Década de 70 – Indústria do plástico deslancha com a nacionalização de resinas, mas enfrenta a disparada nos preços do petróleo em duas crises internacionais

Plástico Moderno, Década de 70 - Indústria do plástico deslancha com a nacionalização de resinas, mas enfrenta a disparada nos preços do petróleo em duas crises internacionaisOs militares estavam no poder nos anos 70. No início da década, a economia vivia o período batizado de “milagre econômico”. Com a ajuda de fortes investimentos do Estado na indústria de base, o país atingia índices de crescimento significativos. O setor petroquímico foi um dos beneficiados pelo cenário. Seu desempenho proporcionou importante impulso para a indústria do plástico, ajudada pela nacionalização da produção de resinas. Em 1973, a crise internacional do petróleo começou a gerar problemas para a economia do país. Dificuldades para o setor, ligado à petroquímica. Em 1979, outra crise internacional do petróleo agravou a situação. Crises à parte, os transformadores foram beneficiados pelo fato de o plástico ganhar terreno em novas aplicações.

Na época do lançamento da revista, o brasileiro consumia em torno de 2 kg de plástico por ano. O número de empresas transformadoras era estimado em 1,2 mil. A primeira edição fez um resumo da história da transformação do plástico no Brasil. A reportagem explicava que o início de tudo ocorreu no começo da década de 40. As únicas matérias-primas disponíveis naqueles dias eram as resinas celulósicas e formólicas, o PVC, e o poliestireno produzido com monômeros importados. Na década de 50, ocorreram indícios mais fortes de desenvolvimento, com a importação e a incipiente produção nacional de novos materiais. Alguns segmentos industriais passaram a usar o plástico em maior escala, garantindo ao setor de transformação nacional o mercado necessário para sua expansão.

“Apesar dos trinta anos de existência, a indústria nacional de plásticos só começou a apresentar indícios de desenvolvimento a partir de 1955. Até então, as únicas matérias-primas disponíveis no mercado brasileiro eram as resinas celulósicas e formólicas, PVC e poliestireno produzido com monômero importado.” O texto foi extraído da edição número 1 da Plásticos & Borracha. A reportagem adiantava o impulso que o setor, ainda com peso tímido na economia brasileira, teria com o desenvolvimento previsto para a indústria petroquímica.Plástico Moderno, Década de 70 - Indústria do plástico deslancha com a nacionalização de resinas, mas enfrenta a disparada nos preços do petróleo em duas crises internacionais

“Em 1954, o Conselho Nacional de Petróleo estabeleceu as normas para a indústria petroquímica e teve início a fabricação de estireno, polietileno, metanol, formol e negro de fumo. Multiplicou-se também a produção de resinas e já por volta de 1965 o panorama do setor era promissor”, dizia a matéria. Na época, a demanda nacional de polietileno de baixa densidade era de 15 mil t/ano, das quais quatro mil eram supridas pela importação e 11 mil pela Union Carbide, cuja fábrica em Cubatão tinha capacidade para 19,5 mil t/ano. A demanda do polietileno de alta densidade era de 4,8 mil t/ano e a única fabricante, a Eletroteno, podia produzir até 5,5 mil t/ ano. O poliestireno ocupava lugar de destaque no mercado – a Idrongal (900 t/ano), a Bakol (5,4 mil t/ano) e a Koppers (9 mil t/ano) produziam na época mais do que o mercado podia absorver. A demanda era de 14 mil t/ano. O consumo de PVC era de 32 mil t/ano. Os balanços das outras matérias-primas também foram citados na edição.

A pequena produção nacional de matérias-primas causava prejuízos para a indústria da transformação. Em 1970, o polietileno de baixa densidade importado da Alemanha ou do Japão chegava ensacado no porto de Santos a US$ 0,11 o quilo, valor que já contava com as taxas de seguro e frete incluídas. Na mesma época, a resina nacional custava de 10% a 20% mais. Em 1965, o problema era mais grave. O mesmo material produzido no Brasil custava US$ 0,62 o quilo.

Também no número inaugural da revista foi publicada a discussão ocorrida em uma mesa-redonda organizada pela Editora Abril, que contou com a presença de grandes nomes da indústria nacional do plástico na época. O tema do debate era bem sugestivo: “Quando teremos polietileno de qualidade, em quantidade e a preços internacionais?” Entre os debatedores, marcaram presença os dirigentes das indústrias de brinquedos Atma, Estrela e Trol, além de representantes dos fabricantes de utensílios Hévea e Itap. Lamentou-se a ausência de um representante da Union Carbide, na época, único fabricante nacional de polietileno de baixa densidade. César Solari, gerente técnico da Poliolefinas, empresa que meses depois seria concorrente da Union Carbide, marcou presença em nome dos produtores de resinas.

