Plástico

Década de 70 – Indústria do plástico deslancha com a nacionalização de resinas, mas enfrenta a disparada nos preços do petróleo em duas crises internacionais

Jose Paulo Sant Anna
10 de novembro de 2011
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    A matéria-prima preferida dos fabricantes era o polietileno. A produção nacional do PE era de 70 mil toneladas por ano e em torno de 65% desse volume se destinava às embalagens, em especial para a confecção de saquinhos. A intensificação do uso de outras matérias-primas era bastante cogitada, caso do poliestireno para embalar produtos detergentes ou do PVC para fabricar potes para margarinas e geleias. A transparência do PVC era característica valorizada pelos técnicos voltados para a produção de frascos.

    Hoje é praticamente impossível encontrar um aparelho eletrodoméstico ou eletroeletrônico que não contenha peso considerável de plástico em sua composição. Em 1972 as coisas não eram bem assim. Mas a indústria de transformação brasileira não fazia feio. Uma reportagem publicada na edição de julho daquele ano destacava a atuação da indústria nacional. Em um dos escritórios da AEG – Telefunken do Brasil, no bairro da Barra Funda, na capital paulista, uma boa notícia era divulgada por Herbert Keysers, chefe de suprimento da divisão de rádio e televisão: “A partir de 1973, a empresa não vai mais importar plásticos.”Plástico Moderno, Década de 70 - Indústria do plástico deslancha com a nacionalização de resinas, mas enfrenta a disparada nos preços do petróleo em duas crises internacionais

    O texto fazia a ressalva de que o informe não significava o fracasso do uso desse material. Pelo contrário. “A partir do próximo ano, a indústria nacional de plásticos estará apta a fornecer todas as peças utilizadas em nossos aparelhos.” A afirmação era confirmada com o trecho a seguir. “São raríssimos os componentes de plásticos para aparelhos eletroeletrônicos que continuam sendo importados, mesmo levando-se em consideração que na pequena eletrola portátil da Telefunken são utilizados 36 itens nesse material.”

    Na época, muitos fabricantes de aparelhos atuavam de forma verticalizada. “Cerca de 60% das peças de plástico utilizadas nas linhas de montagem da General Electric do Brasil são produzidas ali mesmo, com os mais variados tipos de resinas.” Os 40% restantes eram fornecidos por terceiros. A exigência do setor em relação aos fornecedores era rígida desde aqueles anos. “As empresas são escolhidas mediante rigoroso critério de seleção, por qualidade e pontualidade de entrega.”

    A iminente chegada dos aparelhos de TV em cores gerava expectativa. “Por enquanto, devido ao pequeno volume de produção, as aplicações ainda são reduzidas, até mesmo nos componentes estruturais. Mas a tendência ao deslanche é animadora, segundo os seus fabricantes, e essas esperanças são diretamente proporcionais às das indústrias de plástico ligadas ao setor.”

    Injetoras – Ao longo dos anos, a revista tem feito acompanhamento próximo do segmento de indústria de base voltado para a produção dos mais variados itens. A primeira edição voltada para equipamentos circulou em setembro de 1971. A reportagem trouxe um perfil completo do mercado brasileiro. No campo das injetoras, cinco empresas nacionais participavam do mercado com destaque: Ferbate, Mecânica Oriente, Mom, Petersen e Semeraro.

    A Ferbate oferecia linha formada por doze modelos, com capacidades de injeção de peças com pesos de 100 g a 3 kg. “Essas máquinas trabalham com termoplásticos, mas também podem ser adaptadas para injetar termofixos e borracha. São totalmente automáticas, com plastificação por rosca sem fim, controle de saída das peças por fotocélula e dotadas de proteção para o molde”, explicava o texto.Plástico Moderno, Década de 70 - Indústria do plástico deslancha com a nacionalização de resinas, mas enfrenta a disparada nos preços do petróleo em duas crises internacionais

    A Irmãos Semeraro fabricava cinco modelos, com capacidades para peças de 80 g a 450 g. Por encomenda, produzia equipamentos indicados para peças de 40 gramas a 2 kg. A Oriente era especializada em unidades com capacidade para injetar peças de 150 g. A empresa trabalhava por encomenda e o prazo de entrega estipulado era de cinco a seis meses. A pressão máxima de fechamento era de 120 toneladas.

    A Petersen oferecia três modelos. A empresa trazia uma novidade que faria sucesso nos anos seguintes: a série de injetoras Boy, fabricadas com know-how da alemã Dr. Boy KG. Os modelos tinham força de fechamento de 50 t, 140 t e 200 t. Quem também oferecia três modelos era a Mom, fábrica no mercado desde 1962. Todos tinham capacidade de produzir peças de 80 g. “A injetora Mom 80-II é a que trabalha mais devagar – o tempo de injeção é de quatro a cinco segundos. Na semiautomática 80-III e no modelo M80-4 o tempo é de dois a três segundos”, dizia a matéria.

    Extrusoras – Na mesma reportagem, foram apresentados os principais fornecedores de extrusoras. Seis empresas tinham grande participação no mercado: A. Carnevalli, Gerst, Indústria Metalúrgica Santa Bárbara, Irmãos Pugliese, Luigi Rulli e Reifenhäuser. Trechos da matéria falavam sobre os modelos oferecidos ao mercado. “A A. Carnevalli fornece máquinas para a produção de monofilamentos de polietileno, polipropileno e náilon, extrusoras para ráfia de polipropileno, máquinas para fios e cabos e conjuntos para a produção de redes, usadas nas embalagens de frutas, além de quatro modelos de extrusoras para filmes soprados de polietileno.”

    Uma novidade da empresa ganhou espaço no texto. “O mais recente lançamento é a extrusora para ráfia – ela extrusa o polipropileno em filme, faz o filamento, estira-o e embobina. O equipamento produz até 12 mil kg/mês e custa entre Cr$ 160 mil e Cr$ 200 mil, conforme o número de fusos que se destinam ao embobinamento.”



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