Plástico

Década de 70 – Indústria do plástico deslancha com a nacionalização de resinas, mas enfrenta a disparada nos preços do petróleo em duas crises internacionais

Jose Paulo Sant Anna
10 de novembro de 2011
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    Dizia o texto: “As novas indústrias petroquímicas, procurando abrir caminho para seus produtos, funcionam como incentivo à expansão do parque nacional de resinas plásticas, que pode planejar suas atividades com menor dependência das importações. Não é por acaso que mais de vinte empresas do setor aumentam a quantidade e a qualidade da produção, a qual não ia além das modestas 75 mil t/ano até 1965. Afinal, elas sabem que é urgente preparar-se para fazer frente à demanda, prevista para mais de 550 mil toneladas em 1976, de acordo com a Comissão Econômica para a América Latina.”

    A edição dedicou 23 páginas para falar sobre cada uma das resinas oferecidas pelo mercado. O objetivo foi orientar os técnicos da época a conhecer as propriedades e aproveitar melhor as matérias-primas. Outras 21 páginas trouxeram tabelas com as especificações técnicas de 39 matérias-primas.

    Acompanhe como foi apresentado o polipropileno, material hoje utilizado em inúmeras aplicações. A matéria trazia o sugestivo título “Polipropileno – A versatilidade do plástico”. “O polipropileno é um derivado relativamente barato do petróleo… É fornecido em grânulos e pode ser moldado por várias técnicas, até para extrusão de filamentos. Esse material resiste ao calor, tem boas características mecânicas e dielétricas, é quimicamente inerte e insolúvel em temperatura ambiente, resistente ao apodrecimento e mofo, além de ter uma flexibilidade ilimitada.”Plástico Moderno, Década de 70 - Indústria do plástico deslancha com a nacionalização de resinas, mas enfrenta a disparada nos preços do petróleo em duas crises internacionais

    Carrinhos e carrões – Um segmento teve grande responsabilidade no desenvolvimento da indústria do plástico. Foi o de brinquedos. Responsável pela fabricação de itens como carrinhos, bolas e bonecas, entre outros, ele mereceu a capa da edição número quatro da revista, publicada em agosto de 1971. A matéria falava sobre a forte dependência do setor das vendas ocorridas no período do Natal. O objetivo dos empresários do ramo era distribuir os negócios durante o ano, explorando outras datas comemorativas, como Dia da Criança, Páscoa e as férias de julho.

    Algumas particularidades daquele período merecem ser mencionadas. A carteira do Comércio Exterior do Banco do Brasil (Cacex) informava que em 1969 o segmento de brinquedos contava com cerca de 200 empresas. Para dirigentes do setor, em 1971, a estimativa era de 330 fabricantes. As máquinas de transformação de plástico usadas por essa indústria eram quase todas importadas. “O equipamento nacional ainda é usado com pouca frequência. A maioria dos industriais brasileiros faz sérias restrições às máquinas fabricadas no Brasil”, dizia o texto.

    As matérias-primas mais usadas na confecção dos brinquedos – grande quantidade delas também importada – eram: polietileno (brinquedos inquebráveis), poliestireno (brinquedos mecânicos rígidos), PVC (cabeças das bonecas, bichinhos e bolas), ABS (por sua resistência, usados nas bases de autopistas e brinquedos similares) e o náilon.

    Sucesso nos carrinhos, sucesso nos automóveis. Desde o estabelecimento da indústria automobilística no país, ocorrido em meados dos anos 50, o segmento de transformação ganhou clientes para lá de valiosos. Conhecidas pelos investimentos no desenvolvimento da tecnologia, as montadoras podem ser definidas até hoje como incentivadoras do desenvolvimento de formulações de matérias-primas e de processos de fabricação.Plástico Moderno, Década de 70 - Indústria do plástico deslancha com a nacionalização de resinas, mas enfrenta a disparada nos preços do petróleo em duas crises internacionais

    A primeira capa dedicada ao setor foi a de número 10, publicada em março de 1972. O mote principal da reportagem era o avanço da excelência do setor nacional de autopeças, responsável pela constante redução de importações dos componentes plásticos usados nos veículos. Um exemplo da tecnologia de ponta usada na época foram as lanternas traseiras de acrílico em duas cores, fabricadas pelo processo de dupla injeção. Antes, a lanterna era injetada em uma cor e tinha um pedaço pintado para se tornar bicolor.

    A matéria mencionava números que demonstravam grande potencial de crescimento. O consumo médio norte-americano de plástico por automóvel estava na casa dos 50 kg. No Brasil, o Puma, um dos grandes sonhos de consumo da época, usava 15 kg. Entre as matérias-primas, o ABS era aproveitado em peças como molduras de painel, grades dianteiras e cobertura do botão da buzina. O polipropileno marcava forte presença na carcaça das lanternas e na base do descanso de braço. Era exaltado o grande potencial de consumo do poliéster reforçado com fibra de vidro, “um dos plásticos de maior futuro do setor automobilístico”. O entusiasmo não ocorria à toa. “Com ele, a Puma fabrica toda a parte estrutural de seus carros.”

    Embalagens e eletroeletrônicos – O uso do plástico nas embalagens era bastante tímido nos anos 70. O potencial de mercado, no entanto, chamava a atenção dos investidores. A primeira vez que o tema ganhou a capa da Plásticos & Borracha foi em dezembro de 1971. A matéria mostrava as credenciais favoráveis das resinas neste tipo de aplicação. “A versatilidade das formas, das cores, e a boa apresentação gráfica não são os trunfos do plástico na sua luta para liderar o setor. A possibilidade de industrialização em alta escala – reduzindo custos – e suas propriedades físicas e químicas não só permitem uma aplicação cada vez mais ampla do plástico nas embalagens de produtos de consumo direto, mas também abrem um novo campo de possibilidades bastante promissor: o campo das embalagens industriais e agrícolas”, informava a revista.



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