As discussões foram acaloradas. Os transformadores, é lógico, reclamaram muito do preço da matéria-prima. Cauteloso, Solari preferiu não discutir a fundo o assunto, mas garantiu que a capacidade instalada, com a entrada da Poliolefinas no mercado, saltaria para 124 mil t/ano, número que deveria superar a demanda do mercado em 1972, prevista em 104 mil toneladas.

Nova era – O ano de 1972 ficou marcado pela chegada de uma nova era para a indústria do plástico no Brasil. Em maio, uma reportagem especial anunciava na capa da revista “O mundo colorido das matérias-primas”. A matéria falava sobre o início, em breve, das operações da Petroquímica União, com a fabricação de 930 mil t/ano de produtos químicos de base. As novidades provocariam reviravolta no panorama nacional das matérias-primas para o setor.

Dizia o texto: “As novas indústrias petroquímicas, procurando abrir caminho para seus produtos, funcionam como incentivo à expansão do parque nacional de resinas plásticas, que pode planejar suas atividades com menor dependência das importações. Não é por acaso que mais de vinte empresas do setor aumentam a quantidade e a qualidade da produção, a qual não ia além das modestas 75 mil t/ano até 1965. Afinal, elas sabem que é urgente preparar-se para fazer frente à demanda, prevista para mais de 550 mil toneladas em 1976, de acordo com a Comissão Econômica para a América Latina.”

A edição dedicou 23 páginas para falar sobre cada uma das resinas oferecidas pelo mercado. O objetivo foi orientar os técnicos da época a conhecer as propriedades e aproveitar melhor as matérias-primas. Outras 21 páginas trouxeram tabelas com as especificações técnicas de 39 matérias-primas.

Acompanhe como foi apresentado o polipropileno, material hoje utilizado em inúmeras aplicações. A matéria trazia o sugestivo título “Polipropileno – A versatilidade do plástico”. “O polipropileno é um derivado relativamente barato do petróleo… É fornecido em grânulos e pode ser moldado por várias técnicas, até para extrusão de filamentos. Esse material resiste ao calor, tem boas características mecânicas e dielétricas, é quimicamente inerte e insolúvel em temperatura ambiente, resistente ao apodrecimento e mofo, além de ter uma flexibilidade ilimitada.”Plástico Moderno, Década de 70 - Indústria do plástico deslancha com a nacionalização de resinas, mas enfrenta a disparada nos preços do petróleo em duas crises internacionais

Carrinhos e carrões – Um segmento teve grande responsabilidade no desenvolvimento da indústria do plástico. Foi o de brinquedos. Responsável pela fabricação de itens como carrinhos, bolas e bonecas, entre outros, ele mereceu a capa da edição número quatro da revista, publicada em agosto de 1971. A matéria falava sobre a forte dependência do setor das vendas ocorridas no período do Natal. O objetivo dos empresários do ramo era distribuir os negócios durante o ano, explorando outras datas comemorativas, como Dia da Criança, Páscoa e as férias de julho.

Algumas particularidades daquele período merecem ser mencionadas. A carteira do Comércio Exterior do Banco do Brasil (Cacex) informava que em 1969 o segmento de brinquedos contava com cerca de 200 empresas. Para dirigentes do setor, em 1971, a estimativa era de 330 fabricantes. As máquinas de transformação de plástico usadas por essa indústria eram quase todas importadas. “O equipamento nacional ainda é usado com pouca frequência. A maioria dos industriais brasileiros faz sérias restrições às máquinas fabricadas no Brasil”, dizia o texto.

As matérias-primas mais usadas na confecção dos brinquedos – grande quantidade delas também importada – eram: polietileno (brinquedos inquebráveis), poliestireno (brinquedos mecânicos rígidos), PVC (cabeças das bonecas, bichinhos e bolas), ABS (por sua resistência, usados nas bases de autopistas e brinquedos similares) e o náilon.

