inadequado do equipamento. A forma de corrigi-los é uma só, o conhecimento de todos os elementos do sistema hidráulico, o que nada mais é que um meio de transformar e transmitir energia mecânica.” A matéria prosseguiu com um resumo das funções dos elementos básicos do sistema hidráulico e de como eles deveriam ser tratados para que o cotidiano não trouxesse muitos dissabores para seus usuários.

    Os segredos do sopro – Também com caráter didático, a edição de agosto de 1971 veiculou matéria na qual eram apresentados os aspectos mais importantes da moldagem por sopro praticada na época do PEAD. Acompanhe o trecho inicial do texto: “Quem molda polietileno de alta densidade não pode admitir a fabricação de peças opacas, estriadas, ásperas ou enrugadas. Não quer o produto encolhido, quando esfriar, nem a solda aberta ao menor esforço. Para evitar a longa série de defeitos que aparecem durante o processo, deve conhecer em detalhes os componentes do equipamento e as condições de trabalho. Conheça a técnica, opere com perfeição.”



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