Plástico

Década de 2000 – Crises e problemas continuam, mas o setor se fortalece

Jose Paulo Sant Anna
10 de novembro de 2011
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    Nesse sentido, a Braskem, gigante brasileira na produção de resinas plásticas, deu passo importante no ano passado. Inaugurou em setembro uma planta para produção de eteno derivado de etanol, com capacidade para 200 mil toneladas de polietileno verde por ano. A iniciativa mereceu investimentos de cerca de R$ 500 milhões no projeto e foi notícia na revista em novembro do ano passado. “Não existe diferença entre o polietileno que sai da petroquímica e o da rota etílica. São dois produtos idênticos”, reforça o gerente de fontes alternativas e biopolímeros da empresa, Antonio Morschbacker. Para ele, o grande diferencial está na proteção ao meio ambiente. O eteno produzido via etanol, cuja tecnologia de produção foi desenvolvida pela empresa, sequestra CO2, principal vilão do efeito estufa.

    A reportagem falava sobre os planos futuros da Braskem. A intenção era inaugurar, a partir de 2013, uma planta de conversão do álcool em propeno, monômero que gera o polipropileno verde. A expectativa inicial de investimentos gira em US$ 100 milhões para uma capacidade de 30 mil toneladas por ano, podendo ser triplicada ainda na partida.

    Matéria de capa de agosto deste ano também foi dedicada aos biopolímeros. Alguns números informados dão ideia desse mercado. De acordo com a European Bioplastics/University of Applied Sciences and Arts Hannover, a capacidade produtiva mundial de biopolímeros totalizou, em 2010, 725 mil toneladas. Graças ao Brasil, a América do Sul lidera a produção, com 27,6% do total. Em seguida surgem empatados América do Norte e Europa, com 26,7% cada. A Ásia responde por 18,5% e a Austrália, 0,5%.

    Plástico Moderno, Década de 2000 - Crises e problemas continuam, mas o setor se fortaleceReciclados e biodegradáveis – Dois outros temas ligados à proteção do meio ambiente geram notícias de forma constante no mundo do plástico. Trata-se da reciclagem e dos plásticos biodegradáveis. Ambos recheiam com frequência as páginas de Plástico Moderno. Acompanhe o trecho inicial da matéria de capa de janeiro de 2002. “Em 2010, o consumo per capita de resinas termoplásticas no Brasil será de 35 kg, com 48% do volume destinado às embalagens. O material, que hoje representa 3% dos resíduos sólidos urbanos, avaliado em 15% atualmente, saltará para 30%. Os números, divulgados pela Plastivida, comissão vinculada à Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), não foram obtidos pela leitura de cartas, jogo de búzios ou mesmo mostrados na milenar bola de cristal, métodos bastante empregados todo final de ano na tentativa de prever o futuro da economia brasileira. São resultados da pesquisa Perspectivas para a Reciclagem do Plástico, desenvolvida pelo Programa de Estudos do Futuro (Pró-Futuro) da Fundação do Instituto de Administração da Universidade de São Paulo.”

    Os plásticos biodegradáveis também mereceram muitas páginas na revista. Veja trecho de reportagem publicada em maio de 2004, quando essas matérias-primas começavam a chegar ao mercado de maneira mais consistente. “Os polímeros com propriedades de degradação saíram do âmbito acadêmico. A produção nacional ainda é incipiente, abaixo de um ponto percentual no mercado brasileiro de resinas termoplásticas. Mas as pesquisas começam a transpor as bancadas para chegar ao chão das fábricas. Existe grande movimentação do setor, a ponto de justificar projeções positivas. Segundo expectativa do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT), a demanda anual de plásticos biodegradáveis pode alcançar a marca de 20 mil toneladas nos próximos cinco anos.”

    Em outubro de 2010, os plásticos biodegradáveis mereceram a reportagem de capa. Uma das preocupações da matéria foi esclarecer como eles atuam na natureza. “Por definição estabelecida em normas americanas (ASTM 6400 e ASTM D6868) e europeias (EN 13432), bases da brasileira NBR 15448, os plásticos biodegradáveis devem perder, no mínimo, 90% de sua massa na forma de CO2 em 180 dias, sob a ação de micro-organismos. Descartados de forma adequada (em ambiente de compostagem), transformam-se em dióxido de carbono, água e húmus – um adubo. Só depois de esse húmus ser aprovado em uma bateria de testes (de crescimento de plantas, ausência de resíduos tóxicos e outros), o polímero ganha a classificação de compostável, com qualidade para crescimento de plantas. Não são necessariamente resinas obtidas de rotas renováveis. Podem derivar do petróleo. Mas precisam obrigatoriamente se decompor de acordo com as especificações das normas de biodegradação”, dizia o texto.

    Futuro – Um painel da pujança do momento atual da indústria do plástico nacional saiu na edição de abril de 2011, quando foi apresentada a prévia da Brasilplast. A exposição, maior do Hemisfério Sul do setor, aconteceu em maio no Parque Anhembi, em São Paulo. Lá puderam ser conferidas as novidades dos principais fornecedores de matérias-primas, aditivos, equipamentos, componentes e prestadores de serviços. Merece reflexão a forte presença de empresas internacionais no evento, beneficiadas pelo dólar subvalorizado, uma das marcas deste ano, pelo menos até as últimas semanas.

    O final da primeira década do século XXI registrou desempenho positivo de todos os elos ligados ao setor. Há previsão de investimentos para o aumento da produção nacional de resinas. Novas tecnologias ganharam espaço e o plástico deve seguir nos próximos anos com sua sina de substituir outros materiais em diversas aplicações. Resta torcer para que os ventos soprados pela economia colaborem .



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