Sucesso nos carrinhos, sucesso nos automóveis. Desde o estabelecimento da indústria automobilística no país, ocorrido em meados dos anos 50, o segmento de transformação ganhou clientes para lá de valiosos. Conhecidas pelos investimentos no desenvolvimento da tecnologia, as montadoras podem ser definidas até hoje como incentivadoras do desenvolvimento de formulações de matérias-primas e de processos de fabricação.Plástico Moderno, Década de 70 - Indústria do plástico deslancha com a nacionalização de resinas, mas enfrenta a disparada nos preços do petróleo em duas crises internacionais

A primeira capa dedicada ao setor foi a de número 10, publicada em março de 1972. O mote principal da reportagem era o avanço da excelência do setor nacional de autopeças, responsável pela constante redução de importações dos componentes plásticos usados nos veículos. Um exemplo da tecnologia de ponta usada na época foram as lanternas traseiras de acrílico em duas cores, fabricadas pelo processo de dupla injeção. Antes, a lanterna era injetada em uma cor e tinha um pedaço pintado para se tornar bicolor.

A matéria mencionava números que demonstravam grande potencial de crescimento. O consumo médio norte-americano de plástico por automóvel estava na casa dos 50 kg. No Brasil, o Puma, um dos grandes sonhos de consumo da época, usava 15 kg. Entre as matérias-primas, o ABS era aproveitado em peças como molduras de painel, grades dianteiras e cobertura do botão da buzina. O polipropileno marcava forte presença na carcaça das lanternas e na base do descanso de braço. Era exaltado o grande potencial de consumo do poliéster reforçado com fibra de vidro, “um dos plásticos de maior futuro do setor automobilístico”. O entusiasmo não ocorria à toa. “Com ele, a Puma fabrica toda a parte estrutural de seus carros.”

Embalagens e eletroeletrônicos – O uso do plástico nas embalagens era bastante tímido nos anos 70. O potencial de mercado, no entanto, chamava a atenção dos investidores. A primeira vez que o tema ganhou a capa da Plásticos & Borracha foi em dezembro de 1971. A matéria mostrava as credenciais favoráveis das resinas neste tipo de aplicação. “A versatilidade das formas, das cores, e a boa apresentação gráfica não são os trunfos do plástico na sua luta para liderar o setor. A possibilidade de industrialização em alta escala – reduzindo custos – e suas propriedades físicas e químicas não só permitem uma aplicação cada vez mais ampla do plástico nas embalagens de produtos de consumo direto, mas também abrem um novo campo de possibilidades bastante promissor: o campo das embalagens industriais e agrícolas”, informava a revista.

A matéria-prima preferida dos fabricantes era o polietileno. A produção nacional do PE era de 70 mil toneladas por ano e em torno de 65% desse volume se destinava às embalagens, em especial para a confecção de saquinhos. A intensificação do uso de outras matérias-primas era bastante cogitada, caso do poliestireno para embalar produtos detergentes ou do PVC para fabricar potes para margarinas e geleias. A transparência do PVC era característica valorizada pelos técnicos voltados para a produção de frascos.

Hoje é praticamente impossível encontrar um aparelho eletrodoméstico ou eletroeletrônico que não contenha peso considerável de plástico em sua composição. Em 1972 as coisas não eram bem assim. Mas a indústria de transformação brasileira não fazia feio. Uma reportagem publicada na edição de julho daquele ano destacava a atuação da indústria nacional. Em um dos escritórios da AEG – Telefunken do Brasil, no bairro da Barra Funda, na capital paulista, uma boa notícia era divulgada por Herbert Keysers, chefe de suprimento da divisão de rádio e televisão: “A partir de 1973, a empresa não vai mais importar plásticos.”Plástico Moderno, Década de 70 - Indústria do plástico deslancha com a nacionalização de resinas, mas enfrenta a disparada nos preços do petróleo em duas crises internacionais

O texto fazia a ressalva de que o informe não significava o fracasso do uso desse material. Pelo contrário. “A partir do próximo ano, a indústria nacional de plásticos estará apta a fornecer todas as peças utilizadas em nossos aparelhos.” A afirmação era confirmada com o trecho a seguir. “São raríssimos os componentes de plásticos para aparelhos eletroeletrônicos que continuam sendo importados, mesmo levando-se em consideração que na pequena eletrola portátil da Telefunken são utilizados 36 itens nesse material.”

Na época, muitos fabricantes de aparelhos atuavam de forma verticalizada. “Cerca de 60% das peças de plástico utilizadas nas linhas de montagem da General Electric do Brasil são produzidas ali mesmo, com os mais variados tipos de resinas.” Os 40% restantes eram fornecidos por terceiros. A exigência do setor em relação aos fornecedores era rígida desde aqueles anos. “As empresas são escolhidas mediante rigoroso critério de seleção, por qualidade e pontualidade de entrega.”

A iminente chegada dos aparelhos de TV em cores gerava expectativa. “Por enquanto, devido ao pequeno volume de produção, as aplicações ainda são reduzidas, até mesmo nos componentes estruturais. Mas a tendência ao deslanche é animadora, segundo os seus fabricantes, e essas esperanças são diretamente proporcionais às das indústrias de plástico ligadas ao setor.”

Injetoras – Ao longo dos anos, a revista tem feito acompanhamento próximo do segmento de indústria de base voltado para a produção dos mais variados itens. A primeira edição voltada para equipamentos circulou em setembro de 1971. A reportagem trouxe um perfil completo do mercado brasileiro. No campo das injetoras, cinco empresas nacionais participavam do mercado com destaque: Ferbate, Mecânica Oriente, Mom, Petersen e Semeraro.

A Ferbate oferecia linha formada por doze modelos, com capacidades de injeção de peças com pesos de 100 g a 3 kg. “Essas máquinas trabalham com termoplásticos, mas também podem ser adaptadas para injetar termofixos e borracha. São totalmente automáticas, com plastificação por rosca sem fim, controle de saída das peças por fotocélula e dotadas de proteção para o molde”, explicava o texto.Plástico Moderno, Década de 70 - Indústria do plástico deslancha com a nacionalização de resinas, mas enfrenta a disparada nos preços do petróleo em duas crises internacionais

A Irmãos Semeraro fabricava cinco modelos, com capacidades para peças de 80 g a 450 g. Por encomenda, produzia equipamentos indicados para peças de 40 gramas a 2 kg. A Oriente era especializada em unidades com capacidade para injetar peças de 150 g. A empresa trabalhava por encomenda e o prazo de entrega estipulado era de cinco a seis meses. A pressão máxima de fechamento era de 120 toneladas.

A Petersen oferecia três modelos. A empresa trazia uma novidade que faria sucesso nos anos seguintes: a série de injetoras Boy, fabricadas com know-how da alemã Dr. Boy KG. Os modelos tinham força de fechamento de 50 t, 140 t e 200 t. Quem também oferecia três modelos era a Mom, fábrica no mercado desde 1962. Todos tinham capacidade de produzir peças de 80 g. “A injetora Mom 80-II é a que trabalha mais devagar – o tempo de injeção é de quatro a cinco segundos. Na semiautomática 80-III e no modelo M80-4 o tempo é de dois a três segundos”, dizia a matéria.

Extrusoras – Na mesma reportagem, foram apresentados os principais fornecedores de extrusoras. Seis empresas tinham grande participação no mercado: A. Carnevalli, Gerst, Indústria Metalúrgica Santa Bárbara, Irmãos Pugliese, Luigi Rulli e Reifenhäuser. Trechos da matéria falavam sobre os modelos oferecidos ao mercado. “A A. Carnevalli fornece máquinas para a produção de monofilamentos de polietileno, polipropileno e náilon, extrusoras para ráfia de polipropileno, máquinas para fios e cabos e conjuntos para a produção de redes, usadas nas embalagens de frutas, além de quatro modelos de extrusoras para filmes soprados de polietileno.”

Uma novidade da empresa ganhou espaço no texto. “O mais recente lançamento é a extrusora para ráfia – ela extrusa o polipropileno em filme, faz o filamento, estira-o e embobina. O equipamento produz até 12 mil kg/mês e custa entre Cr$ 160 mil e Cr$ 200 mil, conforme o número de fusos que se destinam ao embobinamento.”

“A Gerst produz extrusoras dotadas com motor simples ou eletromagnético, com diâmetros de rosca entre 35 e 120 mm, para filmes com espessura desde 0,02 mm até 0,5 mm. Fabrica ainda equipamentos para obtenção de tubos, perfis, monofilamentos e recuperação. A menor extrusora custa Cr$ 25 mil e a maior custa Cr$ 150 mil.” “Quem produz a extrusora Olga é a Indústria Metalúrgica Santa Bárbara. A indústria fornece cinco modelos de máquinas para a fabricação de folhas de polietileno, que se diferenciam nas dimensões da torre, da extrusora propriamente dita e da enroladeira… Pretende agora entrar na produção de equipamentos para ráfia.”

“A Irmãos Pugliese fabrica extrusoras e máquinas para moldagem por sopro. De sua linha normal de produção constam extrusoras de 45, 60 e 90 mm para filmes de polietileno, com capacidade de plastificação respectiva de 35, 70 e 140 kg/h e extrusoras para tubos, mangueiras, perfis e granulação de PVC, de 35, 45, 60 e 90 mm.” “A Luigi Rulli produz extrusoras para PVC, polietileno, polipropileno e náilon. As extrusoras para filme de polietileno têm capacidade desde 15 kg/h até 100 kg/h, fazendo sacos de seis cm até dois m de largura e de 0,10 mm até 0,40 mm de espessura. O equipamento para monofilamento e ráfia, com capacidade para 60 kg/h custa Cr$ 320 mil, com enroladeira de 82 fusos.”

“A Reifenhäuser fabrica todas as extrusoras básicas e equipamentos auxiliares para a fabricação de filmes de polietileno, chapas de poliestireno comum e alto impacto, acetato de celulose, PVC flexível e rígido e acrílico… Agora está lançando um equipamento para a produção de filme de polietileno de alta densidade e alto peso molecular e outro para coextrusão de filme de polietileno e outros materiais.”

Sopradoras – Em 1972, seis fabricantes de sopradoras eram bastante conhecidas no mercado brasileiro: Dugin, Fábrica de Moldes e Máquinas, Rusa, Pugliese, Rogeflex e Rosvel. Juntas, elas conseguiram vender 218 máquinas naquele ano. Os empresários do setor demonstravam otimismo para o ano seguinte. Não era para menos. Na edição de agosto de 1973, a revista informava que no primeiro semestre o setor havia conseguido vender mais máquinas do que em todo o ano anterior.

A máquina mais cara do mercado em 1973 custava Cr$ 170 mil. Era a S-70, fabricada pela Rosvel. Ela era uma sopradora por extrusão contínua com transferência e tinha capacidade de plastificação de 35 kg/h de polietileno ou 25 kg/h de PVC. Trabalhava com até dez ciclos por minuto. As dimensões máximas das peças que produzia eram dois mil centímetros cúbicos de volume e noventa gramas de peso. A sopradora de menor preço, por sua vez, era a F1, oferecida pela Rusa. Ela custava uma “pechincha”: Cr$ 16 mil. Sua capacidade de plastificação era de 10 a 12 kg/h, transformados em até doze ciclos por minuto. As peças fabricadas por ela tinham volume máximo de 750 centímetros cúbicos.

Em setembro de 1973, a revista fez uma pesquisa com 314 empresas de transformação (amostra estatística de um total de 2.932 empresas computadas). O estudo tinha como objetivo delinear o mercado de máquinas da época. O resultado revelou força por parte do sopro nacional. Dentre os entrevistados, sessenta declararam trabalhar com sopradoras. Ao todo, eles contavam com 259 máquinas nacionais e 80 estrangeiras. O resultado permitiu concluir que o parque nacional de sopradoras detinha entre 2,7 mil e 3,2 mil máquinas, algo em torno de 13% dos equipamentos básicos instalados no parque brasileiro da indústria do plástico.Plástico Moderno, Década de 70 - Indústria do plástico deslancha com a nacionalização de resinas, mas enfrenta a disparada nos preços do petróleo em duas crises internacionais

“Aplique bem a injeção” – Em seus primeiros anos de vida, a revista Plásticos & Borracha tinha como norma apresentar matérias de caráter didático. O objetivo era colaborar com os profissionais de um setor cuja tecnologia ainda precisava ser difundida. No início da década de 70, os transformadores sofriam muito com problemas nas linhas de produção de peças injetadas. Em novembro de 1971, foi publicada uma reportagem cujo sugestivo título era “Aplique bem a injeção”.

Assim começava o texto: “A máquina injetora tem um coração sensível: um intrincado sistema hidráulico que pede manutenção cuidadosa e rigoroso controle técnico durante o processamento. A qualidade do óleo, por exemplo, pode ser responsável por impurezas que afetam o mecanismo das válvulas e bombas. Para que o movimento de avanço ou recuo dos pistões dentro dos cilindros resista às fricções, é preciso usar uma grande força determinada pela área de pistão e pela pressão do óleo. As peças usinadas que saem com rebarbas resultam do vazamento do plástico do cilindro de injeção por excesso de pressão.”

Em seguida, a reportagem mostrava a grande causa dos problemas. “Todos esses defeitos mais comuns ocorridos nas injetoras advêm, geralmente, do uso inadequado do equipamento. A forma de corrigi-los é uma só, o conhecimento de todos os elementos do sistema hidráulico, o que nada mais é que um meio de transformar e transmitir energia mecânica.” A matéria prosseguiu com um resumo das funções dos elementos básicos do sistema hidráulico e de como eles deveriam ser tratados para que o cotidiano não trouxesse muitos dissabores para seus usuários.

Os segredos do sopro – Também com caráter didático, a edição de agosto de 1971 veiculou matéria na qual eram apresentados os aspectos mais importantes da moldagem por sopro praticada na época do PEAD. Acompanhe o trecho inicial do texto: “Quem molda polietileno de alta densidade não pode admitir a fabricação de peças opacas, estriadas, ásperas ou enrugadas. Não quer o produto encolhido, quando esfriar, nem a solda aberta ao menor esforço. Para evitar a longa série de defeitos que aparecem durante o processo, deve conhecer em detalhes os componentes do equipamento e as condições de trabalho. Conheça a técnica, opere com perfeição.”

O processo foi analisado etapa por etapa. “Comece pela extrusão. O equipamento de extrusão deve fornecer um polimento bem plastificado, homogêneo, de maneira contínua e constante em formato e quantidade. A extrusora deve, em primeiro lugar, estar equipada com o cilindro específico para a transformação da matéria-prima – o comprimento do cilindro, no caso, é de 25 vezes o diâmetro, pelo menos. Se for menor, pode ocorrer o processamento do material, mas a plastificação não será tão eficiente…”

As dicas também atingiam os moldes. “As duas metades dos moldes são guiadas por meio de pinos de guia, geralmente em número de quatro. Os alojamentos dos pinos devem ser revestidos com camisas de material temperado e substituíveis, pois com o trabalho contínuo o desgaste é grande e ocasiona desalinhamento da cavidade, o que provoca defeitos nas peças.”

Plástico & Embalagem – O editorial da revista no mês de abril de 1973 explicava a mudança. A partir daquele número, ela passava a se chamar Plásticos & Embalagem. O objetivo era incluir no conteúdo editorial as tecnologias de fabricação de embalagens voltadas para transformar outros materiais. “Em vez de se restringir a um caderno, retratando apenas as novidades em matérias-primas, máquinas, processos e aplicações dos plásticos nesse campo, a publicação vai conter duas revistas em uma. A primeira, como é feita há quase dois anos, dedicada a todos os desenvolvimentos dos plásticos. Já a segunda abordará os assuntos de maior interesse no campo da embalagem, seja ela de plástico, papel, papelão, vidro, madeira ou lata. Esperamos dessa forma atender ao interesse que os nossos leitores têm manifestado pelos problemas de embalagem.”

A reportagem principal da edição foi uma matéria sobre a arte da criação da embalagem. Ela abordou tópicos necessários para fazer projetos visuais capazes de atender às necessidades de valorizar os produtos. O plástico continuava a ter forte presença editorial. Matéria sobre a descrição dos métodos modernos de obtenção de fios e fibras de polipropileno recebeu uma “chamada” de capa. Havia espaço para reportagens diferenciadas. Uma delas abordava como fazer para equipar as fábricas por meio dos contratos de leasing. A primeira fábrica nacional de fibra de vidro, a Ocfibras, ganhou uma matéria.Plástico Moderno, Década de 70 - Indústria do plástico deslancha com a nacionalização de resinas, mas enfrenta a disparada nos preços do petróleo em duas crises internacionais

Rosca dupla – “Há pouco mais de quatro anos, a indústria do plástico da Europa e dos Estados Unidos foi surpreendida por uma extraordinária novidade: a extrusora de rosca dupla.” Assim começava uma reportagem publicada em junho de 1974. O texto destacava o significado da evolução para a metodologia de transformação. “À primeira vista, era uma simples solução para os problemas de produtividade do setor, uma vez que, pela lógica, deveria ter duas vezes a capacidade da máquina convencional. Hoje, no entanto, já estão bem definidas suas principais aplicações: fabricação e tingimento de compostos, especialmente de PVC, fabricação de chapas e tubos de grande diâmetro.”

As maiores vantagens do equipamento eram apresentadas com destaque: “Eles proporcionam melhor plastificação e maior homogeneidade, principalmente no caso dos compostos. Como o material não sofre muita pressão interna e não é forçado durante o processamento, é quase eliminado o perigo da decomposição. Além disso, a rosca dupla permite trabalhar com o pó do PVC, sem prévia plastificação, e transporta a matéria-prima de forma contínua e constante.”

Uma constatação: “Segundo alguns fabricantes do setor de máquinas, as extrusoras de rosca dupla interessam mais de perto aos produtores de matérias-primas do que aos transformadores, pois sua função-chave é a fabricação de compostos. Quanto a um possível aumento de produção, seus efeitos não são muito sensíveis.”

Na época, as extrusoras de rosca dupla compunham a linha de grandes empresas internacionais fabricantes de máquinas, como a Cincinnati Milacron, KraussMaffei, Werner & Pfleiderer e Egan. “No Brasil, a novidade só está chegando agora, através da Reifenhäuser e da Polietil, que prometem formalizar o lançamento de um modelo na próxima Feira da Mecânica. E a atitude dos transformadores ainda é de expectativa quanto aos seus reais benefícios para o volume e a qualidade de produção.”

A mesma reportagem destacou o avanço dos modelos convencionais. “Os últimos anos testemunharam significativas alterações no know-how das extrusoras, para permitir a moldagem de materiais difíceis, como os plásticos higroscópicos – ABS, náilon e acrílico. Também é o caso de linhas completas para a moldagem de perfis de PVC espumado, folhas de polipropileno com carga de madeira ou laminados de plástico e papel.”

Em paralelo, destaque para o início do avanço da informática. “Outras modificações importantes também ocorreram no controle da extrusão. A Wetex, por exemplo, introduziu um computador nos seus novos modelos para ajustar a espessura das folhas e filmes extrudados ou coextrudados. E uma firma especializada criou uma unidade totalmente computadorizada, que está apta a detectar as causas de muitos defeitos no processo e chega a sugerir alterações nos equipamentos já existentes.”

Injeção + sopro – Em meados da década de 70, envasar refrigerantes em embalagens de plástico era possível apenas na mente de alguns visionários. A edição de junho de 1974 trouxe matéria sobre um processo de fabricação incipiente, mas hoje bastante famoso por ser utilizado na produção de garrafas PET. “Até o momento, as máquinas que operam pelo princípio de extrusão-sopro ocupam a principal fatia do mercado. No entanto, os fabricantes de equipamentos da Europa e dos Estados Unidos já estão reservando uma parte de sua linha para as máquinas do tipo injeção-sopro”, começava o texto.

A reportagem falava um pouco sobre a tecnologia. “Essa técnica consiste em injetar uma pré-forma ao redor de um núcleo e de um molde. Após um resfriamento parcial, o conjunto de núcleo e a pré-forma são levados para o molde de sopro, onde ganha seus contornos finais.” As virtudes do processo eram exaltadas. “Com efeito, as máquinas desse tipo combinam as vantagens da injeção pura e do sopro por extrusão. Permitem economia de matéria-prima de 10% a 40%, garantem melhor orientação biaxial e melhor controle de espessura das paredes do frasco e eliminam a formação de rebarbas. Além disso, elas permitem o controle das dimensões do gargalo, o que muitas vezes se constitui no ponto fraco do processo de sopro.”

As vantagens também se estendiam para o lado estético das peças produzidas. “A tecnologia oferece a possibilidade de obter formas dificilmente conseguidas com o sistema tradicional: garrafas e peças com entalhes internos, como acoplamentos e encaixes de tubos, e corpos fundos com paredes finas.”

Era QD – “O nosso curso integrado de embalagem.” Esse foi o tema da matéria de capa da edição de agosto de 1976, o primeiro número da revista publicado pela Editora QD. Ela tinha como objetivo oferecer aos leitores um curso integrado de embalagem, programado por um especialista do setor, o engenheiro Lincoln Seragini. A série trouxe princípios técnicos, econômicos e de marketing abordados de forma didática, com o objetivo de auxiliar a formação profissional de técnicos e promover a racionalização do sistema de produção de embalagens, atividade que na época movimentava US$ 1,8 bilhão de dólares no Brasil.

As atrações do primeiro número na casa nova não pararam por aí. O setor de plásticos tentava conseguir do governo maior rapidez na concessão de repasse de preços. “Um esquema de liberdade vigiada ou, pelo menos, a concessão imediata de reajustes para os preços dos manufaturados de plásticos, acompanhando os aumentos da matéria-prima. Esta é a principal reivindicação do Sindicato da Indústria de Material Plástico do Estado de São Paulo, que congrega mais de 95 por cento dos transformadores de plástico instalados no Brasil.”

Outra notícia com chamada de capa era a do lançamento de dois novos modelos de injetoras feitos pela Ferbate. Uma característica importante da máquina era a sua força de fechamento de 380 toneladas, bastante elevada para a época. A organização da III Semana do Plástico, que seria realizada de 13 a 17 de setembro, era motivo de conversas nas rodas dos profissionais do ramo.

Ecologia – Falar sobre ecologia não era algo muito comum em 1976, a não ser para poucos abnegados. Começavam, no entanto, alguns projetos voltados para preservar o meio ambiente de problemas desagradáveis. Foi o que mostrou a reportagem de novembro. Com o objetivo de diminuir o problema dos resíduos plásticos, uma empresa brasileira, o grupo Divani, ligado ao ramo de embalagens (sacos plásticos e de papel), mostrava-se pioneiro na ideia de fabricar no Brasil um filme degradável.Plástico Moderno, Década de 70 - Indústria do plástico deslancha com a nacionalização de resinas, mas enfrenta a disparada nos preços do petróleo em duas crises internacionais

A empresa adquiriu know-how desenvolvido na Inglaterra, na época o único sistema conhecido no mundo para essa operação. No país da rainha Elizabeth já eram produzidos milhares de sacos com a tecnologia desde o ano anterior. O processo previa a inclusão de amido, em porcentagens variadas – de 15% a 50% –, a qualquer tipo de termoplástico (PE, PP, PVC, PS e PU), para tornar o produto vulnerável à ação enzimática quando enterrado no solo. “Fora do contato íntimo com a terra, o plástico com amido não sofre nenhuma ação deletéria provocada pelo meio ambiente (umidade, luz solar, intempéries etc.) e até mesmo pelos agentes químicos.” Com a adição de 10% de amido, o filme plástico levava dois anos para sofrer decomposição total.

“Entre as principais aplicações desses novos plásticos, a Divani destaca os lençóis agrícolas (até 50% de amido), copos descartáveis (20% de amido), brinquedos de PVC (30%), cordas de polipropileno (em teste na Europa) e garrafas.” Outra utilização era um tanto mórbida. “O uso poderia se estender até para fins mortuários, em produtos como caixão de defunto ou saco envoltório do corpo (este obrigatório na Áustria).”

Camaçari – “Com a implantação no Polo Petroquímico de Camaçari-BA e o início das operações industriais neste semestre, o governo federal promete uma rápida e radical transformação no panorama de recursos da Região Nordeste, marcada pela pobreza e êxodo rural, por uma industrialização incipiente e extrema dependência econômica do Centro-Sul do país. Mais indústrias, mais divisas, menos importação, mais empregos. E tudo isso até 1980, quando deverá estar instalada no Nordeste uma capacidade de transformação capaz de esgotar o potencial do mercado regional.”

Assim começava a matéria de capa da edição de janeiro/fevereiro de 1978, ano da entrada em funcionamento do polo nordestino. A matéria ressaltava a importância da inauguração para o setor. “A indústria de transformação de plásticos e de elastômeros será particularmente beneficiada devido ao seu papel criador de mercado de mão de obra, e de melhoria da renda regional, essencial para a consolidação do complexo de Camaçari, que representa investimentos globais de cerca de US$ 3 bilhões.”

A previsão para 1980 era de produção de 400 mil toneladas anuais de polímeros ofertados a todo o país para a fabricação de artefatos de plásticos, de borracha e fibras sintéticas. Para o mesmo ano, estimava-se o consumo da Região Nordeste em 130 mil toneladas anuais de termoplásticos. O consumo nacional previsto para 1979 era de 1,4 milhão de toneladas. Para 1980, a aposta era de quase 1,6 milhão de toneladas.

Plásticos de engenharia – Os engenheiros das montadoras e indústrias eletroeletrônicas, entre outras, ganharam novas opções de materiais para substituir os metais. Grandes fabricantes mundiais de produtos químicos – DuPont, Basf, Hoechst, Celanese e Phillips Petroleum – passavam a oferecer ao mercado em volumes consideráveis os plásticos de engenharia, matérias-primas com características adequadas para substituir metais e outros materiais na fabricação de peças técnicas. Entre as vantagens divulgadas, as empresas destacavam elevada dureza, imunidade ao desgaste e à ferrugem, além da flexibilidade.

“Definidos como plásticos nobres, por suas qualidades técnicas e propriedades físicas, os termoplásticos de engenharia – dentre eles o ABS, policarbonato, poliacetal, polioxifenileno, poliéster termoplástico e náilon – representam hoje, no Brasil, um mercado em fase de expansão, para o qual se espera um crescimento de 70% nos próximos cinco anos”, dizia a reportagem de capa de agosto de 1978.

A matéria falava na perspectiva pequena daqueles materiais virem a ser produzidos no Brasil em curto prazo. “Embora os grandes produtores tenham todos grandes planos para o Brasil, por enquanto, oferecem apenas suas resinas importadas, além da (no caso) indispensável assistência técnica a seus clientes.” A justificativa para a dificuldade era uma só. Apesar da crescente expansão, o mercado brasileiro ainda não comportava a instalação de grandes fábricas, para as quais eram necessários altíssimos investimentos.

Um Comentário

  1. Mesmo com toda tecnologia de hoje, o plástico fabricado há alguns anos, demonstram ter mais qualidade que hj. A exemplo disso, é um depósito que comprei no ano de 1980 da marca Hevea, minha primeira “peça” para minha casa, ainda está em uso diário!

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